Posted by : Angie Aug 15, 2021


            A manhã já ia a meio no Pokémon Center de Hulbury, que começava a receber cada vez mais visitas de jovens treinadores vindos de toda a região. Victor, Gloria e Hop já estavam prontos para um novo dia. Depois de se certificarem que tinham todos os seus pertences pessoais e que o quarto alugado durante as últimas noites se encontrava devidamente limpo e arrumado, desceram para o piso inferior do estabelecimento.

 

            Depois de receberem os Pokémon deixados aos cuidados de Joy, os três amigos decidiram adquirir alguns materiais no Poké Mart do estabelecimento.

 

            - Mais vale prevenir do que remediar. – dizia Victor, enquanto reunia doses exageradas de produtos de saúde Pokémon.

 

            Após vários longos minutos de compras, o grupo voltou-se para o outro lado do edifício, ocupando uma mesa na cafetaria que, naquele momento, começava a encher-se de moradores da cidade.

 

            - Temos de aproveitar agora. – murmurou Hop, observando o menu com muita atenção. – Não sabemos quando será a próxima refeição completa que iremos realizar.

 

            - Senti a mágoa na tua voz. – brincou Gloria, ajeitando o seu cabelo castanho. – Mas, afinal, qual será o nosso próximo destino?

 

            - Certo. – o gémeo assentiu. Depois de pousar a incubadora, com o ovo no interior, na mesa do local, deitou as duas mãos ao interior da sua grande mala, puxando vários papéis e anotações. – Aqui está. O meu famoso mapa. – dizia, enquanto desdobrava um documento que parecia não ter fim. – Nós estamos aqui. – disse, apontando para um local do lado direito do papel, junto ao oceano, captando a atenção dos outros dois jovens. – O nosso itinerário segue por aqui. – explicou, deslizando o indicador para baixo, parando sobre um local colorido em tons acastanhados. – Galar Mine Number 2. A continuação da primeira Galar Mine, antes mesmo de chegarmos a Turffield, recordam-se? – e apontou para outro local, igualmente castanho e precisamente do lado oposto do mapa. – De volta a este lado, depois de sairmos da gruta, temos pela frente o Motostoke Outskirts. – e apontou para uma pequena localização, à direita da área castanha. – É uma pequena rota, onde podemos aproveitar para treinar antes do nosso desafio no Motostoke Stadium. – e terminou a explicação, parando o dedo numa cidade ao centro do mapa.

 

            - Então, vamos regressar a Motostoke? – Hop parecia confuso.

 

            - Certo. Está na altura de desafiarmos o Kabu. Lembram-se? Da última vez que estivemos na cidade, depois da cerimónia de inauguração do Gym Challenge, os pedidos para o desafiar aumentaram a pique. Nem tivemos oportunidade de nos inscrever.

 

            - É verdade! – lembrou-se a rapariga. – Aquele Bede foi o primeiro a enfrentá-lo, se bem me lembro.

 

            - Ah, sim… - Hop ficou pensativo. – Recordo-me do Leon falar do seu confronto contra o Kabu. Ele disse que foi um dos mais difíceis da sua jornada.

 

            - Nesse caso, teremos de nos preparar para qualquer dificuldade futura. – afirmou Victor, num tom decidido.

 

• • •

 

            Um dos pequenos lagos no interior da Galar Mine Number 2 servia de palco para uma batalha. De um lado, Woobat esvoaçava pelas águas e, do outro, uma pequena lesma do mar, de corpo esverdeado e uma carapaça azul, tentava proteger-se dos ataques lançados na sua direção. Tinha grandes olhos e vários pares de chifres ao longo da carapaça.

 


            - Air Cutter!

 

            Uma forte rajada de vento atingiu a pequena criatura aquática, que fora arremessada contra uma parede de rochas perto do local. Com o embate, cerrou os olhos, sentido a dor atingir todos os cantos do seu corpo. Logo a seguir, uma Poké Ball foi lançada na sua direção, sugando-o para o seu interior. Depois da esfera girar duas vezes, por fim, parou. A captura estava concluída.

 

            Gale apressou-se a apanhar a cápsula bicolor, observando-a com atenção. Logo atrás de si, apareceu Carter com um ar desconcertado.

 

            - Ainda não percebi o que estamos aqui a fazer… - murmurou.

 

            - É claro que não, seu incompetente! – exclamou a jovem, segurando a esfera na mão. – Estamos na Galar Mine Number 2, que faz a ligação com Motostoke, local onde executamos o nosso primeiro ataque. Recordas-te disso?

 

            - Quando o Leon apareceu e nos obrigou a fugir?

 

            - Precisamente. – respondeu Gale, tentando não se irritar com tal lembrança. – Estamos aqui para impedir que os Treinadores Pokémon que desejam voltar àquela cidade não o possam fazer. – revelou, num tom de voz sombrio.

 

            - E como vamos fazer isso?

 

            - Com as orientações do chefe, como é óbvio. – afirmou, começando a caminhar em círculos pelo local. – Vamos construir uma parede de rochas para travar a circulação dos viajantes!

 

            - E quem é que vai fazer isso? Nós?

 

            - Pois está claro. Quem haveria de ser?

 

            - Gale, eu nunca construí uma parede… - o jovem coçou a cabeça.

 

            - É para isso que precisamos da ajuda de Pokémon. Este Shellos, por exemplo, vai ser uma grande ajuda para reunir grandes rochas e fixá-las com a sua lama. Percebes?

 

            - Acho que sim. – assentiu. – Então, é melhor eu começar a procurar mais um Pokémon para nos ajudar com o plano…

 

            - Sim, sim. Faz isso.

 

            Os olhos de Carter começaram a percorrer o local à sua volta. Encontrou rochas, alguns diamantes cravados nas enormes paredes da gruta, pequenos lagos de águas calmas e um chão de terra sem fim. No entanto, para sua tristeza, nenhum Pokémon se revelava naquele momento.

 

            - Oh! – exclamou, instantes depois. – O que é aquilo?

 

            Uma pequena Poké Ball permanecia caída no chão da caverna. Talvez aquilo fosse um sinal do destino. Talvez, no interior daquela cápsula, um gigante e fortíssimo Pokémon estivesse à espera de ser encontrado por ele. Envolto em pensamentos precipitados, o jovem correu de forma desconcertada na direção do objeto. Baixou-se para o apanhar, quando sentiu uma forte mordida na sua mão, deixando escapar gritos e gemidos de dor que ecoaram por todo o local.

 

            - O que raio andas a fazer?! – Gale gritou, virando-se para encontrar o seu companheiro desastrado.

 

            - Esta coisa está a morder a minha mão! – berrou o outro, com o rosto cada vez mais vermelho e inchado.

 

            Gale correu em seu auxílio, observando atentamente a criatura que o mordia. O seu corpo em tons de cinzento e castanho era assinalado por marcas de pegadas verdes. Duas presas pontiagudas cercavam a parte frontal e traseira do Pokémon, que tinha a sua boca esculpida em formato de uma Poké Ball.

 


            - É um simples Pokémon. – a voz da rapariga saiu num tom sarcástico. – Foste enganado por uma criatura banal, Carter.

 

            - Obrigado pela ajuda! – respondeu, abanando a mão no ar para tentar afastar o Pokémon, mas nada acontecia. – Urgh, já vais ver! – e deitou a outra mão ao bolso, arremessando uma Poké Ball ao ar, revelando o corpo de Croagunk. – Tu, faz alguma coisa já! Usa Venoshock nesta coisa!

 

            Apesar de apresentar um ar confuso, Croagunk abriu a sua boca, lançando vários espinhos na direção do Pokémon que continuava agarrado à sua presa, neste caso, a mão de Carter. Apesar da pequena explosão de veneno provocada pela técnica, a criatura selvagem parecia não ter sofrido qualquer dano.

 

            - Essas presas… - murmurou Gale, pensativa. – É um Pokémon Steel-Type. É por isso que os ataques Poison-Type não funcionam contra ele. Inútil! – gritou.

 

            - Cala-te, Gale! – protestou. – Croagunk, usa Mud-Slap!

 

            Abrindo novamente a boca, Croagunk lançou várias esferas de lama na direção do seu adversário. Ao contrário do que acontecera previamente, a criatura selvagem sentiu o efeito no seu corpo, acabando por soltar a presa e cair no chão de terra. Ergueu-se rapidamente, desta vez virando-se para Croagunk e mordendo-o com as suas presas metálicas, uma técnica conhecida como Metal Claw.

 

            - Contra-ataca com Revenge!

 

            O Fighting-Type aproveitou a proximidade do adversário, ergueu o seu braço no ar para ganhar balanço e, logo a seguir, esmurrou o seu corpo, lançando-o num forte embate contra o chão. O Pokémon deixou escapar alguns gemidos de dor, afinal, as técnicas usadas eram super efetivas e começavam a surtir o efeito pretendido.

 

            - Finalmente. Já está suficientemente fraco. – apontou Gale. – Aproveita para o capturares. Talvez ele nos possa ajudar.

 

            - Mas ele atacou-me! – contrapôs o jovem, levantando as mãos no ar, mostrando as suas feridas ensanguentadas.

 

            - É um Pokémon… é da sua natureza atacar as presas mais fracas.

 

            - O que é que acabaste de dizer?! – o homem gritou, colocando-se em posição ereta.

 

            - És um fraco se não consegues capturar um Pokémon apenas porque ele te feriu. – cuspiu a jovem. – O que vem a seguir? Vais-me abandonar porque sou demasiado dura contigo? Não! Eu só digo a verdade!

 

            Carter calou-se, fitando o rosto de Gale por longos segundos. Por mais que lhe custasse admitir, talvez ela tivesse um pouco de razão. Mesmo assim, a sua mão continuava a doer. E o poder daquele Pokémon, que ele não conseguia identificar, ainda lhe parecia confuso. No entanto, acabou por voltar a colocar a sua mão saudável dentro do bolso, retirando uma Poké Ball vazia que lançou contra o corpo da criatura selvagem. Pela primeira vez, o Steel-Type não deu luta e o jovem concluiu a sua captura sem grande dificuldade.

 

            - Feito. – afirmou secamente, apanhando o objeto do chão.

 

            - Vês? Eu sei que tenho razão. – Gale mostrou um sorriso de lado. – Agora vamos, o local de execução da missão fica ali à frente. – e começou a caminhar a um passo acelerado, sendo imediatamente seguida por Carter.

 

• • •

 

            Victor, Gloria e Hop davam os primeiros passos no interior da Galar Mine Number 2. As paredes do local eram altas e cobertas de rochas escuras. No entanto, tal como na gruta anteriormente visitada pelo trio, vários minerais coloridos e brilhantes surgiam por entre as grandes pedras.

 

            Caminharam pela imensa entrada em silêncio, observando o trabalho árduo e agitado de vários mineiros. De forma organizada, extraíam minerais escondidos pelas paredes ou até mesmo sob o solo. Alguns Pokémon também estavam presentes no local, utilizando a sua fisionomia para ajudar os humanos trabalhadores.

 

            Um pequeno lagarto bípede parecia caminhar de forma desastrada. Os seus dois olhos localizavam-se na grande cabeça amarela, enquanto os braços finos seguravam a pele clara da criatura. Depois de ganhar impulso com uma corrida desconcertada, o Pokémon cabeceava grandes rochedos, fazendo com que estes se partissem e facilitando, assim, a extração de minerais no seu interior.

 


            - Scraggy, um Pokémon Dark-Type e Fighting-Type. – Victor segurava o seu Rotom Phone na direção do Pokémon. – Usa a sua dura cabeça para atacar qualquer adversário que se colocar à sua frente. Quando a sua pele se encontrar completamente esticada, atingirá o ponto da evolução.

 

            Não muito longe do lagarto, outra criatura auxiliava um grupo de mineiros. Uma pequena rocha cinzenta com dois braços laranja e duas mãos castanhas que trabalhavam em sintonia. Cada membro parecia funcionar de forma autónoma. Enquanto de um lado, uma das mãos utilizava as suas garras para escavar no solo, a outra mão lançava jatos de água para limpar os minerais encontrados, restaurando-lhes o seu brilho natural.

 


            - Binacle, um Pokémon Rock-Type e Water-Type. – falou o Pokédex de Gloria. – Depois de dois Binacle encontrarem uma rocha que satisfaça a necessidade de ambos, fixam-se no objeto, trabalhando para sobreviver em equipa. Sem um trabalho coordenado, os dois não conseguem sobreviver.

 

            - Não é tão interessante ver Pokémon trabalhar lado a lado com humanos? – pensou Hop, observando a equipa de extração mineral.

 

            - Sim! Não importa a origem de nenhum deles. Isto revela que trabalhar em equipa é sempre melhor do que fazê-lo sozinho. – a rapariga sorriu.

 

            - Na verdade, isto a que estamos a assistir é conhecido como Poké Jobs. – afirmou o gémeo, num tom didático. – Eu lembro-me de ler um livro sobre isto mesmo. Vários Treinadores Pokémon usam ou enviam os seus Pokémon para ajudar em trabalhos de humanos. Para além da experiência que ganham, também recebem alguma quantia monetária ou determinados bens materiais.

 

            - Mas o trabalho é consentido pelos Pokémon, certo? – interveio Gloria, preocupada.

 

            - Claro que sim. É muito importante ter isso em conta.

 

            - Sendo assim, será que seria boa ideia eu e o Roggenrola ajudarmos na extração? Talvez seja bom para ele tentar lidar com os problemas do seu passado. – pensou o moreno.

 

            - Espera, e se eu e o Timburr fizermos o mesmo? Podemos colocá-los a trabalhar em conjunto e tentar fazer com que eles façam as pazes! – sugeriu Victor.

 

            Todos concordaram com a sugestão. Os dois rapazes lançaram as suas Poké Balls ao ar, revelando os corpos de Timburr e Roggenrola. As criaturas entreolharam-se, sem deixar escapar qualquer grunhido. As suas posturas eretas, envoltas em silêncios desconfortáveis, revelavam o que ambos sentiam na presença um do outro: uma grande tensão e rivalidade.

 

            - Parem de fazer esses olhares ameaçadores. – disse o moreno. – Não vos chamámos para um combate.

 

            - Pensámos que ambos poderiam ajudar na escavação mineral. – anunciou o gémeo, apontando para a equipa de mineiros presente no local. – O que acham?

 

            Os dois permaneceram em silêncio, apesar dos tons animados e convidativos dos seus treinadores. Só após alguns minutos de insistência dos rapazes é que ambos cederam, aproximando-se de uma parede de rochas iluminadas. Segundo os trabalhadores locais, no seu interior, existiam vários minerais à espera de serem encontrados.

 

            Victor, Hop, Timburr e Roggenrola colocaram-se de frente para a parede, começando a atingi-la com técnicas físicas Fighting-Type e Rock-Type. Não demorou muito para que, juntos, os dois Pokémon conseguissem quebrar alguns dos rochedos, fazendo cair vários minerais coloridos que alegraram o rosto de Gloria, que assistia a tudo atentamente.

 

            - Muito bem! – exclamou, pegando em alguns dos minerais brilhantes. – São tão giros!

 

            À medida que mais minerais eram extraídos, a equipa local aproximava-se para os analisar e recolher para junto dos restantes materiais. Era claro que aquele trabalho não era realizado para um fim individual, mas sim para contribuir para a energia produzida na Mineral Factory de Galar.

 

            - Mud-Slap!

 

            Roggenrola estava disposto a encontrar mais minerais do que o seu adversário. Por essa razão, levava as indicações do seu treinador muito a sério. Disparou mais um jato de lama contra várias rochas, na esperança de fazer cair mais cristais, no entanto, surpreendeu-se quando uma criatura apareceu por entre as fisgas dos rochedos.

 

            - O que é isto?! – exclamou Hop, surpreendido com a descoberta.

 

            Um pequeno artrópode surgiu no local, começando a correr em círculos. O seu corpo era coberto de várias camadas de escamas cinzentas e algumas formas triangulares verdes. O rosto, antenas e caudas tinham uma coloração roxa enquanto os seus olhos eram amarelos.

 


            - Wimpod, um Pokémon Bug-Type e Water-Type. – anunciou o Rotom Phone que Hop segurava. – Apesar da sua natureza limpa, este Pokémon é capaz de comer qualquer coisa, até mesmo lixo. Foge quando sente a presença de perigo ou de inimigos.

 

            - Roggenrola, não o deixes escapar!

 

            O Rock-Type tentou acompanhar a velocidade do selvagem, mas era basicamente impossível. Wimpod, por sua vez, lançou um Struggle Bug na direção de Roggenrola, prendendo-o contra o chão. E, sem perder mais tempo, fugiu do local sem deixar rasto.

 

            - Que Pokémon tão rápido! – exclamou Gloria.

 

            - Deve-se ter assustado com o Roggenrola… - refletiu Victor, olhando à sua volta, com a ajuda de Timburr que permanecia atento. – Não há nenhum sinal dele.

 

            - Isso é o que vamos ver! – o moreno exclamava, enquanto soltava o seu Pokémon do ataque lançado pelo fugitivo. Depois de se certificar que Roggenrola não tinha ferimentos graves, voltou-se para os mineiros presentes no local. – Esperemos que o nosso trabalho vos tenha ajudado! Agora temos de ir procurar aquele Pokémon! Vai ser meu! – gritou e, logo a seguir, saiu disparado, deixando todos os restantes surpreendidos.

 

• • •

 

            Já se tinham passado várias horas desde a procura intensa por Wimpod, que permanecia desaparecido, como se nem sequer existisse. Com o passar da tarde, Hop e Roggenrola continuavam a liderar as buscas, obrigando Victor e Gloria, acompanhados por Timburr, a fazerem o mesmo. Àquela altura do dia, já se encontravam a meio do percurso da caverna.

 

            Apesar dos seus corredores parecem todos iguais, o trio ia deixando marcas pelos sítios por onde passavam, tentando diminuir a probabilidade de se perderem nos labirintos iluminados pelos cristais brilhantes. Em algumas zonas, acabaram por encontrar pequenos lagos de águas calmas, onde a cor das pedras se refletia, criando um fantástico espetáculo de pigmentação e luminosidade. Gloria ficava cada vez mais deslumbrada com aquele local, apesar de toda a correria a que era obrigada.

 

            - Já pensaste no poder que estes minerais contém, Victor? Deve ser imenso! – exclamava.

 

            - De facto, é a origem de toda a energia da região. Deve ser algo fenomenal.

 

            - Ali! – mais à frente, Hop gritava, apontando para uma parede que aparecia, estranhamente, a meio do caminho. – Está ali uma coisa!

 

            O jovem correu na direção de uma pequena esfera caída no chão, baixando-se para a apanhar, quando foi, novamente, surpreendido por um Pokémon que mordia agora a sua mão. Invadido pela dor das presas daquela criatura, Hop não teve outro remédio senão soltar o que sentia através de altos e desesperantes gritos. Victor e Gloria correram em seu auxílio, visivelmente preocupados e assustados com o amigo.

 

            - Victor! O que é aquilo?! – a voz de Gloria saiu mais estridente do que o habitual.

 

            - N-não faço ideia!

 

            Sentindo o pânico vindo dos humanos, Timburr e Roggenrola entreolharam-se. Era altura de os dois entrarem em ação, salvando os treinadores que antes os salvaram a eles. Timburr saltou na direção do Pokémon desconhecido, atingindo-o com Low Kick e Roggenrola voltou a atacar com Mud-Slap. A criatura largou a mão do rapaz, caindo no chão da caverna, mas rapidamente se recompôs, pronto para continuar a disputa.

 

            Hop, por sua vez, caiu para trás, sentindo o sangue percorrer a sua mão e descendo pelo pulso. Victor caiu de joelhos ao seu lado, pousando a incubadora do ovo no chão e abrindo a mala de viagem que segurava nas costas. Apressou-se a procurar o seu estojo de primeiros socorros, que logo passou a Gloria, pronta para entrar em ação.

 

            - As mordidas não são muito fundas. – dizia, enquanto limpava as feridas, fazendo o moreno soltar pequenos gemidos de dor.

 

            - Vamos aplicar uma compressa e esperar que o sangue pare. – o irmão desenrolou um pequeno rolo branco, voltando a enrolá-lo à volta da mão do ferido.

 

            - Eu pensava que ia morrer! – dramatizou Hop, com lágrimas nos olhos.

 

            - De medo, só se for. – disse uma voz grave, que não pertencia a nenhum dos três amigos.

 

            Os seus olhares elevaram-se. Mesmo à frente do trio, as figuras mascaradas de Carter e Gale marcavam presença, com uma postura séria e desafiadora. Ao seu lado, o Pokémon que atacara Hop arrastava-se junto do corpo do homem, que também apresentava ferimentos na mão. A jovem de cabelo rosa, por sua vez, tinha o seu pé colocado sobre uma caixa de metal que insistia em movimentar-se. No seu interior, Timburr e Roggenrola eram mantidos prisioneiros. O seu ataque tinha sido tão rápido e eficaz que nenhum dos jovens treinadores se deu conta do sucedido.

 

            - Vocês, outra vez?! – a voz de Victor saiu num tom que o próprio desconhecia. Algo semelhante a desprezo ou ódio.

 

            - Isso dizemos nós! – gargalhou a mulher. – Vocês são os únicos que insistem em intrometer-se nos nossos planos.

 

            - O que pretendem fazer desta vez? Matar os treinadores com mordidas surpresa?! – gritou Hop.

 

            - Não seria uma má ideia… - pensou Carter. – O que achas, Gale?

 

            - Talvez seja uma ideia para missões futuras. – respondeu, num tom irónico.

 

            - Devolvam o Timburr e o Roggenrola aos meus amigos! – ordenou Gloria, destemida.

 

            - Olha só esta pequena que pensa que já é gente… por favor. – cuspiu Gale.

 

            - Vamos ficar com os vossos Pokémon. – afirmou o homem, num tom autoritário. – E se não concordarem, podem dar meia-volta, uma vez que, aqui, a passagem está bloqueada.

 

            - Esta parede… - murmurou o gémeo. – Ela não estava aqui antes, pois não? As rochas parecem diferentes. Foram vocês que a construíram para atacar jovens treinadores como nós?

 

            - És muito inteligente, rapaz. Mas de que te vale isso agora? Já temos o teu Pokémon. – provocou a mulher.

 

            - Espera, o que é aquela coisinha ali?

 

            Carter apontava para a incubadora, pousada ao lado da grande mochila de Victor. O rapaz apressou-se a resgatar o objeto para junto do seu corpo, segurando-o com os dois braços.

 

            - Um ovo? Será um sobrevivente da nossa missão anterior? – Gale levou a mão ao queixo, fingindo-se de pensativa. – Porque se é… então ele pertence-nos!

 

            - Estou farta de vos ouvir dizer barbaridades! – exclamou Gloria, levantando-se do chão num salto. – Acham mesmo que aquilo que já tem dono vos pertence? Acho que precisam de redefinir os objetivos da vossa organização ilegal!

 

            - Falas demasiado miúda. – suspirou Carter.

 

            - És patética. – a mulher abanou a cabeça em forma de desaprovação.

 

            - Vamos ver quem é a ridícula!

 

            Gloria puxou de uma Poké Ball, lançando-a ao ar. Scorbunny aterrou no chão, pronto para entrar em ação. Do outro lado, Carter e Gale convocaram os seus mais recentes Pokémon para a disputa. A mulher permaneceu no seu lugar, segurando a forte caixa com o seu pé, enquanto Victor e Hop se afastavam do centro da arena improvisada.

 

            - Stunfisk Galarian Form, um Pokémon Ground-Type e Steel-Type. – anunciou o Pokédex da treinadora. – Depois de habitar na lama com alto teor de ferro, o seu corpo transformou-se em aço. Usa a sua boca em formato de Poké Ball para confundir as suas presas, atacando-as com as suas barbatanas metálicas.

 

            - Então foi aquilo que me mordeu. – murmurou Hop.

 

            - Pelos vistos, também atacou o próprio Carter. – apontou Victor, reparando na sua mão ensanguentada. – Não deve ser um adversário fácil.

 

            - Shellos, um Pokémon Water-Type. – o Rotom Phone da jovem voltou a falar. – A aparência do seu corpo varia segundo a comida que ingere e o local que habita. Shellos que habitam em águas mais frias ganham uma coloração mais azul.

 

            - Não sei se o Scorbunny conseguirá dar conta dos dois sozinho… - sussurrou o gémeo, preocupado.

 

            - Podemos usar o combate como distração para soltarmos o Timburr e o Roggenrola. – sugeriu o moreno numa voz baixa. – Mantem-te atento.

 

            - Vamos a isto, Scorbunny. Ember.

 

            O coelho começou a correr em círculos, sentindo as suas patas aquecerem à medida que o fazia. A seguir, pegou numa pequena pedra caída no chão e pontapeou-a. Uma aura de fogo rodeou o objeto, lançando contra o corpo de Stunfisk, que cambaleou para trás.

 

            - Tenta outra vez! – provocou Carter. – Terás de fazer melhor do que isso para nos vencer. – Revenge.

 

            - Shellos, usa Ancient Power! – ordenou Gale.

 

            - Tenta fugir!

 

            O Steel-Type lançou-se na direção do Pokémon Inicial que, a tempo, conseguira escapar do seu ataque. No entanto, do outro lado do local, o corpo brilhante de Shellos começava a controlar várias rochas que, de imediato, foram arremessadas na direção do adversário. Scorbunny caiu no chão depois de ser atingido por alguns dos rochedos.

 

            - Vamos continuar! – exclamou Gloria, incentivando o Fire-Type. – Mostra-lhes a tua nova técnica! Flame Charge.

 

            Reunindo novamente energia através de corridas em círculos, desta vez, o corpo de Scorbunny fora rodeado por labaredas de fogo. À medida que corria, o calor espalhava-se pelo local. Em simultâneo, os dois Pokémon da Team Yell foram atingidos, caindo ao chão cada vez mais fracos. Carter e Gale, por sua vez, começavam a ficar impacientes. A sua posição corporal alterou-se drasticamente. O homem tinha agora os dois braços no ar, gritando palavrões sem sentido e a jovem esquecera-se da caixa metálica que protegia para se debruçar sobre os Pokémon feridos.

 

            - Levantem-se! – gritou, de forma imperativa. – Combinem os vossos ataques! Water Pulse.

 

            - Stunfisk, dispara Water Gun.

 

            Ainda a recuperar da técnica anterior, Scorbunny não tivera qualquer oportunidade para escapar aos dois ataques super efetivos que eram disparados na sua direção. Apesar da pistola de água disparada por Stunfisk não ser super forte, a bolha aquática lançada por Shellos teve um efeito brutal sobre o Fire-Type, que caiu ao chão atordoado.

 

            - Oh não! – exclamou Gloria, levando as mãos ao rosto. – Scorbunny… vá lá, nós precisamos de salvar os nossos amigos…

 

            - Acho que já não precisamos de ajuda! – anunciaram os dois rapazes.

 

            Enquanto o combate decorria, os dois amigos aproveitaram a falta de atenção dos dois membros da Team Yell para soltar os seus Pokémon do interior da caixa metálica. Naquele momento, Timburr e Roggenrola já estavam junto dos seus treinadores. Ambos carregavam uma expressão confiante nos seus rostos. O tempo que passaram juntos e a sós serviu para que ambos percebessem que havia certas alturas onde teriam de colocar o seu passado de lado e lutar para o mesmo objetivo. Aquele era, precisamente, esse momento.

 

            - Como é que os deixaste escapar?! – gritou o homem de rosto pintado.

 

            - Cala-te, gordo! – cuspiu Gale. – Não posso ficar sempre responsável por tudo! Esqueci-me de tomar conta da caixa, e então?! Não ias vencer esta pirralha sozinho!

 

            - Acho que o vosso problema é não saberem respeitar-se enquanto parceiros de equipa… - apontou Victor. – Nem as outras pessoas à vossa volta.

 

            - Agora tomem um pouco de noção! – afirmou Hop, levantando um braço no ar. – Smack Down!

 

            - Rock Slide!

 

            Uma esfera de energia amarelada foi lançada por Roggenrola na direção de Stunfisk. Timburr, por sua vez, viu o seu corpo envolto por uma energia azul, começando a controlar alguns rochedos que por ali havia e lançando-os contra os dois adversários. Ambos foram atingidos pelas técnicas dos Pokémon que pareciam estar cada vez mais fortes e em sintonia um com o outro.

 

            - Não pode ser. – Carter cerrou o punho, fitando os dois Pokémon inconscientes no chão.

 

            - Ainda podemos lutar! – exclamou Gale, com os olhos esbugalhados enquanto recuperava o corpo de Shellos para o interior da sua Poké Ball.

 

            - Estamos prontos! – provocou Gloria, reunindo-se a Victor e Hop, acompanhada por Scorbunny, já recuperado.

 

            - O espetáculo acabou! – uma voz grave e autoritária fez-se ouvir no local, mas nenhuma pessoa estava à vista. – Permaneçam quietos! Vamos deitar esta parede abaixo e terminar, de uma vez por todas, com esta farsa! Body Slam.

 

            Ouviu-se uma grande explosão, seguida de uma gigante onda de poeira, enquanto várias rochas caíam e começavam a rebolar livremente pelo local. Os três jovens e os seus Pokémon tiveram de se proteger para não serem atingidos pelos fortes objetos. Do outro lado, Carter e Gale abrigaram-se atrás de um pedregulho, enquanto observavam o seu plano ser destruído.

 

            Quando a poeira cessou momentos mais tarde, a identidade daquela voz foi finalmente revelada. No centro do local, envolto de rochas partidas e desfeitas, um alto homem permanecia de pé. Vestia um uniforme vermelho e o seu cabelo era grisalho. Os seus braços caíam ao lado do tronco, revelando uma postura destemida e determinada.

 

            À sua frente, um Pokémon marcava presença. Tinha quatro patas e assemelhava-se a uma grande tartaruga com uma carapaça preta e vários apontamentos brilhantes. O seu corpo alaranjado era marcado por círculos negros e das duas narinas saíam grandes nuvens de fumo.

 


            - Ka-Kabu?! – a voz de Hop saiu fraca.

 

            - O Líder de Ginásio?! – repetiu Gloria atónita.

 

            - Eu mesmo, sim. – confirmou o senhor, olhando em volta. – Onde estão eles?! Não foram vocês que construíram esta parede falsa, pois não jovens?

 

            - Ali, senhor. – Victor apontou o indicador para um pedregulho onde os dois criminosos se escondiam. – Eles tentaram roubar os nossos Pokémon e bloquearam a passagem.

 

            - Ora, muito bem! Saiam daí! Admitam os vossos atos! – chamou o Líder de Ginásio, com as mãos na cintura.

 

            Atrás da grande rocha, Carter e Gale entreolharam-se. Pingas de suor começavam a escorrer pelas testas dos dois à medida que sentiam que a sua missão estava, definitivamente, cancelada. Os seus Pokémon mais recentes já se encontravam a repousar no interior das suas Poké Balls, portanto, naquele momento, estavam completamente sozinhos. No entanto, não eram assim tão fracos para desistir logo ao primeiro obstáculo.

 

            - O que estarão eles a tramar? – sussurrou o jovem moreno.

 

            - Não têm qualquer escapatória possível… - pensou o gémeo.

 

            - Estão apenas a adiar o inevitável. – afirmou a rapariga para os amigos.

 

            - Se eles não saem a bem, vamos fazer com que saiam a mal. Lava Plume!

 

            A lava no interior da carapaça de Torkoal começou a borbulhar e o Pokémon disparou jatos de fogo e nuvens de fumo contra o grande rochedo que protegia os dois membros da Team Yell, obrigando-os, finalmente, a abandonar o seu esconderijo. O homem e a mulher posicionaram alguns metros à frente de Kabu, que os observava com um olhar sério.

 

            - Team Yell. – murmurou numa voz rouca. – Primeiro, ameaçam a segurança do meu próprio estádio, colocando em perigo a vida de milhares de pessoas. E agora, a caverna onde eu treino os meus Pokémon?! – gritou o homem, visivelmente irritado. – Começo a achar que isto é algo pessoal.

 

            - Não é assim tão importante. – Gale respondeu de forma seca. – Pergunte a esses miúdos. Há uns dias executámos uma missão no Pokémon Nursery. Como vê, o mundo não gira à sua volta.

 

            - Que jovem irritante e mal-educada! – ripostou. – Quem pensa que é para dizer essas coisas descabidas?

 

            - Nós somos a Team Yell! – Carter gritou no seu megafone. – E estamos aqui para fazer o bem, custe o que custar!

 

            - Pelo que vejo, vocês só fazem mal. – Kabu cruzou os braços à frente do seu peito. – Roubam Pokémon de jovens inocentes, ameaçam a sua segurança e bem-estar e agora querem impedir a livre circulação da população de Galar? Vivemos num mundo livre! Vocês são loucos! E terão de pagar, de uma vez por todas, pelos vossos atos.

 

            - E é o senhor avô que nos vai ensinar essa lição, é? – Gale colocou a língua de fora. – Reforme-se, velho chato!

 

            - Torkoal, prepara-te. Vamos ensinar uma lição a estes dois patifes.

 

            Do outro lado do local, duas Poké Balls voltaram a ser lançadas, desta vez revelando as figuras de Purrloin e Sableye, que de imediato se colocaram em posição de ataque.

 

            - Fake Out.

 

            - Shadow Sneak.

 

            - Protect!

 

            A barreira de energia criada por Torkoal protegeu toda a área que envolvia os corpos dos três treinadores e dos seus Pokémon e o próprio Líder de Ginásio, anulando por completo as técnicas adversárias.

 

            - Entreguem-se! – Kabu voltou a gritar.

 

            - Nunca! – Carter respondeu, utilizando de novo o seu megafone. – Sableye, Night Shade.

 

            - Purrloin, combina o teu Sand Attack!

 

            O corpo de Sableye brilhava à medida que o Pokémon reunia energia ao redor do seu corpo. Depois de agrupar a sua potência máxima, a técnica explodiu em forma de ondas de escuridão, acompanhadas por grãos de areia lançados por Purrloin.

 

            Por longos segundos, a visão de todos os presentes ficou adormecida. Os três amigos aproximaram-se uns dos outros, certificando-se que estavam todos juntos, enquanto Kabu olhava em volta, em vão. Quando a escuridão cessou, as figuras de Carter e Gale já não se encontravam presentes no local. O Líder de Ginásio bateu com os pés no chão, frustrado.

 

            - Como é possível?! – gritou.

 

            - Senhor, a culpa não é sua… - murmurou Gloria, tentando acalmar o homem desconhecido.

 

            - Eles são profissionais em desaparecer sem deixar rasto. – apoiou Victor. – O senhor fez tudo o que podia.

 

            - Por favor, não me chamem «senhor», fazem-me sentir ainda mais velho do que eu realmente me sinto… - bufou, olhando para o chão. – Eles não deveriam ter fugido! Eu vim até aqui com o objetivo de os apanhar. Terei de comunicar este incidente ao Presidente Rose. Que lamentável!

 

            - E como é que chegou até aqui? – questionou Hop. – Quer dizer, como é que descobriu que a Team Yell estava aqui?

 

            - Recebi várias chamadas e denúncias de mineiros que relatavam movimentos estranhos na Galar Mine Number 2. No início, pensei que fossem apenas Treinadores Pokémon curiosos, mas afinal eram mesmo estes patifes. – suspirou. – Talvez se eu tivesse chegado mais cedo a situação fosse diferente.

 

            - Essas suposições não fazem diferença agora. O que interessa, é que o senhor Kabu veio até aqui e conseguiu salvar-nos. – a rapariga sorriu. – E, por isso, devemos agradecer-lhe.

 

            - Eu fiz apenas o meu papel enquanto Líder de Ginásio. Felizmente, consegui tirar uma tarde de folga entre tantos desafios.

 

            - Na verdade, nós estávamos a regressar a Motostoke para o desafiar. – disse o moreno.

 

            - E só de observar este Torkoal indestrutível, diria que a disputa vai ser acesa. – o gémeo soltou um pequeno riso.

 

            - Com certeza! Ficarei feliz em receber-vos no Motostoke Stadium. Estamos a realizar diferentes Gym Missions do habitual, para tentar aumentar a velocidade das disputas. O número de Treinadores Pokémon este ano é ridiculamente grande. – voltou-se para o Fire-Type, que o escutava em silêncio. – Este amigo já me acompanha há vários anos, sabem? O seu poder é quase automático. – explicou, numa voz mais doce do que o habitual.

 

            - Torkoal, um Pokémon Fire-Type. – disse o Rotom Phone de Victor. – Queima carvão para queimar no interior da sua carapaça, gerando energia no seu corpo.

 

            - Mal posso esperar para combater consigo! – exclamou Hop, entusiasmado.

 

            - Já agora, quais são os vossos nomes? – o senhor perguntou.

 

            - Victor.

 

            - Eu sou a Gloria.

 

            - E o meu nome é Hop!

 

            - Ótimo… - murmurou. – Vou tentar não me esquecer para quando nos voltarmos a encontrar. Agora tenho de ir, Motostoke chama por mim. – fez uma pequena pausa, olhando em volta. – E, já agora, se querem um conselho, passem a noite por aqui. À noite, as redondezas da cidade tornam-se perigosas. E acho que vocês já tiveram incidentes suficientes por agora.

 

            - Obrigado. – afirmou a rapariga.

 

            - Vamos ter cuidado. – disse o gémeo.

 

            - Até breve, senhor Kabu! – acenou Hop.

 

            Enquanto o Líder de Ginásio de Motostoke Stadium se afastava acompanhado pelo seu Torkoal, Victor, Gloria e Hop procuravam um local minimamente seguro para pernoitarem no interior da Galar Mine Number 2.

 

            Auxiliados pelos seus Pokémon, os três começaram a montar tendas de viagem por uma zona plana e limpa, protegida por vários rochedos ao seu redor. A alguns metros daquela zona, existia um pequeno lago, onde se poderiam refrescar ou simplesmente adorar o reflexo dos cristais brilhantes que, naquela noite, iluminariam os sonhos dos viajantes. Apesar de não terem o conforto habitual, todos se felicitavam por continuarem juntos e em segurança, por mais que o perigo e o medo insistissem em ameaçá-los.


                  


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  1. Sempre gostei muito de capítulos onde um gym leader aparece para salvar o dia. São bem comuns em fanfics desde que eu me lembro (não num sentindo ruim) e é algo que eu aprecio imenso. Obrigado por mais um capitulo incrível!

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    1. É verdade, sim! É uma fórmula que acaba por resultar bem, pois aproxima os protagonistas (e também o leitor) do próprio Líder de Ginásio. Em Aventuras em Galar, Kabu é o estreante deste formato, desta vez para enfrentar a Team Yell. Vamos ver quem se segue.

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