Posted by : Angie Jan 25, 2020


            O céu estava negro e o vento soprava sem descanso. As grossas gotas de chuva faziam-se acompanhar por fortes relâmpagos que resgavam o horizonte. A região de Galar estava mergulhada numa tempestade que chegara para ficar. Mas esta não era uma tempestade qualquer. Esta era a verdadeira tempestade que todos temiam.

            Nas ruas das cidades e aldeias do território Galarian, as populações sofriam com as dramáticas consequências que as alterações climáticas provocavam. As casas de pedra, construídas à mão pelas famílias mais pobres, desmoronavam-se, deixando milhares de camponeses e operários sem abrigo. Até mesmo as famílias mais ricas do reino eram afetadas pela catástrofe. Nas cidades mais desenvolvidas, as doenças começavam a espalhar-se por toda a população, os remédios caseiros não chegavam para toda a gente e os alimentos começavam a faltar. Já nem a água era boa para consumo.

            Mas o que tornava esta tempestade realmente única era o efeito que provocava nas criaturas selvagens, conhecidas como Pokémon. O comportamento destes seres alterara-se completamente com o repentino surgimento desta tempestade. Os seus corpos aumentavam de tamanho radicalmente e as suas personalidades eram alteradas para um temperamento violento e de destruição total.

            O verdadeiro pânico instalou-se quando os Pokémon gigantes começaram a chegar às civilizações, invadindo aldeias e cidades, destruindo tudo o que surgia à sua frente e atacando humanos inocentes. Ninguém os conseguia deter, ou sequer acalmar. De uma certa forma, estavam cegos. Parecia que eram controlados por uma força maior.

            Nem Hammerlocke, a cidade régia de Galar, onde se localizava a Corte onde a família real habitava, escapava à temível tempestade. Muito pelo contrário, parecia ser o verdadeiro centro da mesma. As consequências climáticas pareciam agravar-se naquela cidade, tal como o efeito provocado nos Pokémon gigantes, que se começavam a agrupar ao redor dos muros que protegiam o palácio real, ameaçando um possível ataque à corte.

            Era ali, em Hammerlocke, que uma misteriosa luz vermelha surgira desde o início da tempestade. Ninguém sabia de onde vinha ou como aparecera ali, mas, naquele momento, todos os membros da Corte se reuniam na sala de reuniões para uma concentração de emergência.

            A grande sala retangular, revestida de pedra, era iluminada por tochas e velas penduradas ao longo das paredes. Uma comprida mesa de madeira encontrava-se no centro da divisão, rodeada por cadeiras do mesmo material e revestidas com almofadas confortáveis. Aqueles que se sentavam ao redor da mesa eram iluminados por uma grande vela que se encontrava sob a mesma. Eram trabalhadores da Corte, conselheiros, guardas, militares, ou cientistas, que aguardavam atentamente pelas palavras sábias dos reis de Galar, que se sentavam confortavelmente nos seus tronos, revestidos pelos melhores materiais produzidos na região.

            Um homem moreno sentava-se no trono do lado direito. As suas longas vestes eram luxuosas, porém simples, assim como ele, cujo objetivo era manter o seu reino em segurança. A mulher, sentada sobre o trono da esquerda, deixava que os seus longos fios de cabelo castanhos caíssem pelos seus ombros. O vestido exuberante parecia esconder a forte personalidade da rainha de Galar, que se dizia defensora do seu povo.

            Os dois irmãos permaneciam em silêncio, encarando a grande janela, do outro lado da sala, que dava vista para o exterior. A escuridão que assombrava a luz do dia escondia o terror que se passava nas ruas do reino.

            - Alguém me é capaz de explicar o que se está a passar? – o rei remexeu-se no trono, encarando seriamente a mesa à sua frente.

            - O reino de Galar encontra-se debaixo de uma severa tempestade, vossa majestade. – afirmou um homem, com um manuscrito e uma pena na mão. – No entanto, e segundo os meus humildes estudos científicos, esta é uma tempestade bastante singular.

            - Como assim? – questionou a rainha severamente atenta.

            - Não há quaisquer registos de uma tempestade como esta anteriormente. Em nenhuma parte do mundo. – explicou o cientista. – Não sabemos realmente com o que estamos a lidar. Toda esta escuridão que invadiu a atmosfera é, realmente, incomum. É suposto ser dia, não noite. Os ventos fortes que registámos, acompanhados de toda a chuva e trovoada que continua até então, apresentam-se num ritmo que não é natural. Tal como não é, de todo, natural, as criaturas Pokémon terem a sua fisionomia e comportamento alterados. – referia, enquanto passava os olhos pelo manuscrito na sua mão. – É humanamente impossível explicar o fenómeno que estamos a testemunhar.

            A rainha estremeceu, deixando escapar um suspiro entre os lábios. O homem, ao seu lado, observou-a com atenção, colocando a mão sobre a da sua irmã.

            - O que podemos fazer? – questionou a rainha, visivelmente alarmada. – O nosso povo não pode ser abandonado nas ruas. Precisamos de proteger toda a gente!

            - As nossas cidades e aldeias continuam a ser destruídas neste exato momento. – falou um dos conselheiros. – A cada minuto que passa, famílias são deixadas na rua. Atacadas por Pokémon gigantes e incontroláveis. Precisamos de os resgatar.

            - O Palácio Real não tem condições para receber a população inteira de Galar. – contrapôs outro conselheiro.

            - Terá de ter. – interrompeu a mulher, levantando-se do seu trono.

            - Sordward, o que estás a fazer? – o rei surpreendeu-se com o gesto da mulher.

            - Irmão, não podemos continuar aqui sentados como se nada fosse! – exclamou, expressando o seu desagrado pela situação. – Olha o que está a acontecer ao nosso reino, ao nosso povo! Os nossos pais não morreram a lutar para a nossa história acabar assim, Shielbert.

            - O que devemos fazer, então?

            - Resgatar todas as pessoas. Trazê-las para aqui. – respondeu prontamente. – Temos uma Corte inteira onde podemos garantir a segurança dos civis. Não nos podemos limitar apenas ao Palácio Real.

            - Vossa alteza, devo lembrá-la que a Corte é um local sagrado e que não serve como dormitório?

            - Devo relembrá-lo que são as pessoas lá fora que fazem o reino andar para a frente? Sem eles não faz sentido haver sequer uma corte real, senhor conselheiro. – respondeu Sordward impaciente, fazendo com que o homem se calasse de imediato.

            - A minha irmã tem razão. Usaremos os muros que cercam a Corte para nos proteger a nós e a todos os civis dos Pokémon gigantes lá fora. – concordou Shielbert, voltando-se para a rainha. – Não podemos denegrir a imagem da primeira geração monárquica de Galar.

            - Como iremos realizar esses resgates, vossas altezas? – perguntou o chefe do exército Galarian.

            - Repartiremos os nossos homens em vários grupos. Enviaremos um grupo para cada localidade, ao longo do nosso reino. A missão é ir e voltar sem grande demora. – explicou o rei.

            - Temo que isso seja tecnicamente impossível, tendo em conta as condições em que nos encontramos. Não temos meios de transporte e as nossas armas não me parecem suficientes para enfrentar Pokémon de tamanho absurdo. – explicou.

            - De qualquer das maneiras, os Pokémon já começaram a cercar os muros da Corte. Como iremos sair e voltar a entrar com eles tão perto? – pensava outro dos presentes em torno da mesa.

            - E aquela luz vermelha que surgiu na cidade desde o início da tempestade? – questionava mais um dos conselheiros. – Porque é que ninguém ainda falou disso?

            Sordward I e Shielbert I entreolharam-se. O rei e a rainha de Galar encontravam-se diante do maior obstáculo da história do seu reino. Por um lado, podiam ir à luta e defender o seu povo, por outro, podiam deitar tudo a perder num instante. Os dois irmãos comunicavam entre si, unicamente, através do olhar. Era como se mais ninguém se encontrasse naquela sala. O poder encontrava-se repartido entre os dois, portanto, a última escolha seria comandada por eles.

            Antes mesmo de anunciarem a decisão aos outros presentes, a grande janela da divisão quebrou-se, espalhando os vidros por todo o lado e instalando o pânico imediato na sala. Todos os presentes se baixaram, à exceção de Sordward e Shielbert que permaneceram de pé, observando com atenção o cenário à sua volta.

            Uma grande criatura encontrava-se do lado exterior do palácio real, atacando, sem piedade, a estrutura que mantinha o reino de Galar unido. O seu corpo gigante assemelhava-se a um esqueleto de dragão, colorido em tons de vermelho e roxo. O seu rosto triangular não revelava nenhum tipo de expressão facial, era difícil perceber qualquer detalhe da sua fisionomia no meio de toda aquela escuridão. No entanto, um brilho cor de rosa emanava do interior do seu corpo.


            A criatura esvoaçava pelos céus enquanto rugia e lançava ataques em todas as direções, atacando qualquer um que se atravessasse no seu caminho. Os dois irmãos pareciam impressionados com aquele ser.

            - O que é isto?! – balbuciou Shielbert.

            - Vossas majestades, o que vamos fazer?! – gritava um dos homens, escondendo-se de baixo da mesa.

            - Vamos salvar o nosso reino! – exclamou Sordward.

            A rainha pegou na mão do seu irmão e começou a correr. Saíram daquela divisão e continuaram a corrida pelos gigantes corredores do Palácio Real. Apesar das suas vestes reais não serem as ideais para praticar exercício físico, a adrenalina que os dois sentiam parecia tomar conta dos seus corpos.

            - Qual é o plano? – perguntou o homem sem largar a mão da mulher.

            Sordward ignorou a pergunta do seu irmão. Parecia perdida nos seus pensamentos, enquanto continuava a correr pelo labirinto da Corte. Finalmente, parou em frente a uma grande porta de madeira e fez sinal ao seu irmão para que a ajudasse a abrir. Ao entrarem na divisão, os dois reconheceram de imediato aquele local.

            Encontravam-se no salão nobre, onde a família real, normalmente, se reunia e encontrava para desfrutarem de momentos de lazer juntos. Os dois irmãos tinham boas recordações daquele local. Lembravam-se de estar ali com os seus pais, ainda antes de serem conhecidos como a família real. Antes, eram apenas a família mais rica daquele território sem nome. Mas graças ao esforço de todos, Galar ergueu-se sobre uma monarquia.

            O espaço era decorado com sofás confortáveis, alcatifas de luxo e uma comprida mesa de madeira, onde a família se reunia para as refeições. Do outro lado do cómodo, uma grande porta de vidro dava entrada para a varanda real, onde, habitualmente, a família discursiva para a população do reino. No entanto, os irmãos focaram-se em dois elementos decorativos que permaneciam pendurados numa das paredes da divisão. Uma espada e um escudo de metal reluziam no meio da pouca luz que havia naquela sala.

            - Lembras-te da história que os pais nos contavam quando éramos crianças? – perguntou Sordward.

            - Eu pensava que isso era um simples conto… apenas um mito. – respondeu o irmão.

            - Eu quero acreditar que não. – estremeceu a mulher. – Se os verdadeiros Guardiões de Galar existem, eles deviam ajudar-nos agora. Não achas?

            - Estás disposta a testar essa teoria agora? No exato momento em que o nosso reino e o nosso povo estão a ser atacados? – contrapôs Shielbert.

            - É mesmo por esse motivo que temos de tentar! – insistiu a irmã. – Que mais opções temos? Desistir? Esperar que aquela criatura se canse de nos atacar? Isso nunca vai acontecer! Não podemos cruzar os braços. Há gente lá fora que precisa de nós. E sem eles nós não somos ninguém. Nós existimos para eles. É neste momento que os devemos defender.

            Shielbert refletiu por um instante. Por mais que ficar na defensiva fosse a sua zona de conforto, ele não podia deixar de concordar com a sua irmã. O seu povo precisava deles. Galar precisava de ser devidamente defendida.

            - Espero que tenhas razão.

            A mulher sorriu com a resposta do seu irmão e os dois retiraram, com cuidado, os artefactos da parede. Sordward segurava na espada de aço e Shielbert carregava o escudo do mesmo material.

            Com os dois itens em mão, os reis caminharam até à varanda exterior do salão nobre, onde deram de caras com o grande cenário de destruição que se apresentava à sua volta. A criatura gigante continuava a atacar a Corte real com os seus ataques impiedosos, destruindo parte do edifício. Ao mesmo tempo, vários Pokémon gigantes começavam a destruir o muro que protegia a Corte do reino. Vários guardas e soldados preparavam-se para enfrentar, corpo a corpo, as criaturas de tamanho exagerado.

            Parecia que, enquanto o tempo passava, a situação piorava cada vez mais. Mas nem Sordward ou Shielbert iriam permitir que isso continuasse a acontecer. Os dois irmãos entreolharam-se e, em conjunto, ergueram a espada e o escudo no ar, gritando numa só voz:

            - Pelo poder da espada e pelo poder do escudo! Os Guardiões de Galar unem-se para combater o mal!

            As palavras mágicas lançadas pelos legítimos reis Galarian provocaram um feixe de luz que, em apenas um segundo, iluminou a escuridão da tempestade. A ajuda estava a caminho. O fim estava próximo.

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  1. EU PERDI O COMENTÁRIO!!! Bem na hora que iria postar acabei por clicar errado e a pagina deu F5, nem imagina a frustração!! Vou tentar reescrever alguns pontos, a começar que você finalmente chegou com a história principal!! Podemos dizer que Aventuras em Galar começaram agora de verdade!!

    O prólogo comecar logo em Darkest Day uma supresa, eu logo identifiquei pelo clima pesado e de chuva com que estavas a escrever e foi então ao ver o rei e a rainha e os pokemon tendo trecos que vi qur a minha teoria estava certa!!

    Amei a personalidade da rainha! Brave! Admito que nas primeiras linhas estranhei o fato de estar citado irmão e irmã, mas logo me apercebi e faz todo o sentido! Era badtante comum na idade media esse tipo de "relação" afim de manter a linhagem "pura", esses pequenos detalhes deixam a vistoria muuuito rica e fazendo sentido se comparada à vida real.

    No início com todo o debate achei que eles fossem realmente ignorar o povo e deixa-los para morrer, mas novamente, a nossa rainha (que já considero pacas) tomou a iniciativa! Foi sem dúvida um ótimo começo!

    Meus parabéns, estou ansioso para o seu próximo capítulo!

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    1. Oi companheiro!

      Opá, deve ter publicado o comentário no exato momento em que eu estava a dar umas atualizações no post, peço desculpa por isso! Mas sim, finalmente, damos início às Aventuras em Galar!

      Para mim não havia outra maneira sequer de dar início à história sem ser no meio do caos causado pelo Darkest Day. Serve para contextualizar o grande acontecimento da região de Galar, na altura ainda um reino, comandado pela família real.

      Sordward foi uma personagem que adorei criar. Uma mulher forte no poder, que tome conta da situação e proteja o seu povo. Quero muito criar personagens "justas" e "raras" como ela. Prepara-se que é apenas o inicio! Sobre essa questão dos dois reis serem irmãos, é bem verdade. Tentei ser subtil nesse tema, mas percebeu e ainda bem! Afinal, é nas entrelinhas que estão os verdadeiros detalhes.

      Sordward e Shielbert recorreram a uma história de infância que os seus pais costumavam contar. Com a ajuda dos instrumentos reais, uma espada e um escudo de metal, os dois irmãos depositam toda a sua esperança nestes "Guardiões" que nem eles reconhecem.

      Será que a ajuda chegou a tempo?

      Estou muito entusiasmado para partilhar consigo esta história e as minhas ideias. Mais uma vez, muito obrigado por continuar a acompanhar esta linda Galar!

      Vemos-nos por aí!

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  2. AEHOOO QUE O NEGÓCIO COMEÇOU BRAVO HASUAHSUAHS

    Yo Angie, tudo bem?
    Vou ser sincera, Galar foi a região que eu menos me animei para jogar, mas isso não significa que uma fanfic não possa mudar isso né?

    É a primeira vez que eu animo logo de cara no prólogo. Adoro o cenário medieval e toda essa parte de heroísmo e monarquia clássica, parece que eu consigo enxergar claramente o que está acontecendo rs

    E uau, um ataque de Pokémon gigantes, vou adorar saber qual a explicação de tudo isso ao decorrer da fic, no mais, eu fico torcendo que tenha ficado tudo bem com o Rei e a Rainha (que por sinal, adorei o lance dos nomes <3 )

    até mais Angie

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    1. Oi Star!

      Eu não posso concordar consigo. Eu continuo ansioso para jogar os novos jogos (até ao momento ainda não foi possível porque não tenho Switch), mas, na verdade, eu também sou suspeito. Acho que faz parte da própria investigação para a criação da história, mais isso resolve-se facilmente com gameplays no Youtube!

      O cenário medieval foi algo pelo qual eu me apaixonei enquanto escrevia, muito curiosamente. Sendo um aluno de história durante três anos, acho que o resultado ficou bastante interessante, especialmente tendo em conta o universo Pokémon.

      Honestamente, não sei se algum dia veremos a continuação desse prólogo, mas quem sabe? O passado permanecerá um mistério por algum tempo.

      Muito obrigado pelo comentário, Star! Kisses!

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