Posted by : Angie Jul 18, 2020


            Hop fechou a grande porta de madeira da casa de Magnolia atrás de si. A brisa matinal tocou o seu rosto, fazendo com que o rapaz despertasse. À sua volta, a Route 2 parecia adormecida. Ao longe, conseguia ver o sol a surgir timidamente na linha do horizonte.

            O rapaz cerrou os seus punhos e começou a caminhar na direção do jardim da propriedade da Professora. Parou junto à margem do lago, observando atentamente a calmaria do local. Por momentos, perdeu-se no som relaxado da sua respiração, mas logo a seguir voltou a atenção para o seu foco principal. Levou a sua mão até ao bolso do casaco que vestia e pegou nas duas Poké Balls, arremessando-as ao ar. As figuras de Grookey e Wooloo apareceram à sua frente, um pouco confusas com as circunstâncias em que se encontravam.

            - Desculpem acordar-vos tão cedo. – começou o rapaz, coçando a cabeça. – Mas é por uma boa causa! Vamos ter o nosso primeiro combate hoje! – exclamou, recebendo exclamações de entusiasmo das duas criaturas como resposta. – Por isso mesmo, acho que nos devemos preparar. O meu irmão Leon contava-me que, antes de qualquer combate, o Treinador deve sempre treinar os seus Pokémon. E, uma vez que nós nunca tivemos a oportunidade de testar os vossos poderes, acho que esta é a altura perfeita. – explicou, esboçando um sorriso. – Concordam comigo?

            Grookey e Wooloo acenaram afirmativamente e começaram a seguir as indicações ordenadas pelo jovem. Os dois Pokémon lutaram entre si, ou contra objetos do local, colocando à prova técnicas que já conheciam. Grookey movia-se agilmente, utilizando o seu ramo de madeira para atacar com Branch Poke, uma técnica apreendida com o auxílio de Hop. Já Wooloo, utilizava o seu corpo esférico para rebolar pela superfície, escapando aos ataques do seu companheiro de equipa.

            O treino prolongou-se por várias horas, sendo acompanhado pelo nascer do sol, que, naquele momento, já se encontrava alto no céu azul de Galar. Hop, Grookey e Wooloo, no entanto, só se aperceberam do passar do tempo quando a porta da casa se abriu, revelando as figuras dos gémeos Walter e das mulheres Magnolia.

            - Treino matinal? – saudou Victor, aproximando-se do rapaz.

            - Acho que lhe podes chamar isso. – Hop sorriu, passando a mão pela sua testa suada.

            Estás pronto? – perguntou Sonia, aproximando-se também.

            - Sim, estamos. – Hop voltou-se para os seus Pokémon e sorriu.

            - Mal posso esperar para ver isto! – exclamou Gloria entusiasmada.

            Depois de alimentar Grookey e Wooloo com algumas Oran Berries e regressar as duas criaturas para o interior das suas Poké Balls, Hop e Sonia caminharam até à arena de combate onde Magnolia, Victor e Gloria já se encontravam. O moreno e a ruiva ocuparam os dois lados do campo, observando as figuras um do outro frente a frente.

            - O combate entre Hop e Sonia está prestes a começar! – exclamou Magnolia, no centro do local. – O primeiro treinador que conseguir vencer os dois Pokémon do adversário é o vencedor. Preparados? Comecem!

            Hop sentiu o nervosismo tomar conta do seu corpo. Havia muita coisa em jogo, especialmente a sua reputação como Treinador Pokémon. Ele queria seguir as pisadas de Leon e, como tal, não podia perder o seu primeiro desafio. Desse por onde desse, ele teria de conseguir vencer. Do outro lado do campo, Sonia parecia mais tensa do que o normal. A rapariga queria mostrar ao moreno o seu verdadeiro poder, uma vez que nunca o conseguiu mostrar realmente ao seu irmão, Leon. Aquele era um momento importante para os dois.

            - Wooloo, sai cá para fora! – Hop lançou uma das cápsulas ao ar, revelando o corpo da pequena ovelha, que se posicionou no centro da arena, pronta para o combate.

            - Antes de teres a oportunidade de combater contra o meu Ivysaur, vais ter de enfrentar o meu grande companheiro de jornada. – começou a ruiva, pegando numa Poké Ball. – Apresento-te o Yamper!

            Um pequeno cão apareceu à frente de Sonia. O seu corpo era castanho, com alguns apontamentos amarelos por todo o seu pelo. A cauda tinha o formato de um raio e o seu rabo era esculpido em forma de coração. A criatura quadrupede permanecia com a sua língua de fora, pronta para qualquer indicação da sua treinadora.


            Hop usou o seu Rotom Phone para descobrir mais informações sobre aquele Pokémon.

            - Yamper, um Pokémon Electric-Type. – disse o aparelho eletrónico. – Este Pokémon é usado por humanos para comandar hordas de Pokémon. Quando corre, gere energia na sua cauda.

            - Oh não… - murmurou Victor, do lado de fora do campo.

            - O que foi? – Gloria parecia confusa.

            - Nenhum de nós sabia que a Sonia tinha um Yamper… - falou o rapaz. – Acho que o Hop não estava à espera disso.

            - Ele sabe o que fazer, com certeza. Afinal, é irmão do Leon. – a gémea encolheu os ombros.

            - O Hop não é o Leon. – sublinhou Victor, voltando a atenção para o campo de batalha.

            - Vamos começar com Growl. – ordenou o moreno.

            Wooloo emitiu um ruído que, ao atingir a figura de Yamper, fez com que o seu status de ataque diminuísse.

            - Tackle!

            Yamper saiu disparado na direção de Wooloo que, sem qualquer indicação do seu treinador, permaneceu imóvel, deixando-se atingir pelo adversário. O que surpreendeu a maioria foi o resultado do choque. Wooloo moveu-se apenas alguns centímetros e Hop esboçava um sorriso orgulhoso.

            - Sabes, Sonia, durante o nosso treino matinal descobri que Fluffy é a habilidade do Wooloo. E, segundo o Pokédex, o dano causado por ataques de contacto direto diminuem em metade. Se a isso adicionares o efeito do Growl anterior...

            - Já percebi a tua estratégia, Hop. – cortou Sonia. – Vejo que o Leon te ensinou bem. Mas não é por isso que me vais vencer tão facilmente.

            - Isso é o que vamos ver. Wooloo, usa Tackle agora!

            Aproveitando a proximidade de Yamper, Wooloo lançou-se contra a criatura Electric-Type, atingindo-a com o seu corpo de lã. O Pokémon de Sonia sofreu alguns danos, mas nada suficientemente forte para o derrotar.

            - Nós também temos as nossas estratégias, Hop. – afirmou a ruiva, remexendo nos óculos que usava na cabeça. – Nuzzle!

            Yamper começou a correr à volta do campo de batalha, ativando a corrente elétrica que se localizava no interior do seu corpo. A cauda em forma de raio começava a mostrar pequenos feixes de luz. A eletricidade que ali se formava foi utilizada para atacar Wooloo que não só sofreu os danos do ataque, como ficou também paralisado.

            - Pokémon com paralisia elétrica têm 25% de chance de falhar um ataque e a sua velocidade diminui em 50%, Hop! – exclamou Victor. – Tem cuidado!

            - Temos tudo controlado, certo Wooloo? – afirmou Hop. – Vamos atacar com Tackle!

            A pequena ovelha tentou sair do local e realizar as ordens indicadas pelo treinador, mas o seu corpo estava completamente paralisado.

            - Tens a certeza, querido Hop? – Sonia deixou-se rir. – Bite!

            Sem mais demoras, Yamper correu na direção de Wooloo, atacando a ovelha com uma forte mordida. O Pokémon de Hop deixou escapar um último grito, antes de cair no chão inconsciente.

            - Oh não… - murmurou Hop, observando o corpo de Wooloo. – Pensava que…

            - Nem tudo está perdido, ainda tens o Grookey! – exclamou Victor, tentando animar o rapaz que estava visivelmente abalado.

            Hop assentiu em silêncio. Depois de recuperar o corpo de Wooloo para o interior da sua Poké Ball, o moreno lançou o seu segundo e último Pokémon para dentro do campo de batalha. Grookey apareceu com um ar sério, erguendo o seu ramo de madeira com orgulho.

            - Grookey, infelizmente o Wooloo não conseguiu derrotar o Yamper, portanto está tudo nas tuas mãos! – exclamou o treinador, recebendo a atenção da criatura Grass-Type. – Vamos começar com Scratch!

            O macaco saltitou na direção de Yamper, que se tentou esquivar do ataque, mas o Pokémon de Hop era mais rápido, atingindo-o.

            - Usa Spark agora! – gritou Sonia.

            À volta do corpo de Yamper, uma corrente elétrica começou a ganhar forma. O Pokémon quadrupede concentrou o seu poder naquele golpe, que lançou na direção de Grookey, que foi arremessado no ar, caindo do outro lado do campo.

            - Grookey! – exclamou Hop assustado.

            O macaco estremeceu no chão ao ouvir a voz do seu treinador. Mesmo ferido, conseguiu levantar-se do chão, com a ajuda do seu ramo de madeira, que usava agora para se segurar de pé. Grookey voltou o seu olhar para Yamper, que o observava em silêncio. Ele tinha de conseguir vencer o seu primeiro combate. Não porque o seu treinador assim o pedia, mas por ele mesmo. Num impulso, saiu disparado na direção do Electric-Type, atacando-o várias vezes com Branch Poke. Yamper caiu no chão, ferido e cansado.

            - Termina com ele! Usa Scracth! – pediu Hop uma última vez.

            Grookey aproximou-se mais uma vez do corpo de Yamper, erguendo as suas garras no ar, pronto para atacar.

            - Bite, agora!

            No último segundo, Yamper levantou-se, aproveitando a proximidade de Grookey para um último ataque. O macaco Grass-Type, de guarda baixa, acabou por ser atingindo num golpe fulminante. O Pokémon de Hop caiu no chão inconsciente.

            - Wooloo e Grookey estão inconscientes! – exclamou Magnolia. – Sonia é a vencedora deste combate!

            Hop correu até ao corpo de Grookey, segurando o Pokémon nos seus braços. O pequeno macaco acordou, confuso, e olhou o treinador com indiferença e rancor. Tudo o que Grookey desejava era poder vencer o seu primeiro combate, mas Hop não fora capaz de ordenar os seus Pokémon para os levar até à vitória.

            - Eu sei que a culpa é minha. – murmurou o rapaz para o Pokémon, que permaneceu em silêncio e com um ar hostil.

            Sem dizer mais nada, o moreno colocou o macaco no interior da sua Poké Ball e baixou o rosto, escondendo a vergonha que sentia no momento. Ele não conseguira vencer o seu primeiro combate. Pelo contrário, Sonia conseguiu vencer os seus dois Pokémon, num piscar de olhos, utilizando apenas o seu Yamper. Hop nem sequer tivera a oportunidade de lutar contra Ivysaur. O rapaz estava desiludido com ele mesmo.

            - Vai correr melhor para a próxima. – murmurou Gloria, que se aproximava acompanhada de Victor.

            - Deste o teu melhor, amigo. – disse o rapaz.

            - Não dei nada. – ripostou Hop de forma fria. – Desiludi os meus Pokémon.

            - O que estás a dizer?! As tuas estratégias foram muito boas, para um treinador iniciante como tu. – afirmou Sonia, aproximando-se também do trio.

            - Como conseguiste? – questionou Hop, voltando a sua atenção para a ruiva.

            - O quê?

            - Vencer-me só com o teu Yamper. Quer dizer, eu sou assim tão fraco?

            - Não, nada disso Hop! Não te martirizes! – exclamou a investigadora. – Mas sabes que eu tenho mais experiência, certo? Eu e o Yamper já nos conhecemos há bastante tempo.

            - Eu tentei seguir os conselhos do meu irmão… - murmurou o moreno.

            - Fizeste o teu melhor, Hop. – Magnolia juntou-se aos jovens, recebendo a atenção de todos. – Mesmo sendo um treinador iniciante, é notório o esforço que tiveste com os teus Pokémon. Mas é óbvio que a Sonia tem mais experiência que tu. Eu sei que, se continuares assim, serás um excelente treinador no futuro.

            - Mas o Grookey parecia tão desiludido…

            - É normal, afinal os Pokémon também têm sentimentos. – respondeu a mulher. – Pensava que te tinha ensinado isso. Como treinador, o teu trabalho é saber lidar com as emoções dos teus Pokémon. Tens de saber dar a volta por cima e sair vitorioso! – exclamou, mexendo os braços no ar.

            - Vitorioso é coisa que eu não sou… - murmurou o moreno.

            - Chega desta conversa. – cortou a Professora. – Vamos para dentro preparar o almoço. Já tenho as vossas Dynamax Band prontas e vocês devem partir ainda hoje de volta para Wedgehurst, correto?

            O grupo concordou com a mais velha e acompanharam-na de volta para o interior do edifício.

            Hop, no entanto, continuava perdido nos seus pensamentos depressivos. O rapaz estava desiludido com ele mesmo e sentia vergonha do seu trabalho. Teria de arranjar uma maneira de seguir os conselhos de Leon e Magnolia, recuperando a confiança dos seus Pokémon, especialmente de Grookey.

• • •

            Já passava da hora de almoço. Naquela altura do dia, a Route 2 era invadida por vários treinadores, que procuravam combater uns com os outros, ou simplesmente expandir a sua equipa, capturando novos Pokémon.

            Marnie encontrava-se no meio dos mantinhos de erva do local, acompanhada pelo seu Morpeko que se esquivava de um ataque de uma criatura selvagem. O Pokémon assemelhava-se a uma pequena raposa de pelo castanho. Os seus membros pequenos contrastavam com a sua grande cabeça e cauda gigante. Os olhos amarelos da raposa fitavam a figura de Marnie que, naquele momento, procurava informações no Pokédex.


            - Nickit, um Pokémon Dark-Type. – começou. – Astuto e cauteloso, este Pokémon sobrevive roubando a comida dos outros. Depois, elimina os seus rastos com a ajuda da sua cauda felpuda.

            - Então foi assim que roubaste o meu almoço! – exclamou Marnie. – Para teu azar, o Morpeko é um grande defensor dos seus alimentos. Thunder Shock!

            A alta velocidade de Morpeko era imbatível. Das pequenas bochechas, o Pokémon lançou raios elétricos que atingiram o corpo de Nickit, fazendo-o cair no chão fraco. Podia ser um ladrão astuto, mas as suas capacidades de combate não eram, sem dúvida, as melhores.

            Marnie aproveitou a fraqueza do Dark-Type para arremessar uma Poké Ball que guardava dentro da sua mala. O corpo de Nickit transformou-se numa luz branca, que depois foi sugada para o interior da cápsula esférica. A rapariga observou atentamente o instrumento que, depois de três vibrações concluiu, finalmente, a primeira captura de Marnie.

            - Boa! – exclamou a menina, felicitando Morpeko e apanhando a Poké Ball do chão, guardando-a. – Um novo amigo. – sorriu, enquanto o ratinho subia para o seu ombro, onde acompanhava normalmente a treinadora. – Acho que estamos perto da casa da Professora Magnolia. Segundo o que o Piers disse, é aquela ali, mesmo a seguir à ponte. – explicava, enquanto apontava para a casa do outro lado do rio.

            Marnie continuou a sua caminhada alegremente. A rapariga estava feliz por poder, finalmente, viajar pela região de Galar, e descobrir novos locais, pessoas e Pokémon. A cidade de Spikemuth, por vezes, começava a tornar-se pequena para uma menina tão sonhadora como ela. Admirava todas as pequenas experiências que fizera até então, desde andar de comboio, viajar sozinha, até capturar o seu primeiro Pokémon selvagem. Tudo com a ajuda de Morpeko que, desde o primeiro momento, não largara a sua treinadora. Os dois partilhavam desde então uma forte ligação.

            Sem se aperceberem, os dois já estavam à frente da entrada do único edifício da Route 2. Marnie levou a mão até à campainha da casa e com o dedo indicador pressionou-a, fazendo com que a campainha soasse no interior de todo o edifício. Momentos depois, a porta abriu-se, revelando a figura de uma senhora de bata branca.

            - Professora Magnolia? – perguntou Marnie.

            - Eu mesma, menina. – sorria a mulher. – Em que posso ajudar?

            - Boa tarde! – cumprimentou a treinadora, esboçando um grande sorriso. – O meu nome é Marnie. Venho da cidade de Spikemuth. O meu irmão disse-me que deveria conhecer a Professora Magnolia no início da minha jornada, portanto aqui estou eu. – explicou, deixando escapar um pequeno riso.

            - Spikemuth? – Magnolia repetiu, dando voltas na sua cabeça. – Espera! És a irmã do Piers?

            - Sou sim.

            - Oh, com certeza! Por favor, entra!

            Magnolia abriu a porta por completo, deixando a rapariga passar para o interior da sua casa. As duas caminharam até à sala, onde se sentaram no sofá.

            - Tem uma casa muito bonita. – elogiou Marnie, olhando em volta as prateleiras cheias de livros e os quadros de pintura coloridos.

            - Obrigado querida. – a senhora sorriu. – Mas então, o Piers deixou finalmente que a sua irmã mais nova saísse numa jornada. Muito bem. – comentou.

            - Não podia ficar em casa para sempre. – riu a rapariga. – Na verdade, foi ele que me ofereceu o meu Pokémon Inicial. – ela dizia, enquanto Morpeko, no seu ombro, acenava sorridente para Magnolia.

            - Oh, que querido! – exclamou a Professora, cumprimentando o Pokémon de volta. – Vejo que são bons amigos.

            - Acho que sim. – sorriu a treinadora. – A minha irmã, Marley, também me ofereceu um Rotom Phone antes de voltar a partir para mais uma das suas viagens.

            - Interessante. – comentou Magnolia. – Isso significa que agora o teu irmão está sozinho?

            - Ele e eu. – a rapariga encolheu os ombros. – Mas ele tem o Ginásio para liderar e eu uma jornada para fazer. Para além disso, nunca estamos sozinhos quando temos os nossos Pokémon, não é verdade?

            - É verdade sim, Marnie. – a mulher sorriu. – Que pena, gostaria que conhecesses um grupo de treinadores que saiu daqui ainda há pouco. Talvez se encontrem noutra ocasião. – disse ela. – Agora que penso nisso… acho que tenho um presente para ti!

            Antes mesmo que Marnie pudesse questionar Magnolia, a mulher levantou-se do sofá e abandonou a divisão, voltando momentos depois com uma caixa nas suas mãos.

            - Aqui está. – disse, colocando a caixa no colo da treinadora.

            - O que é isto, Professora? – perguntou a rapariga confusa.

            - Abre, por favor.

            Marnie assentiu e começou a abrir a caixa de cartão colorida. No interior, uma pulseira reluzia um brilho peculiar. A bracelete branca era decorada com uma listra vermelha e azul. Era uma Dynamax Band.


            - Oh, não. – murmurou a rapariga.

            - Oh, sim! – fez Magnolia. – É uma Dynamax Band, querida. Fiz algumas para os treinadores que saíram daqui há pouco e sobrou uma. Talvez seja o destino mesmo. – gargalhou.

            - Eu não posso aceitar…

            - Porquê?

            - O meu irmão é absolutamente contra este fenómeno Dynamax. Não posso desiludi-lo desta maneira. – explicou.

            - Marnie. – Magnolia inclinou o seu corpo na direção da rapariga, encarando-a seriamente. – Se tu queres ser uma verdadeira Treinadora Pokémon, deves fazê-lo à tua maneira. Não podes ignorar uma mecânica tão potente como esta apenas porque o teu irmão não é a favor dela.

            - É difícil.

            - Eu percebo que sim, querida, mas não rejeites esta oferta. Guarda esta Dynamax Band contigo e usa-a apenas quando te sentires preparada.

            Marnie calou-se e o silêncio instalou-se na divisão. De facto, se ela queria ser realmente independente, não deveria continuar a seguir as ordens ou os pedidos feitos pelo seu irmão. Mas, ao mesmo tempo, a rapariga também não queria dar-lhe razões para o próprio se chatear com ela.

            - Vou aceitar. Mas só a vou usar quando tiver realmente a certeza que estou pronta para tal. – disse. – Mais uma coisa… não comente nada disto com o meu irmão, pode ser?

            • • •

            O céu alaranjado antecedia à caída da noite em Galar. Victor, Gloria, Hop e Sonia já se encontravam de volta a Wedgehurst. O grupo encontrava-se naquele momento na estação de comboios da cidade, mais conhecida como Wedgehurst Station. As paredes do local eram construídas de tijolos encarnados que contrastavam com os azulejos brancos e brilhantes do chão do estabelecimento. Para além do grande balcão da receção, ali existiam ainda máquinas de conveniência com produtos alimentares e expositores com várias bugigangas.


            - Aqui têm os vossos bilhetes. – disse a rececionista da bilhetaria do estabelecimento. – O comboio de Wedgehurst com destino a Motostoke parte dentro de cinco minutos.

            - Obrigado. – sorriu Victor, entregando os outros bilhetes a Gloria e Hop, que se encontravam ao seu lado.

            - Tudo pronto? – perguntou Sonia, que se encontrava em frente ao trio.

            - Acho que sim… - murmurou Gloria, triste por ter que se despedir da sua nova amiga. – Quando nos voltamos a ver? – perguntou.

            - Em breve, talvez. – sorriu a ruiva. – Entretanto, continuem a capturar Pokémon e a evoluírem como treinadores! Eu acredito em vocês.

            - Vamos tentar. – murmurou Hop vagamente.

            - Obrigado por toda a ajuda, Sonia! – exclamou Victor.

            - Até um dia, pessoal! – acenou a jovem.

            Depois de se despedirem da ruiva, o trio atravessou as cancelas de segurança, passando para a plataforma de embarque, onde um grande comboio cinzento já aguardava todos os viajantes. Ao entrarem por uma das portas de serviço, dirigiram-se para os lugares indicados nos bilhetes, atravessando o mar de gente que se encontrava no interior daquela carruagem. Minutos depois, conseguiram finalmente sentar-se nos bancos almofadados e confortáveis do expresso.

            - Finalmente, podemos descansar um pouco depois de tanta caminhada. – suspirou Victor.

            - Em breve estaremos em Motostoke! – exclamou Gloria ansiosa. – Uma cidade completamente nova, com novos Pokémon e pessoas para conhecer!

            - Espero que sim... – murmurou Hop, tentando esconder a tristeza que sentia no momento. O resultado do seu primeiro combate ainda estava presente na sua mente.

            Minutos depois, o comboio começou a circular, abandonando o interior da Wedgehurst Station, e revelando o céu pintado pelas cores do pôr-do-sol daquele dia. Mais um que chegava ao fim.

            Os três treinadores encostaram-se nos bancos, aproveitando para relaxar com aquela magnífica paisagem como fundo. Mesmo no meio de todo o ruído presente no interior do comboio, aquele era o momento ideal para se desligarem do mundo exterior. Ao mesmo tempo, o expresso continuava a circular a alta velocidade pelos caminhos de ferro, fazendo com que as novas aventuras ficassem cada vez mais perto dos jovens aventureiros.

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