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Wild | Capítulo 10 - Notas do Autor
Olá
aventureiros!
Bem-vindos a “Wild”, uma magnífica
história onde um pequeno ser humano é acolhido por um grupo de Pokémon
selvagens que desafiam as barreiras da amizade e do amor.
Neste segmento mais informal, falo
sobre os temas de cada capítulo, revelo várias curiosidades e levanto algumas
suposições para o capítulo seguinte.
A grande decisão
Antes do
derradeiro final, o décimo aniversário de Wild foi celebrado com um enorme
banquete, preparado pela sua família e amigos. Com todo o elenco principal
reunido, é finalmente revelada a decisão do rapaz. Wild decide sair numa
jornada Pokémon por Galar e quer levar consigo Peter, como seu Pokémon inicial.
Confesso
que, para o público, talvez esta não seja uma decisão que os surpreenda assim
tanto, visto que é um tema que tem vindo a ser abordado nos últimos capítulos,
no entanto, para as personagens no interior da história é de facto
surpreendente e estranho ver Wild a tomar esta decisão. Principalmente para os
seus pais.
Como vimos
na segunda cena, George revela o seu verdadeiro ponto fraco: Wild. Não poder
estar lá para assegurar a segurança do seu filho é algo que deixa o Pokémon
inseguro. Pelo contrário, Susan parece estar disposto a dar esta oportunidade
ao rapaz, revelando uma postura madura como mãe.
O homem desconhecido e o seu
Hydreigon
O que
ninguém estava à espera aconteceu. Este foi o verdadeiro twist de toda a
história.
Um
helicóptero surge ao longe, um Hydreigon é lançado ao ar e um Hyper Beam
é direcionado à casa da família, destruindo-a por completo.
Depois de
algum tempo inconsciente, Wild acorda, descobrindo o seu lar destruído e a sua
família presa por um homem desconhecido vestido de negro.
É revelado
aos leitores que esta identidade desconhecida conhece toda a história de vida
de Wild, mas como é que ele sabe estas informações? Isso ainda é desconhecido
para toda a gente. Eventualmente, o homem faz um ultimato a Wild. A sua vida,
pela vida e segurança dos seus familiares e amigos Pokémon. E é claro, Wild,
com o seu coração de ouro, cede à chantagem e acaba por sacrificar a sua
própria vida para o bem-estar daqueles que ele ama.
Assim, a
história de 10 capítulos de “WILD” chega ao fim, com a morte do próprio
protagonista.
Explicações e esclarecimentos
Para alguns,
pode parecer um grande choque a forma como a história de Wild terminou, mas eu
já tinha isto planeado desde o primeiro capítulo! É verdade, eu sempre sonhei
em ter uma história onde acabaria por matar o próprio protagonista e aqui está
ele. Um objetivo de 2019 concluído!
Segundo,
consegui cumprir o meu objetivo e terminar, ainda em 2019, a história de Wild.
Desta maneira, em 2020, posso-me concentrar inteiramente no planeamento e
criação da história principal de Aventuras em Galar! Mais um objetivo de 2019
realizado!
Agora,
porquê matar Wild? É claro, podem argumentar que não era realmente necessário.
Mas eu queria acabar a sua história com um grande mistério. Algo que eu pudesse
levar para a história principal de Galar. E não, levar Wild, como treinador,
para a história de Aventuras em Galar esteve sempre fora dos meus planos. Isto
porque, relativamente a isso eu sempre fui muito cético e pensei “Vou usar
apenas personagens oficiais da franquia”. Visto que Wild é uma personagem
criada inteiramente por mim, ele não fazia parte desses planos. Mas não é por
isso que ele não será mencionado na história! Além disso, todo o mistério que
envolve a sua morte, e até o seu nascimento, irão ser esclarecidos,
eventualmente em Aventuras em Galar. Esperem para ver!
O paradeiro
das restantes personagens é, por agora, um mistério, mas talvez eles possam
voltar a ser vistos por aí. Quem sabe?
Resta-me
agradecer a todos aqueles que acompanharam a história e as aventuras de Wild do
início ao fim! Quero saber o que todos acharam, quer da história em geral, quer
deste final. Estão surpreendidos? Desiludidos? O que mudariam? Obrigado mais
uma vez, vemo-nos por aí!
Wild | Capítulo 10
Capítulo 10 - O destino quis que assim fosse
O sol
brilhava no céu limpo da Wild Area. Vários Pokémon aproveitavam o bom clima
para se divertirem no exterior, como era o caso de Susan, George, Tommy, Rory,
Peter, Nate e Carol, que se divertiam, de forma descontraída, no jardim da casa
da família.
No entanto,
o exterior da habitação estava decorado de uma maneira particular. Várias
decorações e efeitos de festa estavam pendurados pelo local, presos nos ramos
da árvore. Uma mesa de madeira, colocada ao comprido, continha várias taças de
diferentes espécies de Berries que podiam ser encontradas naquela área
da região. E, por último, uma espécie de púlpito, construído em pedra, estava
colocado em frente à grande mesa.
Aquele
banquete dava início a um dia muito importante e marcante para a família
Pokémon. Só faltava uma coisa, e, por sinal, a mais importante. Wild era a
razão daquela festa estar a ocorrer e o motivo pelo qual todas aquelas
criaturas de espécies variadas estavam ali presentes. Aquele não era só o seu
décimo aniversário como também a sua festa de despedida.
Alguns
momentos se passaram até a figura do rapaz atravessar, finalmente, a porta da
casa. Os Pokémon, que conversavam animadamente, fizeram silêncio enquanto Wild,
sem olhar para eles, caminhou até ao púlpito, onde abriu o envelope que
segurava nas suas mãos, retirando um conjunto de folhas manuscritas. O rapaz
encarou os papéis à sua frente, escritos por ele, e então começou.
- Obrigado a
todos por estarem aqui, neste dia tão especial. – começou, fazendo uma curta
pausa para, finalmente, observar atentamente todos os Pokémon presentes no
jardim à sua frente. – Hoje completo dez anos de vida! – gargalhou. – Tudo
graças a três Pokémon incríveis que me decidiram acolher no meio de uma
tempestade. Susan, George e Tommy, obrigado, do fundo do meu coração. – dizia,
tentando manter-se calmo. – Eu não sei o que vos passou pela cabeça naquele
dia, mas, a verdade é que agora estamos aqui reunidos graças a vocês. Desde
cedo associei a imagem de Susan a uma figura maternal, graças ao seu instinto
de proteção, e a de George ao lado paternal, devido a toda a segurança que me
transmitia. Já Tommy, sempre me pareceu como um irmão mais velho, alguém que eu
olhava e admirava com atenção. Foram eles os três que me forneceram um abrigo,
uma casa e, a cima de tudo, uma família. O meu pai sempre disse que não eramos
uma família muito convencional, mas eu nunca conheci outra realidade para além
desta. E, mesmo que eu saiba que aquela linda borboleta não me deu à luz, eu
sempre a vou considerar como uma mãe. E, se alguma vez conhecer realmente a
minha mãe biológica, eu vou lhe dizer que tu fizeste lindamente o papel dela. –
Wild sorriu e Susan limpava discretamente as lágrimas que lhe caíam pelo rosto.
– É claro que esta família não poderia estar completa sem a Rory, a minha irmã
mais nova, nascida de um ovo. Contigo aprendi que, não importa o tamanho, a
força ou a idade para enfrentarmos qualquer obstáculo ou desafio. Tudo o que
nós precisamos é ter força de vontade! – exclamou, recebendo uma gargalhada de
Wynaut, no meio do público. – A verdade é que os meus dez anos de vida também
contaram com a presença de vários amigos meus. O Peter foi, desde o primeiro
dia, o meu grande defensor e companheiro. Já perdi a conta de todas as
gargalhadas e artimanhas que fizemos juntos. Eu quero que todos saibam que
aquele pequenote ali ao fundo será sempre o meu melhor amigo! – exclamou o
rapaz, apontando para Bunnelby que saltitava de felicidade no meio dos outros
Pokémon. – Outra figura fundamental para o meu crescimento e evolução pessoal
foi o Nate, que começou como um adversário, quando me atacou e me deixou
marcado para o resto da vida. – disse, levantando a camisola e revelando a
cicatriz na sua barriga, ao mesmo tempo que todos os presentes se deixavam rir.
– Apesar desse pequeno acidente, Nate foi, sem dúvida, quem mais me
surpreendeu. Ouvir e conseguir perceber a sua história e ponto de vista foi um
desafio, mas, agora, tenho a certeza que és um de nós, amigo! – Galvantula
esboçou um sorriso envergonhado, como se estivesse a agradecer ao próprio
rapaz. – Por último, temos a Carol. – murmurou, sentindo as suas bochechas
aquecerem. – Vou ser honesto. Contigo senti algo que nem sequer sabia que
existia. Foi estranho, ao início, mas depois passou. Sei que, no fundo, és uma
grande amiga. E tenho a certeza que iremos ter mais oportunidades para nadar juntos
no teu lindo lago. – o rapaz e a Pokémon sorriram, encarando-se por alguns
segundos até Wild voltar a olhar para o papel que permanecia no púlpito. –
Vocês são, sem dúvida alguma, a minha família e é aqui, com vocês, que eu me
sinto seguro.
Uma onda de
saudações, exclamações e até algum choro invadiu o local. Susan e George
abraçavam-se, orgulhosos por terem criado um jovem rapaz tão admirável como
Wild. Tommy tentava permanecer sério, mas, no fundo, o Pokémon adorava o seu
irmãozinho. Assim como Wynaut, que, juntamente com Bunnelby, saltitava e
sorria, feliz por ver o menino crescer. Nate limpava algumas lágrimas,
agradecendo por todo o carinho e aceitação da parte da família, depois de tudo
o que ele fizera. Já Carol permanecia calma e serena, sem nunca retirar os
olhos da figura de Wild, que continuava no topo do púlpito. O rapaz parecia ter
algo mais a dizer.
- No
entanto, sei que tenho de continuar a crescer. Crescer à minha maneira. E não o
posso fazer aqui, com vocês à minha volta e sempre prontos para me proteger.
Quero ser independente, conhecer sítios novos, ver Pokémon diferentes e fazer
novos amigos! – exclamou, agora não olhando para o papel, mas sim para todas as
criaturas à sua frente. – É por isso que eu, depois de tanto refletir, decidi
que vou sair numa jornada Pokémon pela região de Galar.
Fez-se
silêncio absoluto. Todos os Pokémon se entreolharam, incluindo Susan e George,
que logo se voltaram para a figura do rapaz.
- O quê?! –
Butterfree parecia surpreendida.
- Mãe… tu
sabes que este dia iria chegar. Eu nunca escondi a minha vontade de sair numa
jornada.
- Mas tu
ainda és tão pequeno…
- Eu sei que
o consigo fazer. E eu posso voltar de vez em quando para vos visitar.
- Se é isso
que tu queres, então acho que o deves fazer. – murmurou Bewear, esboçando um
pequeno sorriso. – Tenho a certeza que analisaste bem a situação antes de tomar
uma decisão definitiva. A tua mãe só não está pronta para se despedir de ti, deves
entender isso, com certeza.
- Claro que
sim, pai. – assentiu. – Mas sei que estarás ao lado dela para a ajudar.
- Posso-te
emprestar alguns livros meus, se quiseres. Precisas de aprender a ganhar
estratégia de combate! – exclamou Abomasnow. – Tens o meu apoio, irmãozinho.
- Obrigado!
- Mas eu vou
ter saudades tuas… - disse Wynaut.
- O teu
irmão vai voltar para te visitar a ti e a todos nós, querida. – afirmava
Milotic, que deslizou pelo chão do jardim de forma a aproximar-se do corpo da
pequena Pokémon para a confortar.
- Tenho a
certeza que ele vai ter saudades nossas! – riu Nate. – Até das nossas disputas.
- Espera lá.
– disse Susan. – Se vais sair numa jornada, precisas de um Pokémon. Não podes
andar por aí sozinho!
- Um Pokémon
inicial. – explicou Tommy. – A mãe tem razão.
- Eu sei. –
concordou Wild. – E eu sei quem vou levar comigo. – disse, sorrindo. – O Peter
vai ser o meu Pokémon inicial! Quem melhor que ele para me acompanhar nesta
aventura?
Bunnelby,
que até então permanecera em silêncio, saltitou pelo jardim, revelando um
sorriso de uma orelha a outra e deixando escapar uma gargalhada.
- Tu sabias
disto tudo? – perguntou George.
- É claro
que sim! – respondeu Peter. – E não podia estar mais feliz! – dizia, enquanto
saltitava até ao púlpito, aterrando em cima da cabeça do rapaz. – Eu e o meu
melhor amigo vamos explorar a região de Galar! – gritou.
Todos se
deixaram rir naquele momento. Apesar de surpresos e um tanto nervosos, ninguém
conseguia deixar de estar feliz por aquele acontecimento. Wild estava prestes a
sair numa jornada acompanhado do seu companheiro.
- Acho que
temos muito que celebrar então! – exclamou Susan, cedendo à decisão do seu
filho e aceitando a sua escolha. – Vamos comer!
O dia, que antes
permanecia alegre e ensolarado, transformou-se totalmente. Uma tempestade
trouxe consigo grossas gotas de chuva e um vento descontrolado, que obrigaram a
família e os amigos de Wild a abrigarem-se dentro de casa.
Carol, Tommy
e Susan preparavam mais comida na cozinha que, naquela altura, mais parecia um
restaurante. Na enorme sala de estar, George vigiava os elementos mais novos,
que brincavam alegremente.
Naquele
momento, o corpo de Butterfree entrava a esvoaçar pela divisão, indo ao
encontro de Bewear, que permanecia em silêncio a observar a tempestade lá fora,
através da grande janela de vidro.
- Querido? –
aproximou-se a borboleta, fazendo o Pokémon despertar. – Estás bem?
- Estava só
aqui a pensar… - murmurou. – Esta tempestade relembra-me o dia que encontrámos
o nosso querido menino.
Susan não
podia deixar de concordar mais com o seu amado. Tal como no dia onde encontrara
aquela mulher a abandonar uma criança inocente na Wild Area, naquele momento,
as fortes rajadas de vento abanavam as árvores e arbustos de toda aquela
localidade. Não se avistavam Pokémon na rua, provavelmente estariam todos
abrigados nos seus esconderijos. E também não haviam rastos de treinadores
Pokémon. A Wild Area parecia triste e deserta, tal como no dia em que Wild ali
chegou.
- Eu
concordei com a decisão dele, mas… eu vou sentir muito a sua falta. – soluçou
George, deixando que as lágrimas rolassem pelo seu rosto.
- Oh meu
amor, claro que vais. – Susan tentou acalmar o Pokémon. – Mas nós sabemos que o
Peter irá lá estar para ele… teremos que simplesmente confiar no destino.
- E se ele
encontrar aquela mulher, Carol? E se ele nos trocar?
- Quer
queiramos, quer não, nós não podemos controlar a vida de Wild. – afirmou a
mulher, de uma maneira séria e madura. – Ajudámo-lo a crescer. Ensinamos-lhe
tudo aquilo que conseguimos. Agora está na altura dele crescer por si mesmo. –
sorriu, com os olhos a brilhar. – Não é isso que os verdadeiros pais fazem?
- Tu és uma
ótima mãe. – confessou George. – Nós todos somos tão sortudos por te ter…
- Não digas tolices.
Somos todos uns felizardos por nos termos uns aos outros! – exclamou.
Os dois
Pokémon envolveram-se num abraço sentido e infinito. Atrás de si, as crianças
da família pareciam brincar alegremente, sem sequer se aperceberem do que se
passava. No entanto, algo do lado exterior da casa chamou à atenção de Wild.
- O que é
aquilo?!
Todos os
elementos ali presentes se aproximaram da janela para observar aquele
acontecimento que nunca antes tinha ocorrido. Um helicóptero preto descia dos
céus em direção à propriedade da família de Wild. Era uma viatura
consideravelmente grande e viajava a alta velocidade. Mesmo em andamento, a
porta da viatura abriu-se e uma Pokébola foi lançada ao ar, revelando uma
criatura de três cabeças. O seu corpo era colorido por tons escuros de azul e
roxo e nas suas costas seis asas permitiam que o Pokémon voasse pelos céus da
Wild Area. Os olhos negros de Hydreigon davam-lhe um ar ameaçador e
intimidante.
- Que Pokémon é aquele?! – Carol estava surpreendida.
- É muito
assustador! – gritou Rory visivelmente perturbada.
O olhar de
Hydreigon penetrou a casa onde todos os elementos se encontravam. Sem nenhum dó
de piedade, o Pokémon abriu a sua boca e uma esfera branca começou a ser
formada à frente do seu rosto. Hyper Beam era o nome daquela técnica
que, momentos depois, fora lançada pelo dragão, atingindo a casa da família de
Wild.
Num segundo,
tudo mudou.
Wild
acordou. Sentiu os seus pulmões sujos e tossiu descontroladamente durante
alguns segundos. O seu instinto de sobrevivência fez com que o menino abrisse
os olhos, tentando procurar respostas, mas sem sucesso. Estava escuro e não
conseguia mexer o seu corpo. Estava preso. Tento gritar, mas o som era abafado
por todos os materiais à sua volta. Sentia-se ferido, cansado e desmotivado.
Estava pronto para desistir. Mas então lembrou-se. Se ele estava ali, onde
estava o resto da sua família e dos seus amigos?
- Eu
consigo. – sussurrou baixinho.
Recorrendo à
pouca força que tinha, o rapaz levantou os seus braços, desviando o tronco que
prendia o seu corpo. Agora já conseguia ver o céu. Continuava a chover e várias
gotas começaram a cair no seu rosto. O rapaz esboçou um fraco sorriso e passou
a língua pelos lábios, sentido o sabor da chuva. Encolhendo o seu corpo por
entre os materiais que o rodeavam, o menino conseguiu, com alguma dificuldade,
colocar-se em pé.
Agora,
conseguia observar todo o cenário de destruição à sua volta. Encontrava-se em
cima dos restos da casa da sua família. Dias, semanas, meses e anos de trabalho
e dedicação encontravam-se agora completamente desfeitos e destruídos. O rapaz
sentiu várias lágrimas rolarem pelas suas bochechas, lembrando-se de todas as
memórias que vivera naquela casa. A ideia de algum dia a ver destruída parecia
impossível. No entanto, esse pesadelo aconteceu realmente. E estava ali, diante
dos seus olhos.
- Presumo
que tu sejas o Wild.
Uma voz
grave e masculina fez-se ouvir no local. Wild virou o seu corpo rapidamente,
encontrando uma figura vestida de preto dos pés à cabeça. A sua voz
irreconhecível, juntamente com o capuz que escondia o rosto daquele ser,
tornavam o cenário bastante misterioso e sinistro. Ao seu lado, o Pokémon de
três cabeças permanecia em posição de ataque, pronto para qualquer ordem.
Atrás da
figura desconhecida, a família e os amigos de Wild encontravam-se presos numa
jaula de ferro. Tal como o menino, estavam feridos, mas todos eles permaneciam
acordados a observar atentamente o desenrolar daquela cena. O helicóptero preto
também se encontrava ali estacionado, com dois seguranças armados à porta.
- Quem és
tu?! E o que é que se está a passar?! – gritou, visivelmente alterado.
- Calma,
rapaz… - disse o homem num tom irónico. – A diversão ainda mal começou! –
gargalhou.
- Deixa o
meu filho em paz! – gritou Susan, que lutava para sair da jaula, mas era eletrocutada
sempre que tocava as barras de ferro.
- Nós não te
fizemos mal nenhum! Porque é que nos estás a fazer isto?! – protestava George.
- Diz-me
Wild, o que é que os teus papás estão para ali a dizer? – provocou o homem.
- Papás? – o
menino cerrou os punhos. – Como é que tu sabes sequer que eu consigo perceber o
que eles dizem?! – estranhou ele.
- Oh Wild… -
a figura começou a caminhar de um lado para o outro, ignorando completamente a
chuva que continuava a cair com cada vez mais intensidade. – Eu sei tudo! Sei
que a tua verdadeira mãe te abandonou. Sei que cresceste com estes estranhos
Pokémon. – dizia, apontando para a jaula onde estavam presos. – E sei que, de
alguma maneira, desenvolveste essa tua capacidade de comunicar com eles. Falar
com eles. Entender a sua linguagem. Tu fazes alguma ideia do quão anormal isso
é?
- Anormal? –
repetiu o menino.
- Pois
claro! Ninguém tem essa tua capacidade. Apenas tu.
- Isso é uma
coisa má? – questionou, ingenuamente.
- É
horrível! – gargalhou o homem. – E chegou-me aos ouvidos que pensas em sair
numa jornada por Galar? O quão estranho seria quando as pessoas começassem a
descobrir essa tua anormalidade!
- Não
prestes atenção ao que ele diz, amigo! – gritava Peter.
- O que tu
tens é um dom! – exclamou Tommy, preocupado com toda aquela situação.
- Calem-se!
– gritou o homem, sendo acompanhado pelo Hydreigon ao seu lado que rugia de
fúria. – Ainda bem que não percebo o que vocês dizem! Patéticos!
- Patético
és tu!
Wild saltou
para cima do corpo do homem, fazendo com que os dois caíssem ao chão e se
envolvessem numa luta corpo a corpo. O rapaz desferiu vários murros e pontapés
pelo corpo do desconhecido, mas a estatura do adulto era maior e mais forte,
daí ele conseguir facilmente tomar o controlo daquela situação.
- Chega!
O homem
levantou-se do chão, pegando em Wild pelo pescoço. O rapaz sentiu a sua visão
desfocar e o ar parecia não chegar aos seus pulmões.
- Tu és uma
desgraça. – a raiva e o ódio na voz do homem eram nítidos para todos os
presentes no local. Claramente tinha motivos desconhecidos para se sentir
assim. - Uma completa distração. Não posso permitir que arruínes os meus planos!
O homem
soltou o corpo de Wild, fazendo com que este caísse de joelhos no chão. O menino
sentia-se tonto e fraco, sem saber o que fazer.
- Está na
altura de te despedires da tua família. – afirmou. – Se não te armares em
espertinho, eu prometo que irei tomar, devidamente, conta deles.
Wild fitou o
rosto escondido do homem por alguns segundos, refletindo sobre a proposta.
Apesar de ser apenas uma criança, ele sabia perfeitamente qual seria o fim
daquele encontro. Assentiu com a cabeça e levantou-se calmamente do chão. Virou
o seu corpo na direção da jaula onde os Pokémon estavam presos e arrastou o seu
corpo até ao local.
- Wild… -
Carol choramingava. – Não desistas, por favor.
- Eu vou dar
cabo daquele tipo! – gritava Nate.
- Vocês não
podem fazer nada. – murmurou o menino, encarando o chão.
- Não foi
isso que me ensinaste, Wild… - Rory falava com uma voz fraca, tentando
controlar o choro.
- Temos que
aceitar o destino. – o menino levantou a cabeça, encarando todos aqueles
Pokémon que tanto significavam para si. – Eu nunca iria poder agradecer ou
compensar-vos por tudo aquilo que fizeram por mim. Mas agora posso. O destino quis que assim fosse. – dizia, esboçando um
fraco sorriso.
- Eu não
acredito no que estou a ouvir! – exclamou Susan. – Tu não te vais sacrificar
por nós!
- Aquele
homem é nitidamente louco! – gritava George desesperado.
- E eu sou
uma aberração. – afirmou Wild.
- Não estás
autorizado a dizer uma coisa dessas! – contrapôs Butterfree.
- Vocês são
criaturas Pokémon. E eu sou um humano. Como é possível que eu consiga
compreender-vos?
- Nós não
sabemos! Mas não é por isso que és um anormal, Wild! – argumentou Abomasnow. –
Tu és o meu irmãozinho!
- Desculpem.
– lamentou o rapaz. – Mas eu não posso permitir que vos aconteça algo de mal
por minha causa.
Sem dizer
mais nada, Wild virou costas ao grupo de Pokémon. Uma onda de gritos,
exclamações e lamentações inundou o local. Susan não queria acreditar que o seu
filho iria sacrificar-se por ela. George lamentava-se por não conseguir
defender o rapaz. Tommy, Rory e Peter gritavam para que ele voltasse e não
desistisse. Nate choramingava, desejando poder sair daquela jaula e enfrentar
aquele homem desconhecido. E Carol lamuriava-se por não poder passar mais tempo
com o humano por quem se apaixonara.
O rapaz
caminhou até ao centro do local e levantou o seu olhar para a figura de preto
que o observava atentamente. As gotas de água continuavam a cair intensamente
no seu rosto e, por algum motivo, aquele era o melhor sentimento que Wild
sentia naquele momento. Quase que o fazia esquecer de todo o medo, confusão e
indignação que nutria. Por rápidos segundos, o rapaz relembrou todos os
momentos felizes que passara com aqueles Pokémon. Esboçou um sorriso,
lembrando-se de tamanha felicidade. Nunca mais iria sentir aquilo. Mas eles
mereciam todo aquele sacrifício.
- Estou
pronto. – afirmou com convicção.
De baixo da
sua máscara, o homem esboçou um sorriso vitorioso. Nada nem ninguém iriam
colocar-se no seu caminho. E aquele momento era prova disso. Sem dizer mais
nada, levantou o seu braço direito e Hydreigon, que permanecia ao seu lado, elevou
o seu corpo no ar.
- Outrage!
A chuva
continuava a cair na Wild Area e o som das gotas de água a caírem pela terra do
local era a única coisa que ali se ouvia.
Já não havia
nenhum sinal de Susan, George, Tommy, Rory, Peter, Nate ou Carol ali. O homem
desconhecido e o seu Hydreigon também já não estavam presentes. E o helicóptero
já não se encontrava estacionado no local.
Pelo
contrário, o cenário de destruição e luta era a única coisa que ali permanecia
e era visível para qualquer um que ali passasse. A árvore que antes servia de
base para a casa da família Pokémon encontrava-se destruída, assim como todos
os seus pertences. E entre os destroços, o corpo de Wild encontrava-se caído no
chão. Os seus olhos permaneciam abertos, encarando o céu infinito. No seu
peito, uma garra de dragão atravessava o seu corpo de um lado ao outro. O
menino já não respirava.
Wild estava
morto.
Wild | Capítulo 9 - Notas do Autor
Olá
aventureiros!
Bem-vindos a “Wild”, uma magnífica
história onde um pequeno ser humano é acolhido por um grupo de Pokémon
selvagens que desafiam as barreiras da amizade e do amor.
Neste segmento mais informal, falo
sobre os temas de cada capítulo, revelo várias curiosidades e levanto algumas
suposições para o capítulo seguinte.
Surpresa!
Aí está ela!
A grande surpresa que a Aliança Aventuras andou a preparar para todos os seus
leitores está finalmente cá fora.
“Ethan’s
Week” é um projeto do Dento, autor de Aventuras em Johto, com o objetivo de
fazer um crossover com as histórias das outras regiões incluindo o protagonista
de Johto, Ethan. Com o capítulo de Wild, esta semana incrível e inesquecível
chega ao fim. Mas não me vou alongar mais, o próprio Dento abordará este tema
lá em Johto, portanto não se esqueçam de passar por lá para conferir!
Treinamento familiar
Dando
continuidade à história de Rory, introduzida no último capítulo, Susan e George
preparam um pequeno treino onde mostram à Pokémon bebé as técnicas que ambos
são capazes de usar, tentando mostrar-lhe que até ela pode ser mais forte. Esta
é uma pequena “ponte” que terá os seus frutos no último capítulo. Sim, estamos
muito perto do fim!
Ethan
Finalmente,
o ponto de destaque do capítulo 9: Ethan.
Há muito tempo
que eu queria fazer um crossover com alguma personagem da Aliança. Tinha,
inclusivamente, discutido isto com o Dento e, por ironia do destino, a minha
ideia e a dele cruzaram-se numa altura perfeita.
Confesso que
poder dar voz a Ethan e ter a sua presença em Galar é um feito que eu nunca
pensava que seria possível. Eu basicamente cresci e passei os últimos anos a
acompanhar a história de Dento, Aventuras em Johto. Mesmo antes de ser um
escritor da Aliança, acompanhava a sua história com grande admiração e
expressava sempre o meu feedback nos comentários de cada capítulo. E agora
estou aqui, a escrever um capítulo onde posso escrever e dar vida a uma
personagem que sempre acompanhei, mas de fora. A vida tem as suas ironias
lindas, não é verdade?
Quero
agradecer, a cima de tudo, ao Dento por me ter dado este presente. E a vocês,
leitores, que continuam aí a ler e a acompanhar esta história que me dá tanto
gozo escrever. Este presente é para vocês!
Agora, a
história. Damos imediatamente de caras com um Ethan ferido e o seu Typhlosion
extremamente defensivo e cauteloso, pronto para atacar quem se aproximar do seu
treinador. Eventualmente, Wild e a sua família convencem o Pokémon que podem
ajudar o seu treinador e juntos levam Ethan para casa.
Tommy é um
elemento chave neste processo, visto que é quem cuida dos dois feridos e ajuda
a explicar o que realmente aconteceu com eles. Basicamente, Ethan e o seu
Pokémon deram de caras com um Pokémon Den e, sem se aperceberem como,
entraram em combate com um Pokémon Dynamax – e aqui acontece a
introdução da nova mecânica desta geração na história de Wild.
É depois
desta explicação que acontece um dos momentos que gostei mais de criar neste
capítulo. A tristeza de Ethan revela-se e o seu sentimento de insuficiência
mostra o estado do espírito do treinador. Sozinho em Galar, relembra os seus
antigos companheiros de viagem, Amy e Forrest, que, segundo ele
se encontram longe, “cada um a seguir o seu caminho. Ainda a tentar alcançar os
seus sonhos”. Estejam onde estiverem, Ethan continua a pensar neles.
Mas afinal, Wild vai ou não sair numa
jornada Pokémon?
Dando também
continuidade à questão levantada no último capítulo, antes de Ethan voltar a
desaparecer, Wild pede conselhos ao treinador relativamente à jornada Pokémon.
O jovem de Johto aconselha o menino de Galar a experimentar, argumentado que só
dessa maneira é que alguém realmente cresce. No entanto, ainda não é clara a
verdade decisão de Wild.
Capítulo 10
No último
capítulo de “Wild”, vamos descobrir a decisão final do rapaz: Irá ele sair numa
jornada Pokémon pela região de Galar? E, afinal, o que é que isso realmente
significa?
Obrigado por continuarem a ler! Até ao próximo e último capítulo!



























