Posted by : Angie Jul 4, 2020


            O sol voltava a brilhar no céu azul e brilhante de Galar, dando início a mais um dia ameno e ensolarado, perfeito para a continuação da viagem de vários Treinadores Pokémon.

            Depois de uma noite bem dormida no Pokémon Center de Wedgehurst, Victor, Gloria, Hop e Sonia, aproveitaram para tomar o pequeno almoço na cafetaria do estabelecimento, partindo, logo de seguida, para a Route 2, onde ficava o próximo destino do trio de treinadores.

            Naquele momento, o grupo encontrava-se no trilho da rota. Várias árvores e arbustos decoravam o local, que servia de habitat a imensas espécies de Pokémon que começavam a despertar calmamente. Victor, Gloria e Hop observavam atentamente a figura de Sonia, que se encontrava no meio dos montinhos de erva, a combater uma criatura típica da região.

            Ivysaur encontrava-se à frente do corpo da jovem, fitando calmamente a figura de um pequeno esquilo à sua frente. A criatura estava tão concentrada enquanto comia uma Berry, que nem se apercebera da presença de Sonia. O seu pelo era de diferentes tons de castanho, inclusive a sua cauda, grande e peluda. As grandes bochechas do Pokémon estavam cheias de comida que ele mastigava alegremente.


            - Skwovet, um Pokémon Normal-Type. – disse o Rotom Phone de Gloria, que apontava na direção da criatura. – Pode ser encontrado a comer Berries de todos os tipos. Muitas vezes, armazena o interior das suas bochechas com comida para se alimentar mais tarde.

            - Ivysaur, ataca com Razor Leaf! – ordenou Sonia.

            O Pokémon quadrupede reuniu a sua energia, fazendo com que um conjunto de folhas saísse do interior da planta das suas costas, atingindo, finalmente, o corpo de Skwovet em cheio. O Pokémon estremeceu e caiu ao chão ferido. O golpe de Ivysaur era demasiado forte para uma criatura tão indefesa como aquela.

            - Vamos terminar o nosso encontro com o Vine Whip!

            Duas lianas saíram disparadas das costas de Ivysaur na direção do pequeno esquilo que, depois de atingindo, contorceu o seu corpo no chão. Os ataques de Ivysaur eram realmente fortes, o que revelava um grande treinamento por parte do Pokémon e da sua treinadora.

            Sonia, por sua vez, apressou-se a encontrar uma Poké Ball dentro da carteira que logo arremessou contra o corpo de Skwovet que, sem escapatória possível, entrou na cápsula, acabando por ser capturado facilmente. A jovem apanhou a esfera do chão e guardou-a no interior da mala. De seguida, agradeceu a Ivysaur, que a observava alegremente, antes de o voltar a colocar no interior da sua Poké Ball, arrumando-a igualmente. Ao virar-se, deparou-se com as figuras dos três treinadores iniciantes, que a observavam surpreendidos.

            - O Ivysaur é realmente forte. – murmurou Victor espantando. – O pequeno Skwovet nem teve oportunidade de fugir!

            - Tu és fantástica! – exclamou Gloria.

            - Obrigada aos dois. – riu a jovem, corando ligeiramente.

            - Costumas capturar muitos Pokémon? – questionou Hop, que até ao momento permanecera em silêncio.

            - Nem por isso. Quando saí em jornada não consegui capturar muitos Pokémon, na verdade. – explicou.

            - Porquê? – questionou a gémea mais velha.

            - No início, eu tinha medo…

            - Medo de Pokémon? – repetiu Hop.

            - Sim. – confessou a ruiva. – Mas o teu irmão conseguiu ajudar-me com o passar do tempo. – disse, esboçando um pequeno sorriso enquanto recordava os tempos antigos. – Mas e vocês? Já capturaram algum Pokémon, para além dos vossos Pokémon Iniciais?

            - Um Rookidee! – respondeu Victor animado.

            - Antes de sair de Postwick, os meus pais ofereceram-me um Wooloo. – disse Hop. – Tradição de família.

            - Eu lembro-me do Wooloo do Leon! – riu-se. – Então e tu, Gloria?

            - Por enquanto sou só eu e o Scorbunny… - murmurou a rapariga.

            - Temos que tratar disso. – sorriu a investigadora. – Vamos fazer-nos à estrada e encontrar um Pokémon para a Gloria capturar!

            Todos assentiram e concordaram com a ideia da mais velha, acompanhando-a calmamente pelos trilhos da rota.

            Os minutos passavam e parecia que nenhum dos presentes conseguia encontrar um Pokémon que a gémea mais velha conseguisse capturar. Muitos deles acabavam por escapar por entre os arbustos ou até mesmo durante as batalhas. Gloria começava a ficar desanimada. Talvez aquele não fosse o dia ideal para ela fazer a sua primeira captura.

            - Desisto! – protestou, encostando o corpo contra o tronco de uma árvore, acompanhada por Scorbunny que estava igualmente desanimado.

            - Acho que é a primeira vez que te ouço dizer isso. – afirmou Victor surpreendido.

            - Eu não consigo! – exclamou, levantando os braços no ar, em forma de protesto.

            - Vais mesmo dar-me razão? – provocou Hop.

            - Por cima de ti! – exclamou Sonia, apontando para a árvore.

            Num dos ramos do arvoredo onde Gloria se encostava, uma pequena lagarta permanecia silenciosa, escondida atrás de várias folhas. Quando se apercebeu da atenção dos treinadores, a Pokémon estremeceu. Esperava que pudesse passar despercebida. Mas o seu plano não correu como planeado.

            Naquele momento, Gloria e Scorbunny observavam atentamente a figura da lagarta. O seu corpo era constituído por cinco partes distintas, coloridas em vários tons de azul, amarelo e branco. As antenas no topo da cabeça eram usadas para captar informação à sua volta. Os seus grandes olhos refletiam o que observava que, naquele instante, era a figura de Gloria enquanto segurava o seu Rotom Phone pessoal.


            - Blipbug, um Pokémon Bug-Type. – disse o Pokédex. – É um colecionador de informação constante, tornando-o numa criatura bastante inteligente. Apesar disso, não é muito forte.

            - Acho que se estava a tentar esconder de nós no meio daquelas folhas… - murmurou Sonia. – Sorte a vossa, a mim não me escapa nada! – brincou. – Gloria, porque não tentas capturá-lo?

            - Segundo o Pokédex nem é assim tão forte. Talvez nem precises de combater. – apontou Victor.

            - Posso tentar…

            A rapariga retirou uma Poké Ball da sua mala e lançou-a contra a figura de Blipbug. No entanto, a pequena lagarta contra-atacou, saltando do ramo da árvore mesmo antes da cápsula poder atingir o seu corpo. No solo, a criatura fitou o rosto de Gloria, como se estivesse a provocá-la. Todos os presentes se espantaram com a inteligência de Blipbug para escapar à captura da jovem treinadora.

            - Pode não ser forte, mas é de facto inteligente. – afirmou o gémeo.

            - Scorbunny, estás pronto para um combate? – perguntou Gloria, recebendo resposta afirmativa por parte do Fire-Type. – Vamos com Tackle!

            O coelho saiu disparado na direção de Blipbug que, usando a técnica Struggle Bug, conseguiu resistir ao ataque de Scorbunny, atacando-o ao mesmo tempo. Gloria surpreendeu-se com aquela técnica e cerrou o seu punho. Ela sabia que, de uma maneira ou de outra, teria de capturar aquela Pokémon.

            - Growl!

            Scorbunny abriu a sua boca, lançando um guincho, que ecoou por todo o local, capaz de diminuir o poder de ataque de Blipbug, que estremeceu.

            - Eu sei que é uma nova técnica, mas eu acredito que és capaz, Scorbunny! – incentivou a rapariga, antes de dar a última ordem. – Ember!

            O coelho de fogo concentrou a sua energia por breves instantes. Depois, começou a correr pelo chão, à medida que as palmas das suas patas começavam a formar chamas de fogo. Scorbunny correu na direção do corpo de Blipbug, atingindo-o com os seus membros inferiores, causando um grande dano na pequena lagarta, que caiu tonta no chão.

            - Agora, Gloria! – chamou Sonia. – Lança a Poké Ball!

            A gémea assentiu e, sem perder mais tempo, lançou outra Poké Ball que guardava na carteira. O corpo de Blipbug transformou-se numa luz que logo foi sugada para a cápsula esférica. Depois do instrumento balançar várias vezes, acabou por parar, concluindo a primeira captura da jovem treinadora, que saltou no ar entusiasmada. Scorbunny fez questão de acompanhar a sua mestre, saltando para o colo da rapariga que riu de alegria.

            - É assim que se faz! – exclamou Victor, orgulhoso da irmã.

            - Muito bem! – concordou Hop.

            - Estou muito orgulhosa! – gargalhou Sonia, abraçando a rapariga.

            - Mais vale tarde do que nunca, não é? – brincou a treinadora.

            - Não é assim tão tarde, maninha. – discordou Victor. – Ainda estamos no início da nossa aventura.

            - A verdade é que, se não nos despacharmos, não chegaremos a casa da minha avó antes da hora de almoço. – interrompeu Sonia, aproveitando a deixa.

            - Nesse caso, vamos fazer-nos à estrada! – concordou Hop, liderando o caminho.

            Os raios de sol continuavam a acompanhar o grupo de viajantes durante todo o seu percurso. Aproveitando o clima quente daquele dia, os jovens reuniram-se junto da margem do grande lago da Route 2, para uma curta pausa, onde almoçaram calmamente, acompanhados pelos seus Pokémon, que brincavam alegremente pelo local. Depois de satisfazerem as suas barrigas esfomeadas, voltaram-se a fazer à estrada.

            Não demorou até atravessarem a ponte por onde passava o rio, chegando finalmente a casa da Professora Magnolia, um local já conhecido por todos, afinal, a Pokémon School de Galar funcionava ali mesmo.

            O edifício de dois andares era erguido em tijolos escuros e tinha várias janelas, que forneciam luz solar para o interior do local. À frente da casa encontrava-se uma grande horta, onde vários alimentos, para consumo humano e Pokémon, eram plantados e cuidados por Magnolia e os seus alunos. Ao lado da casa principal, existia também uma pequena estufa, onde a professora lecionava as suas aulas. No exterior, podia ainda ser encontrado um campo de batalha, onde os jovens alunos treinavam as suas capacidades práticas de combate.

            Victor, Gloria e Hop observavam alegremente à sua volta. Depois de terem passado tantos anos das suas vidas a estudar naquele local, estavam de volta, mas como Treinadores Pokémon. O sentimento era diferente e a responsabilidade era outra.

            - Chegaram finalmente!

            Uma voz fez-se ouvir atrás do grupo. Todos se viraram entusiasmados, encontrado a figura de uma senhora de cabelo claro e de olhos verdes. Usava um vestido amarelo, da mesma cor dos sapatos que calçava, e por cima vestia uma bata branca e comprida que lhe chegava até aos pés. Na mão, segurava uma bengala que a auxiliava no equilíbrio.


            - Avó! – exclamou Sonia, envolvendo a senhora num abraço forte.

            - Minha querida neta… - murmurou a senhora, deixando-se rir. – Como estás tu?

            - Ótima. Cheia de trabalho, na verdade. – afirmou. – Mas trouxe companhia!

            - Olá Professora Magnolia. – disseram os três treinadores em uníssono.

            - Estão tão crescidos! – exclamou a senhora, abraçando os três de uma vez só. – O que fazem por aqui?

            - Talvez devêssemos falar lá dentro, avó. – disse Sonia, mesmo antes dos outros responderem.

            Os presentes concordaram com a sugestão e acompanharam Magnolia até ao interior do edifício. A Professora conduziu-os até à grande sala de estar da sua casa, decorada com um grande sofá e paredes cheias de prateleiras de livros coloridos. Victor, Gloria, Hop e Sonia sentaram-se no sofá comprido, enquanto Magnolia ocupava o lugar na única poltrona da divisão.

            - Então, do que se trata tudo isto, jovens? – questionou num tom de voz mais sério.

            - Nós encontrámos isto. – começou Hop, retirando um objeto da sua mochila.

            - Acreditamos que são Wishing Stars. – completou Victor, mostrando também a sua.

            - Todos nós encontrámos uma. – afirmou Gloria, segurando a pedra brilhante com as duas mãos.

            - Fantástico! – exclamou a mulher, com um olhar brilhante. – Todos os vossos desejos vão-se realizar. – afirmou seriamente.

            - O quê? – a gémea parecia confusa.

            - Diz-se que, quem tem a sorte de encontrar uma Wishing Star consegue realizar todos os seus sonhos. – explicou a Professora.

            - E se eu não souber qual é o meu sonho? – questionou a rapariga.

            - Bem, isso já uma conversa diferente… - Magnolia coçou a cabeça, olhando por cima dos seus óculos triangulares.

            - Eu quero ser tão forte como o meu irmão Leon! – exclamou Hop entusiasmado.

            - Com certeza… - sussurrou Sonia.

            - Eu quero conhecer todos os Pokémon que conseguir. – atirou Victor, encolhendo os ombros.

            - Mas… onde encontraram estes pequenos tesouros? – questionou a mais velha.

            - Em Postwick. – o moreno respondeu prontamente. – Relativamente perto de Slumbering Weald.

            - Esperem… o quê?! – Sonia parecia surpreendida. – Vocês estiverem em Slumbering Weald?

            - Bem… - Hop limpou a sua garganta. – O meu Wooloo fugiu para lá depois de se assustar com o Charizard do Leon. Nós tínhamos de o ir resgatar.

            - Nem mesmo eu me atrevo a entrar lá. – murmurou a investigadora.

            - Slumbering Weald é um local bastante misterioso no mapa de Galar. – indicou Magnolia. – Como foi essa experiência?

            - Nós conseguimos encontrar o Wooloo, mas… - o moreno calou-se, virando o seu olhar para os dois gémeos.

            Naquele momento, Victor e Gloria eram o centro das atenções. Os dois irmãos entreolharam-se em silêncio. Apesar de confusas, as memórias daquele dia continuavam bem vivas nas suas mentes.

            - Havia muito nevoeiro. – começou Victor numa voz arrastada. – E nós vimos uma figura ao longe.

            - Eu pensava que era o Wooloo, então corri em seu auxílio. – explicou Gloria. – Estava errada, obviamente.

            - Eram duas criaturas… pareciam Pokémon. – o rapaz voltou a falar. – Mas estavam feridos. E os seus corpos não pareciam reais. Era como se a névoa os estivesse a atravessar.

            - Quando nos tentámos aproximar, eles uivaram muito alto. Depois disso, desmaiámos e só voltámos a acordar à noite. – finalizou a gémea.

            - Como é que vocês saíram de lá? – questionou Sonia estupefacta.

            - O Leon e o Charizard encontraram-nos. – explicou Hop.

            - Ao menos isso… - suspirou a jovem ruiva.

            - Mas que Pokémon eram esses? – Magnolia parecia bastante interessada no assunto.

            - Nunca os vimos antes. – respondeu Victor.

            - Mas não pareciam comuns… - afirmou Gloria. – Havia algo neles que era único.

            - Interessante. – murmurou a mulher.

            - Acho que não devem voltar a esse local. – opinou Sonia. – Tiveram sorte porque o Leon vos conseguiu encontrar. Caso contrário, não sabemos o que poderia ter acontecido.

            Os gémeos assentiram. Os dois sabiam que a jovem tinha razão. Se Charizard não os tivesse resgatado a tempo, talvez eles ainda se encontrassem perdidos no meio de toda aquela névoa. O pensamento daquela ideia era, no mínimo, assustador.

            - Quanto às vossas Wishing Stars, eu mesma posso incorporá-las numa Dynamax Band. Isto é, se quiserem. – sugeriu a Professora.

            - Claro que sim! – exclamou Hop.

            - A força Dynamax permanece um mistério para todos. Por isso, é importante que saibam que deve ser usada cautelosamente e com responsabilidade. – explicou. – Para além disso, este poder só pode ser usado em locais específicos, conhecidos como Power Spots. No fundo, são locais na região de Galar onde a energia Dynamax existe em quantidades elevadas para que o processo possa ocorrer devidamente. E não se iludam. Os vossos Pokémon não ficam realmente gigantes. – disse, deixando escapar uma gargalhada. – É uma mera simulação e projeção dos seus corpos num tamanho absurdo. Mas é claro, o seu poder também aumenta. E deve ser controlado por alguém realmente capaz. As técnicas dos próprios Pokémon também se alteram. Portanto, é preciso muito cuidado e atenção quando ativarem as vossas Dynamax Bands. – dizia seriamente.

            - No fundo, é um instrumento que pode ser muito bom, mas, ao mesmo tempo, pode provocar consequências irreversíveis. – comentou Sonia.

            - Certo. – Victor assentiu com uma feição séria.

            - Se é assim tão perigoso porque continuam a usar essa energia? – questionou Gloria.

            - Porque faz parte da nossa cultura! – argumentou Hop rapidamente. – É isto que torna a Pokémon League de Galar tão única no mundo Pokémon! – exclamou.

            - Eu tenho as minhas dúvidas… - murmurou a rapariga.

            - Seja como for, a decisão de usar, ou não, este poder é de cada pessoa individualmente. – afirmou Magnolia. – Mas sim, Hop, o que tu dizes é realmente verdade. Em combates oficiais, muitos Líderes de Ginásio usam este poder. E se os treinadores escolhem ignorar a força Dynamax, a percentagem de vencer a batalha desce automaticamente. – explicou.

            - Basicamente, os treinadores são obrigados a usar Dynamax, se querem vencer. – apontou Sonia num tom irónico.

            - Não tinha pensado nisso dessa maneira. – pensou Victor.

            - Terei as vossas Dynamax Bands prontas amanhã. – disse Magnolia, levantando-se da sua poltrona finalmente. – Aproveitem o resto do dia para descansar.

            - Avó, posso falar consigo? – Sonia levantou-se do sofá.

            - Claro. Vamos até ao meu escritório? – propôs a mulher.

            - Antes disso… - interrompeu Hop, levantando-se também. – Sonia, quero desafiar-te para um combate!

            - O quê? – a jovem parecia surpreendida pela repentina proposta.

            - Eu vi a força do teu Ivysaur quando capturaste o Skwovet. E quero que os meus Pokémon tenham rivais à altura. – começou. – E admito que não fui com a tua cara de início. – disse, baixando a cabeça. – Talvez possamos resolver esse problema numa batalha.

            - Uau… - suspirou a ruiva. – Achas mesmo?

            O jovem assentiu com a cabeça e um silêncio instalou-se no local. Por momentos, Sonia confundiu Hop com Leon, o seu antigo companheiro de viagem. Por outro lado, o moreno queria tentar perceber a força de Sonia e a verdadeira razão dela ter abandonado o seu irmão no passado. Talvez aquela fosse a única forma de tal acontecer.

            - A Sonia aceita. – afirmou Magnolia, terminando com o silêncio na sala. – Amanhã de manhã terão o vosso confronto.

            A mulher abandonou a divisão, caminhando na direção do seu escritório pessoal. Sonia, confusa e surpreendida com a reação da sua avó, correu atrás dela, fechando a porta do escritório atrás de si.

            - O que foi aquilo?! – questionou.

            - É óbvio que o rapaz precisa de combater contigo. – afirmou simplesmente. – Seja por que motivo for. E tu também precisas de voltar a dar alguma ação à tua equipa, não achas querida?

            - Talvez… - assentiu a jovem pensativa.

            - Mas diz-me, o que querias falar comigo? – a senhora sentou-se na cadeira atrás da sua secretária e pousou as mãos por cima da base da mesa, aguardando a resposta da neta.

            Sonia limpou a garganta e olhou em volta, certificando-se que as duas se encontravam sozinhas no escritório.

            - É sobre os gémeos.

            - O que têm eles?

            - Eu achei aquilo que eles disseram muito estranho... – explicou.

            - O quê?

            - Eu acho que eles viram as figuras dos Guardiões de Galar em Slumbering Weald. - sussurrou

            Fez-se silêncio no local. Magnolia franziu a testa e, por breves momentos, a feição na sua cara alterou-se radicalmente. A mulher parecia surpresa.

            - Isso não é possível. – lançou.

            - A mim também me custa acreditar, mas a forma como eles descrevem a situação é tão única... Para além disso, porque razão é que eles estariam a fingir uma coisa destas?

            - Bem visto… - pensou a professora.

            - Mas se isso se confirmar realmente… o que é que significa?

            - Isso é o que terás de descobrir. – a Professora deixou escapar um suspirou e encostou as suas costas na cadeira. – Esta é a tua grande oportunidade como investigadora, Sonia.

• • •

            A noite estava instalada, tal como os jovens viajantes que já se encontravam a descansar confortavelmente nas respetivas divisões da casa de Magnolia.

            Victor e Hop dividiam o quarto de hóspedes e, naquele momento, os rapazes discutiam técnicas de combate para o dia seguinte.

            - O Ivysaur é Grass-Type e Poison-Type e o Skwovet é Normal-Type… exatamente os mesmos tipos dos meus Pokémon! – comentou o moreno.

            - Na verdade, o Grookey tem desvantagem contra técnicas Poison-Type, portanto deves ter isso em alerta. – afirmou Victor, folheando um livro de capa dura.

            - Achas que consigo vencer a Sonia?

            - Eu não sei, Hop. – confessou o gémeo. – Ela parece uma Treinadora Pokémon experiente, mesmo tendo desistido do Gym Challenge. Nós somos apenas iniciantes. Não me parece a situação mais equilibrada de todas, honestamente.

            - De qualquer das maneiras, vou dar o meu melhor. E tentar deixar os nossos problemas naquela batalha.

            - Mas que problemas? Eu nunca percebi realmente o que tu tens contra ela… - murmurou Victor.

            - Ela deixou o meu irmão sozinho! – exclamou o rapaz. – Isso não é justo.

            - Hop, eu sei que o Leon é o teu ídolo, mas tu sabes que ninguém é perfeito, certo? As pessoas cometem erros. E nós não sabemos o que se passou entre eles os dois. – o rapaz falava calmamente. – Deixa isso de lado e certifica-te que aproveitas o combate da melhor maneira.

            Hop assentiu em silêncio. Ele sabia que, no fundo, o seu amigo tinha razão. Não podia julgar uma pessoa que acabara de conhecer por influência de outro alguém.

            - Obrigado, amigo. – disse, esboçando um sorriso.

            Na divisão ao lado, Gloria e Sonia experimentavam roupas da neta de Magnolia. O quarto da jovem estava todo desarrumado, com vestuário espalhado pelo chão, caixas de maquilhagem abertas e gargalhadas pelo ar.

            - Tu e a tua avó estão a ser muito simpáticas connosco. – admitiu Gloria. – Muito obrigado.

            - Ora essa! – Sonia deixou-se rir. – Vocês os três são uns queridos.

            - Achas mesmo? – a mais nova arqueou a sobrancelha. – O Hop não tem sido muito simpático contigo.

            - Ele não faz por mal. – Sonia encolheu os ombros. – Eu percebo. O Leon deve-lhe ter contado histórias da nossa viagem e ele não deve ter ficado com a melhor impressão de mim.

            - O que aconteceu, realmente?

            Fez-se um curto silêncio no quarto. Sonia sentou-se à beira da cama e Gloria encarou-a de pé, aguardando uma resposta.

            - Nós éramos tão novos e ingénuos. Tal como vocês agora. – começou, deixando escapar uma gargalhada. – Pensávamos que eramos melhores amigos, apesar de todas as nossas diferenças. Mas a verdade é que não éramos realmente. – suspirou. – Eu não te posso dizer o que aconteceu realmente, mas é algo que eu tenho a certeza que o Leon se arrepende profundamente. Mas depois das coisas estarem feitas, não há nada a fazer.


            - Mas porque é que o abandonaste?

            - Eu não abandonei ninguém! – ripostou a jovem. – No mínimo, salvei-me a mim mesma. Eu desisti da minha jornada e do Gym Challenge porque deixei de me identificar com todo o mediatismo à volta da Pokémon League. – explicou.

            - O Leon teve algo a ver com isso?

            - O Victor parece ser o gémeo mais inteligente, mas tu realmente tens uma astúcia impressionante. – comentou a investigadora, baixando de seguida a cabeça e voltando a encarar o chão. – Mas sim, teve. – respondeu finalmente. – Fim da história, está bem?

            Gloria engoliu em seco. Sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. Talvez Leon não fosse aquele herói que tanta gente imaginava e admirava. E, aparentemente, Sonia era a única pessoa que conhecia, verdadeiramente, o Campeão de Galar. Os segredos e mistérios do passado continuavam a ter repercussões no presente.

  

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  1. Replies
    1. Obrigado por continuar a acompanhar desse lado, querida Shiny! Fico feliz que goste! Até ao próximo capítulo.

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