Posted by : Angie Jun 13, 2020


                Um novo dia começava na simpática aldeia de Postwick. Os primeiros raios de sol daquela manhã brilhavam no céu, iluminando as ruas da pequena civilização.

            Victor, Gloria e Hop, acompanhados pelos seus respetivos pais, já se encontravam na saída da aldeia. Leon já não se encontrava presente. O seu cargo de Campeão de Galar exigia que se deslocasse para diferentes locais da região, para resolver problemas, certamente, mais importantes.

            Os treinadores despediam-se, uma última vez, das suas famílias e da aldeia que os vira crescer durante quinze anos. Postwick ficaria para trás, mas as memórias que os três ali viveram nunca seriam esquecidas.

            - Tenho algumas Poké Balls para cada um de vocês. – disse a senhora Walter, entregando cinco cápsulas a cada um dos jovens. – Espero que capturem fantásticos Pokémon e conheçam pessoas magníficas. – sorriu.

            Victor e Gloria abraçaram a sua mãe. Por mais que lhes custasse deixarem a senhora sozinha, eles sabiam que era isso que ela desejava mais que tudo. Ver os seus filhos crescerem e tornarem-se fantásticos adultos era um milagre que ela podia testemunhar orgulhosamente.

            Por sua vez, Hop era abraçado pelos seus progenitores. Apesar de não ser a primeira vez que o casal Bennett via um filho seu sair numa jornada Pokémon, aquela era a primeira vez que eles ficariam apenas com a companhia um do outro. Independentemente de terem o seu rebanho Wooloo para cuidar, seria estranho não ter o Bennett mais novo presente.

            Despedidas feitas, e algumas lágrimas derramadas, o trio iniciou a sua caminhada, deixando Postwick para trás e dando início à sua, tão aguardada, jornada Pokémon.

            A Route 1 era uma pequena rota que ligava Postwick com Wedgehurst. Existiam várias árvores e montinhos de erva por todo o local, onde podiam ser encontrados alguns Pokémon selvagens que, livremente, aproveitavam, ao máximo, a natureza do local.

            Naquele momento, Victor, Gloria e Hop caminhavam calmamente pelo caminho de terra traçado para o percurso dos humanos. O tempo estava ameno e o trio observava o local ao seu redor, com um brilho curioso no olhar. Eles já tinham passado por ali antes, mas agora tudo era diferente. Afinal, agora estavam na sua própria aventura. Tudo era novo.

            - Cuidado! – gritou Gloria.

            Concentrados no seu percurso, nenhum dos jovens reparou num Pokémon que se aproximava do grupo a toda a velocidade. Um pequeno pássaro voava na direção dos treinadores, preparando-se para atacar qualquer um que se colocasse à frente do seu caminho. Graças ao aviso prévio de Gloria, os três conseguiram esquivar-se a tempo, mas a criatura voadora parecia pronta para uma verdadeira disputa.

            A parte superior do corpo do Pokémon era formada por penas azuis, enquanto a parte inferior era colorida de amarelo. Já o seu rosto, era constituído por penas pretas que se assemelhavam a uma máscara. O bico e as patas eram cinzentas, enquanto os seus olhos encarnados observavam atentamente o trio de jovens, que o encarava surpreendido.


            Gloria e Hop pareciam demasiado abalados pela tentativa de ataque para agir, no entanto, Victor colocou as suas intensas sessões de leitura em prática. A primeira coisa a fazer numa situação como aquela, era conhecer o adversário. Dessa maneira, o treinador retirou o seu Rotom Phone da mochila e apontou-o à criatura voadora, deixando que o Pokédex fizesse o resto do trabalho.

            - Rookidee, um Pokémon Flying-Type. – disse o objeto. – A coragem e determinação deste pequeno pássaro permite que desafie qualquer adversário que se atravesse no seu caminho. Por ser um Pokémon tão astuto, consegue aprender até com a maior derrota.

            - Não podes atacar pessoas dessa maneira! – gritou Hop chateado.

            O olhar de Rookidee focou na figura do moreno, que sentiu o seu corpo estremecer rapidamente. O seu tom ríspido chamara a atenção da criatura e agora ele era o seu novo alvo. Rookidee mergulhou no ar, em direção a Hop, preparando-se para atacar com Peck.

            - Depressa Sobble! – Victor lançou a Poké Ball do seu Pokémon ao ar, deixando que este aparecesse no meio do local. – Usa Pound para proteger o Hop!

            O pequeno lagarto não demorou para seguir as indicações do seu treinador, saltando na direção do Rookidee e fazendo com que a sua trajetória se alterasse. Agora, Sobble era o novo adversário do pequeno pássaro, que analisava atentamente a sua figura, ameaçando-o com Leer.

            - Diminuíres a nossa defesa não te vai adiantar de nada… - murmurou Victor, atento a cada movimento do adversário. – Ataca com Pound, mais uma vez!

            Sobble voltou a saltar na direção de Rookidee, mas este fora mais rápido, contra-atacando com Peck, e lançando Sobble contra o chão de terra do local. Victor estremeceu com a agilidade do adversário, mas suspirou de alívio por ver que o seu Pokémon continuava saudável.

            - És rápido e inteligente… - dizia, voltando-se para o pássaro. – Quero capturar-te! – exclamou.

            - O quê?! – Gloria parecia surpreendida.

            - Vais capturar esse pássaro maluco?! – Hop estava igualmente surpreso.

            - Primeiro, preciso de o enfraquecer. – lembrou o rapaz. – Sobble, ataca-o!

            O lagarto aquático assentiu ao pedido do treinador e disparou um jato de água na direção do adversário. Water Gun era o nome do novo ataque de Sobble, que atingiu Rookidee em cheio, fazendo com que este caísse no chão com as suas asas molhadas.

            - Uma nova técnica! – exclamou Victor, recebendo exclamações de alegria de Sobble. – Agora, ataca uma última vez com Pound!

            Aproveitando a fraqueza do adversário, o Pokémon aquático saiu disparado na sua direção, atacando-o novamente. Rookidee já estava demasiado ferido para contra-atacar e aquele era o momento perfeito para Victor concluir a sua captura. Retirou uma Poké Ball vazia da sua mochila e lançou-a na direção do pequeno pássaro, que se transformou numa luz brilhante, sendo posteriormente sugado para o interior do objeto esférico. Depois da cápsula vibrar uma, duas e três vezes, a captura estava finalmente terminada. Victor permaneceu imóvel a observar o objeto no chão. Não conseguia acreditar que capturara o seu primeiro Pokémon.

            - Conseguiste! – celebrou Gloria.

            - Consegui… - repetiu o rapaz, incrédulo.

            - Fantástico! – exclamou Hop. – Um novo companheiro!

            Victor aproximou-se da Poké Ball, caída no chão, e Sobble, que o observava em silêncio. O rapaz pegou na esfera e piscou várias vezes os seus olhos. Uma estranha sensação tomou conta do seu corpo. Algo que ele nunca sentira anteriormente. Ele não sabia o que era realmente, mas encontrava-se entre o conceito de felicidade e orgulho. Agora tinha dois companheiros de viagem. E isso fê-lo sorrir como nunca.

            - Muito obrigado pela ajuda, Sobble. – disse, antes de voltar a colocar o Pokémon no interior da sua devida Poké Ball.

            - Bem, parece que estou em desvantagem… - apontou Gloria, enquanto Victor se voltava a aproximar do grupo. – Cada um de vocês já tem dois Pokémon, apenas eu tenho um ainda.

            - Isso é porque os rapazes são melhores. – provocou Hop.

            - Desculpa?! – protestou a rapariga. – Que comentário machista foi esse?!

            - Lá vamos nós… - sussurrou Victor, antes dos outros dois começarem a discutir.

• • •

            Já passava da hora de almoço. Naquele momento, o trio atravessava a ponte que ligava a Route 1 a Wedgehurst, o seu próximo destino. A água do rio corria a um ritmo normal, servindo como som de fundo para a simpática aldeia que agora recebia Victor, Gloria e Hop.

            Wedgehurst era um local relativamente maior que Postwick. As calçadas das ruas eram compostas por pedras de cor salmão e decoradas com vários vasos floridos ou simples arbustos verdes. Altos candeeiros erguiam-se na beira das estradas, de maneira a iluminar o caminho, sempre que fosse necessário. Por sua vez, os edifícios da civilização obedeciam a um esquema de cores comandado pelo rosa e púrpura, unificando ainda mais a população. Apenas um edifício se distinguia dos restantes.



            À entrada da cidade podia ser observado um grande imóvel de paredes castanhas e um telhado escuro. As janelas de vidro eram enormes, revelando um pouco do que se passava no interior daquele estabelecimento. No centro do edifício, uma grande torre com um relógio no topo marcava as horas. Aquela era a Wedgehurst Station, de onde partiam e chegavam comboios para toda a região de Galar.

            Os três jovens caminhavam calmamente pelas ruas da cidade, procurando alguma indicação que os pudesse conduzir até ao Pokémon Research Lab, onde esperavam poder encontrar a Professora Magnolia. Momentos depois, Victor indicou uma placa que apontava na direção este da civilização.

            Não tardou para que o trio se aproximasse do grande edifício cor de rosa, com uma grande Poké Ball desenhada na sua entrada. A parte exterior do laboratório era decorada por várias árvores e canteiros floridos, que certamente serviam de habitat para diferentes Pokémon. Victor admirava a arquitetura do edifício, enquanto Gloria observava alegremente as flores do jardim, e Hop se aproximava da grande porta de vidro, que dava entrada para o laboratório. Depois do moreno tocar à campainha do estabelecimento, os dois gémeos juntaram-se a ele, aguardando que alguém lhes abrisse a porta.

            Momentos depois, uma jovem rapariga apareceu na entrada do laboratório, abrindo a grande porta de vidro e esboçando um simpático sorriso para o trio treinador. A sua pele era clara e o vestuário era composto por peças em diferentes tons de verde: a sua blusa e botas eram mais escuras, enquanto as calças eram mais claras. Por cima, vestia um casaco amarelo, que combinava com o seu cabelo comprido e laranja.


            - Olá! – disse alegremente. – Em que vos posso ajudar?

            - Olá. – respondeu Hop. – Nós somos Treinadores Pokémon e gostaríamos de falar com a Professora Magnolia, por favor.

            - Lamento… - murmurou a rapariga, um pouco atrapalhada. – Mas a minha avó não está presente neste momento. Sabem, como a idade já começa a pesar ela costuma fazer as suas investigações diretamente de casa e normalmente sou eu que venho trabalhar para o laboratório. – explicou.

            - A tua avó? – repetiu Gloria.

            - Espera, tu és neta da Professora Magnolia? – questionou Victor.

            - Exatamente. – sorriu ela. – O meu nome é Sonia, prazer.

            - Então… tu eras aquela amiga do meu irmão que depois desistiu do Gym Challenge? – Hop parecia confuso, mas curioso ao mesmo tempo, assim como os dois gémeos.

            - O teu irmão? – Sonia parou um pouco para pensar. – Ah! Leon! – exclamou, fazendo com que as suas bochechas corassem ligeiramente. – Bem me parecia que o teu rosto me fazia lembrar alguém. – murmurou. – Sim, sou eu mesma.

            - Interessante. – pensou Victor.

            - Porque não entram por um pouco? – convidou a jovem amigavelmente. – Podemos conversar todos e talvez eu vos possa ajudar.

            O trio aceitou o convite e juntos entraram para o interior do laboratório. A receção era uma área bastante limpa e arrumada, decorada com elementos simples e minimalistas. A sala que se localizava logo a seguir, no entanto, era completamente diferente. As suas altas paredes eram preenchidas por prateleiras gigantes e infinitas, cheias de livros sobre os mais variados temas. Aquela divisão parecia uma biblioteca gigante, onde vários cientistas e exploradores se reuniam para estudar e pesquisar o Mundo Pokémon. Ali, todos os presentes deveriam estar em silêncio para não atrapalharem o trabalho dos outros.

            Sonia conduziu o grupo para uma última sala que, por sinal, era o seu escritório pessoal. O local era decorado por vários quadros coloridos, plantas verdejantes e um sofá amarelo cheio de almofadas de várias cores. Ali também existia uma secretária cheia de papéis e canetas, assim como prateleiras ocupadas por diferentes materiais de pesquisa. O escritório de Sonia parecia revelar um pouco a sua personalidade: jovem, divertida e desarrumada, mas prática ao mesmo tempo.

            - Por favor, sentem-se. – disse, fechando a porta atrás de si e apontando para o sofá gigante. – Estejam à vontade.

            Os três jovens pousaram os seus pertences e sentaram-se no sofá do escritório. Depois de caminharem durante várias horas, poder descansar um pouco era algo que eles ansiavam. Victor e Hop observavam o escritório com atenção, enquanto o olhar de Gloria pousava sobre uma das flores da divisão, que se parecia mexer calmamente. A rapariga surpreendeu-se quando, segundos depois, reparou que, de facto, a flor se tratava de um Pokémon que descansava junto à janela do escritório.

            O Pokémon quadrupede apresentava um corpo de pele verde-marinha com algumas manchas mais escuras. O seu focinho achatado revelava uma grande boca com duas mandíbulas pontiagudas e dois olhos encarnados, e, no topo da sua cabeça, encontravam-se duas orelhas pontiagudas. O grande botão rosa que carregava nas suas costas parecia alimentar-se da luz solar que apanhava através da janela.



            - O que é aquilo? – sussurrou Gloria, apontando o seu Pokédex na direção da criatura.

            - Ivysaur, um Pokémon Grass-Type e Poison-Type. A forma evoluída de Bulbasaur alimenta a sua flor através dos nutrientes dos raios solares até que esta floresça finalmente. – disse o aparelho.

            - É o meu companheiro. – sorriu Sonia. – O meu Pokémon Inicial, desde que decidi sair numa jornada por Galar.

            - Quando partiste numa viagem com o meu irmão. – reformulou Hop.

            - Com ele e com o Raihan, sim. – confirmou a jovem. – Em conjunto, recebemos os nossos primeiros Pokémon do Presidente Rose, com certeza sabem quem ele é.

            - Tu escolheste um Bulbasaur e o Leon um Charmander. – disse Victor.

            - E o Raihan ficou com um Squirtle. – sorriu. – Os nossos Pokémon Iniciais vieram diretamente de Kanto. Foi um presente de Rose, que nos felicitou pelos nossos bons resultados académicos. Muito simpático da parte dele, por sinal.

            - Mas tu desististe do Gym Challengue? – questionou Gloria curiosa.

            - Desisti, sim. – confirmou a jovem. – E não me arrependo.

            - Porquê? – agora era Victor quem perguntava.

            - Simplesmente não era para mim. – explicou, encolhendo os ombros.

            - Foi por isso que te afastaste do meu irmão?

            Fez-se silêncio na sala. Hop observava o rosto de Sonia, que agora estava voltado para o chão do escritório.

            - Aconteceram coisas que não se podem mudar. – respondeu de forma vaga. – Eu e o Leon tínhamos personalidades e objetivos distintos.

            Um silêncio constrangedor voltou a invadir a divisão e nenhum dos presentes sabia o que fazer para dar a volta à situação. Hop parecia estar na defensiva, dada a relação complicada que Sonia apresentava com o seu irmão. Por outro lado, Victor e Gloria sentiam-se arrastados para aquela situação desnecessária e gostariam de conhecer melhor aquela simpática rapariga.

            - Bem, nós estávamos à procura da Professora Magnolia porque precisávamos que ela nos ajudasse com algo que nós encontrámos. – falou o gémeo finalmente, retirando a sua Wishing Star do interior da mochila. – Sabes o que é isto?

            - Oh. – exclamou a jovem, observando a pedra brilhante. – Sei sim. Mas, infelizmente, não tenho meios para vos ajudar.

            - Mas tu não trabalhas aqui? – questionou Hop confuso.

            - Sim, trabalho. Mas a minha função não é fazer Dynamax Bands. – disse, deixando escapar um riso. – Por enquanto, sou apenas assistente da Professora Magnolia. O meu trabalho é estudar e investigar fenómenos ligados aos Pokémon. Pode-se dizer que sou uma pequena investigadora, não cientista ou professora. – explicou orgulhosa.

            - Interessante! – exclamou Gloria admirada. – O que fazes exatamente?

            - Muitas vezes observo espécies Pokémon diferentes. Outras vezes, analiso estudos e textos elaborados por outros investigadores. É tudo uma questão de perspetiva. – dizia, enquanto remexia nuns papéis que tinha sob a sua secretária. – Mas eu adoro o meu trabalho. Dá-me liberdade para viajar e visitar novos locais.

            - Uau… - a gémea parecia espantada.

            - Mas e então, quem é que nos pode ajudar com estas Wishing Stars? – voltou a perguntar Hop.

            - A minha avó, precisamente. Podem encontra-la na sua casa, que fica no final da Route 2. – respondeu Sonia.

            - Devíamos ir andando, então. – murmurou Victor, levantando-se do sofá.

            - Não acho que seja uma boa ideia. – disparou Sonia, olhando através da janela. – O sol põe-se não tarda. E vocês não deviam andar por aí à noite, em rotas desconhecidas com Pokémon selvagens.

            - Talvez ela tenha razão… - murmurou Gloria.

            - Porque não ficam por Wedgehurst? – propôs a rapariga. – Posso mostra-vos a cidade e podemos ficar todos alojados no Pokémon Center durante esta noite. Amanhã de manhã podemos partir todos juntos para a Route 2. Eu tenho coisas para levar à minha avó também. – sugeriu de forma animada.

            - Eu adoro a ideia! – exclamou Gloria, animada por ter uma companhia feminina.

            - A mim também me parece bem. – concordou Victor sorridente.

            - Como queiram… - murmurou Hop, encolhendo os ombros e tentando esconder o pouco entusiasmo que sentia.

• • •

            Os candeeiros de Wedgehurst iluminavam agora as ruas noturnas da cidade, uma vez que o sol já se tinha escondido atrás das montanhas de Galar.

            Naquele momento, Victor e Hop caminhavam na direção do Pokémon Center, acompanhados por Gloria e Sonia que, atrás deles, carregavam sacos de compras da Boutique da cidade. As duas raparigas estavam tão distraídas na sua animada conversa que nem repararam quando entraram no grande edifício hospitalar.

            O interior do Pokémon Center era decorado com sofás e cadeiras confortáveis onde os treinadores podiam descansar das suas viagens. As cores quentes do local criavam uma atmosfera mais cómoda e agradável para todos os presentes. No piso inferior do estabelecimento, três diferentes balcões estavam devidamente localizados e identificados. No balcão do centro, uma simpática enfermeira recebia os Pokémon dos treinadores, prestando-lhes os cuidados de saúde necessários. Do lado direito, um homem vendia vários produtos Pokémon, naquele que era conhecido como Poké Mart. Do lado esquerdo do estabelecimento encontrava-se a cafetaria, onde os viajantes podiam alimentar-se devidamente.

            - Os quartos encontram-se no segundo andar. – explicou Sonia, apontando para umas escadas que davam acesso ao piso superior. – Vamos falar com a Enfermeira Joy, ela pode cuidar dos nossos Pokémon durante a noite, enquanto nós descansamos também. – sugeriu.

            A jovem saiu na frente do grupo, cumprimentando a enfermeira de serviço naquele momento.

            - Boa noite, treinadores. – saudou ela sorridente. – Posso fazer alguma coisa por vocês?

            - Gostaríamos de deixar os nossos Pokémon a descansar durante a noite, se fosse possível. – Victor pediu educadamente.

            - Claro que sim. – ela aceitou sorridente, recebendo as Poké Balls dos quatro jovens.

            - E também queremos alugar um quarto com quatro camas, por favor. – pediu Sonia.

            - Certo… - a mulher conferiu a tabela de quartos disponíveis no seu computador e logo a seguir entregou uma chave à jovem. – Aqui têm.

            Os quatro agradeceram a gentileza da enfermeira e juntos dirigiram-se para a escadaria, subindo para o segundo andar do Pokémon Center. Tratava-se um grande corredor com um gigante tapete encarnado no chão e várias portas, cada uma identificada por um número diferente, que davam entrada para os diferentes quartos do estabelecimento. Depois de encontrarem a porta do quarto alugado por Sonia, o grupo abriu a porta, encontrando um grande cómodo com uma decoração minimalista, mas elegante. Quatro camas estavam espalhadas pela divisão e outra porta dava passagem para a casa de banho privativa.

            Cada um ocupou uma cama, pousando os seus devidos pertences no chão do quarto. Victor e Hop deixaram-se cair sobre os colchões confortáveis, enquanto Gloria remexia nos sacos de compras da Boutique e Sonia olhava em volta atentamente.

            - Estou tão cansado... – murmurou o gémeo.

            - Primeiro dia de jornada concluído. – disse Hop, deixando escapar um suspiro de cansaço.

            - Fraquinhos! – brincou Gloria, deixando-se rir.

            - Vocês são bem divertidos. – comentou Sonia, remexendo na sua mala. – Mas eu preciso de tomar um duche para relaxar. – disse, arrastando o seu corpo até à casa de banho e fechando a porta atrás de si.

            - Quem é que ela pensa que é? – sussurrou Hop, num volume demasiado baixo para que a jovem não pudesse ouvir na outra divisão.

            - O quê? – Victor não percebia o que o amigo queria dizer.

            - Lá por ser a neta da Professora Magnolia não quer dizer que seja nossa amiga! – protestou.

            - Estás a falar da Sonia?! – Gloria parecia surpreendida. – Como é que tu podes dizer uma coisa dessas? Ela tem sido tão simpática e querida connosco!

            - Eu não gosto dela. – ripostou o moreno, cruzando os braços à frente do peito.

            - Mas ela não fez nada de mal… - murmurou o outro rapaz.

            - Hop, não é pela Sonia e o Leon não serem amigos que tu não podes ser amigo dela. Sabes disso, certo? – Gloria sentou-se à beira da sua cama, observando o rosto do amigo.

            - Ela abandonou o meu irmão! – exclamou.

            - Eles tiverem os seus problemas! – defendeu a rapariga. – E nem tu nem ninguém tem nada a ver com isso. É um assunto que só a eles diz respeito. – afirmou calmamente. – E enquanto a Sonia estiver presente, eu agradeço que a trates com a devida simpatia.

            - Agora és minha mãe?! – refilou o moreno.

            - Se tiver que ser, sim.

            Gloria virou costas ao rapaz e voltou a arrumar as suas coisas em silêncio. Ela não podia permitir que a sua nova amiga fosse discriminada daquela forma. Hop, deitado sobre a sua cama, deixou a cabeça cair na almofada confortável, tentando afastar aqueles pensamentos confusos da sua cabeça. Por sua vez, Victor observava aquela cena sem dizer nada. Logo no primeiro dia de viagem dos três amigos, a tensão aumentara. O rapaz questionava-se se os três seriam realmente capazes de aguentar uma jornada completa na companhia uns dos outros. Afinal, a aventura ainda mal estava a começar.

  

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  1. Um ótimo capítulo, Angie!

    Temos muita informação e até com direito a captura! Rookidee será uma ótima adição ao team de Victor, já esse comentário do Hop foi bem infeiz, na real? Hop foi infeliz o capítulo inteiro. Depecionado total... Espero que melhore. ( Mas foi um trabalho incrível que você fez com o personagem )

    Quanto a Sonia, achei ela incrivel, ao ver que ela possui a linha evolutiva de bulbasaur me pergunto se o Raihan possui o Squirte e sua forma final ou inicial, já que ele acabou se especializando no tipo Dragão E NOVAMENTE O HOP SENDO INFELIZ.

    Capitulo maravilhoso e estou curioso para saber mais essa relação da Sonia com Leon ~rs

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    1. Como o Welfie disse, temos a primeira captura oficial neste capítulo. Rookidee junta-se, a partir de agora, ao grupo de Victor e sem dúvida será um ótimo trunfo no futuro.

      Hop, Hop, Hop. O que dizer sobre ele? Acho que é aos poucos que se vão conhecendo os personagens, não é mesmo? Até então, só o tínhamos visto nos capítulos 2 e 3, no ambiente de Postwick, o seu "habitat natural". Mas como será que ele irá se comportar daqui em diante? Com novos meios, novos locais e pessoas diferentes? Certamente, os seus comentários um tanto machistas e provocadores, neste capítulo, irão ter repercussões em breve. Mas, felizmente, temos Gloria para lhe fazer frente, não é verdade?

      Eu tenho que admitir que adoro a personagem da Sonia e adoro escrever cenas onde ela está presente. Sinto que é uma personagem com uma energia diferente de todas as outras, uma rapariga destemida e corajosa. E, pouco a pouco, isso vai começar a ser cada vez mais nítido. É verdade, sim! Sonia tem um Ivysaur.

      Então e... qual será a forma evolutiva de Squirtle que Raihan tem consigo? E porque motivo ele se especializou em Pokémon Dragon-Type?

      Fico contente que continue a acompanhar a história desse lado, companheiro. Obrigado ler e comentar, até à próxima!

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  2. AAAAA Capitulo otimo! Adorei mais uma vez este inicio de jornada. Continue!

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    1. Muito obrigado pelo feedback, Shiny! Fico muito feliz que esteja a gostar da história!

      Até ao próximo capítulo!

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