Capítulo 26

 

            Na costa este da região de Galar, o oceano infinito encontrava as terras de uma grande ilha, com pequenos arquipélagos à sua volta. Isle of Armor era o nome daquela localidade, que dava continuidade à famosa região. A ilha era composta por praias banhadas por ondas calmas, florestas por descobrir, pântanos que serviam de habitat a diversas espécies Pokémon, grutas sombrias recheadas de passagens secretas e diversas dunas de areia.

 

            Em Isle of Armor, os Pokémon habitavam de forma livre e pacífica. Devido à grande variedade de ambientes e atmosferas, o local de habitat variava de acordo com a preferência de cada espécie. O clima e a temperatura daquela região mudavam periodicamente, no entanto, raramente nevava graças às altas temperaturas que por ali se faziam sentir.

 

            Na zona mais a sul de Isle of Armor, encontrava-se Fields of Honor. Era um enorme descampado de natureza onde, junto à praia, vários Pokémon Water-Type brincavam com jatos de água. O caminho continuava por um campo verdejante, onde várias espécies viviam de forma harmoniosa.

 

            No topo da colina, um edifício fazia-se erguer. A construção assentava em pilares escuros e paredes coloridas de lilás. No telhado, construído em telha laranja, estava presente a figura de um Pokémon da região de Isle of Armor. Numa tabuleta em madeira, por cima da porta de entrada do edifício, podia ler-se “Master Dojo”.

 

            O edifício era composto por dois andares. No primeiro, encontrava-se a receção devidamente decorada, que dava passagem para o grande salão do ginásio. Vários instrumentos de treino para humanos e Pokémon estavam espalhados pelo local. No centro, um grande recinto de batalha de pavimento azul ganhava forma, pronto para receber qualquer disputa. As escadas presentes na receção do estabelecimento conduziam até ao andar superior, onde se encontravam os aposentos de quem por ali decidisse permanecer. Existiam vários quartos com casa de banho privada e uma grande cozinha comum com todos os equipamentos necessários para a confeção de refeições.

 

            Naquele momento, uma turma de jovens adolescentes alinhava-se no interior do ginásio. Os quinze alunos vestiam uniformes distintos e os seus rostos carregavam expressões sérias e pensativas. Do outro lado da divisão, a figura de um homem idoso encarava os jovens. Vestia um casaco verde com listras escuras nas mangas e o símbolo de uma pata azul junto ao peito. Entre o casaco e as calças brancas, era possível avistar um pouco do tecido amarelo da camisola que o homem vestia. Os seus sapatos eram castanhos e, no topo da cabeça, segurava um chapéu preto com apontamentos verdes, da mesma cor do casaco.

 


            Os olhos entreabertos de Mustard observavam as crianças silenciosas. A sua boca desenhava um sorriso simpático, transmitindo paz e segurança aos mais novos. As sobrancelhas pequenas e cumpridas que desciam pelo seu rosto destacavam a sua figura idosa, mas, simultaneamente, sábia.

 

            - F’nalmente chegámos aqui, jovenzinhos. – anunciou, abrindo os braços ao lado do tronco. – Fôram longos mezes de trênos e combates, onde testaram az vossas capacidades como jovens aprendizes. Mas hoje, vamoz a ver quem está realmente pronto para dar início à sua jornada por Galar. Qual de vocês se vai tornar num verdadeiro Treinador Pokémô? – perguntou, sem esperar qualquer resposta do outro lado. – O desafie é bastante simplê. Terão de usar os Pokémôn que conseguiram capturar durante a vossa estadia em Isle of Armor para me enfrentarem num combate! Se ganharem, entoum parabêns! Caso contrário, é sinal q’ainda há algo a melhorar. – o homem fez uma pausa e olhou em volta, pensativo. – Ah certo… - murmurou. – Independentemente do resultade de cada um, o Presidente Rose d’cidiu celebrar a vossa participaçaum no Curso Preparatório do Master Dojo oferecendo um presente a vocemecês. – o homem fez sinal para que os dois assistentes do estabelecimento entrassem da divisão. Os dois trabalhadores aproximaram-se e começaram a distribuir um pequeno objeto eletrónico a cada jovem. – Isso é um…

 

            - Rotom Phone! – a voz de uma rapariga exclamou pelo local. Os seus olhos brilhavam ao tocar no aparelho.

 

            - Isso, isso! – riu o homem. – Eu nã percebo grande côsa, mas isso mostra muitas informaçôs que vos podem ser úteis. – fez uma curta pausa, enquanto os mais novos guardavam o seu novo presente e voltavam a concentrar a sua atenção no seu discurso. – Muito bê. Vamos lá entaum começar c’os combates.

 

            Enquanto Mustard se dirigia para um dos lados do recinto de combate, um dos assistentes posicionou-se junto à linha lateral do campo, segurando um bloco de notas e uma caneta.

 

            - Eu vou ser o árbitro dos combates de hoje. – anunciou. – Iremos seguir uma ordem alfabética para uma organização mais coesa. – explicou, passando o dedo indicador pela folha do caderno que segurava. – O primeiro aluno a desafiar Mustard será… Avery.

 

            De entre a fila de alunos, um rapaz deu um passo em frente, ocupando o lado contrário do recinto de combate. O seu cabelo louro e comprido chegava até ao fundo das costas, no entanto, o que mais se destacava na sua figura era um alto chapéu preto que usava. À sua volta, várias Poké Balls levitavam magicamente. Vestia um uniforme colorido em tons de roxo e com diversos apontamentos em azul, vermelho e amarelo. Calçava uns sapatos pretos e usava meias compridas até aos joelhos. Os seus olhos azuis observavam, por entre as lentes dos óculos redondos, a figura de Mustard.

 


            - Avery… - murmurou o homem. – O mágico q’sonha ser especialista em Pokémô Psychic-Type! – exclamou.

 

            - Eu não sou mágico. – corrigiu o rapaz, num tom áspero. – A minha família é especialista em tudo o que diz respeito aos Psychic-Type. Mas, por alguma razão, eles são da opinião que os meus dotes ainda não estão devidamente desenvolvidos. Mesmo com estas Poké Balls a levitar à volta do meu chapéu. – lamentou.

 

            - Oh, rapaze… cada família tem as suas complicações. Mas não deixes que isso guie o teu caminho.

 

            Avery engoliu em seco. Fora precisamente o contrário que acontecera durante o período daquela experiência em Isle of Armor. Todos os comentários negativos da sua família assombraram-no diariamente. Devido a esse problema, não conseguira criar qualquer relação com os outros alunos e tinha capturado apenas um único Pokémon. Era difícil para um rapaz tímido e inseguro criar qualquer tipo de ligação com um ser vivo. Por isso, ele preferia manter-se afastado dos outros e, ao mesmo tempo, manter os outros também afastados. Assim, não teria de lidar com qualquer tipo de desilusão que pudesse ferir os seus sentimentos frágeis.

 

            - Vou tentar. – mentiu.

 

            - Vamos lá ver… quantos Pokémô conseguiste capturar durante a tua estadia por aqui?

 

            - Um. – disse.

 

            - Apenas um?

 

            - Sim. E devo confessar que a sua captura e respetivo treino foram processos bastante desafiantes.

 

            - Muito bê. Estô curioso p’ra ver o que vem daí.

 

            - Será um confronto de um contra um. Quando um Pokémon de um dos lados estiver inconsciente, o outro vence. – explicou o assistente. – Preparem-se para iniciar a disputa. – o árbitro levantou os braços no ar e, logo a seguir, voltou a baixá-los. – Comecem!

 

            Mustard lançou uma Poké Ball ao ar, revelando a figura de um pequeno felino. O gato de quatro patas e pelo bege segurava-se de pé, observando o espaço à sua volta. Os seus olhos grandes observavam tudo com a máxima atenção, ao mesmo tempo que o felino abriu a boca, revelando dois dentes afiados, prontos para atacar quem o ameaçasse. No topo da cabeça, o Pokémon segurava uma medalha brilhante e, dos lados, duras orelhas pretas e castanhas escutavam tudo atentamente.

 


            Do outro lado do recinto, Avery fez uso do presente que acabara de receber.

 

            - Meowth Kantonian Form, um Pokémon Normal-Type. – falou o Rotom Phone. – Lava a sua cara regularmente para manter a medalha no topo da cabeça brilhante. Adora colecionar coisas que brilham. Se confiar no seu treinador, é capaz de lhe mostrar a sua coleção de tesouros.

 

            - Este piquenote já m’apanhou grandes achados! – riu o homem, esboçando um sorriso de orgulho. – Foi o meu primeiro Pokémô, na verdade. Decidi até marcar a sua patinha aqui. – apontou para a pegada que se demarcava no casaco que usava. – Comigo pr’a sempre.

 

            Avery continuou de rosto fechado. Apesar daquela história lhe parecer sentimental e emocionante, não conseguia desenvolver qualquer tipo de empatia por uma relação como aquela. Pensava se algum dia teria uma ligação tão forte com um Pokémon como Mustard tinha com Meowth. Era difícil imaginar uma coisa daquelas a acontecer consigo.

 

            Depois de voltar à realidade, o rapaz levantou a mão no ar e fez com que uma das Poké Balls que levitava à volta do seu chapéu se dirigisse para a palma da sua mão. Os restantes alunos ficaram surpresos ao ver tal feito, no entanto, Mustard permaneceu em silêncio, observando atentamente os movimentos curiosos do jovem.

 

            Arremessou finalmente a esfera para o centro do campo, revelando o corpo amarelo de uma figura bípede. O Pokémon permanecia de olhos fechados. Parecia que dormia, enquanto o seu corpo levitava harmoniosamente no ar. O seu peito castanho parecia ser protegido com uma armadura e a sua cauda comprida destacava-se do resto do corpo.

 


            Com alguma dificuldade, Mustard rendeu-se à nova tecnologia e utilizou também o Rotom Phone, com o intuito de encontrar informações sobre a pequena criatura.

 

            - Abra, um Pokémon Psychic-Type. – falou o robô. – Usa os seus poderes psíquicos enquanto dorme. Os seus sonhos afetam o poder dos seus ataques. Quanto mais tempo dorme, mais rápido e eficaz se torna o seu poder de teletransporte.

 

            - Um Pokémô munto curioso! – exclamou o mais velho.

 

            - E forte também.

 

            - Vamoz’a vere… - Mustard esticou o braço para a frente. – Fake Out.

 

            Meowth saiu disparado na direção de Abra. O pequeno felino bateu as duas patas dianteiras em frente ao corpo de Abra, soltando uma onda de choque por todo a área, atingindo o Psychic-Type, que fora arremessado contra uma das paredes do edifício. Os alunos que testemunhavam o combate soltaram exclamações de surpresa, chocados com tamanho poder de Mustard e do seu Pokémon.

 

            - O Mustard não perde tempo. – comentou Avery, enquanto Abra se recompunha, voltando a levitar pelo ar acima do solo de olhos fechados.

 

            - Nã posso. Há muitos alunos p’ra combater. – riu. – Growl.

 

            Meowth correu às voltas no recinto, soltando um miar estridente, responsável por diminuir o poder de ataque do adversário. Por sua vez, Abra permanecia imóvel e adormecido, sem lançar qualquer ataque.

 

            - É só isso? – provocou o jovem.

 

            - Qual é o tê plano? Nã vão atacare? – a pergunta de Mustard não encontrou qualquer resposta de Avery. O rapaz permaneceu de rosto trancado, observando em silêncio o rosto do mais velho. – Muito bê… Scratch.

 

            - Protect.

 

            As garras de Meowth começaram a reluzir, ao mesmo tempo que a criatura começava a correr na direção do adversário. No entanto, do outro lado, Abra, adormecido, preparava a sua barreira de defesa, impedindo que qualquer ataque chegasse até ele. Apesar dos esforços do felino, o Psychic-Type fora mais rápido a construir a sua proteção.

 

            - Muito bê… Habitualmente Pokémon da espécie do Abra nã desenvolvem muitos ataques, mas ‘tou a ver que t’esforçaste. – apontou Mustard.

 

            - Isto ainda não é nada. – a voz de Avery permanecia calma e serena, transmitindo tranquilidade apesar do momento de tensão. – Abra, ataca.

 

            Sem nomear qualquer ataque, o Psychic-Type abriu pela primeira vez os seus olhos, encarando a figura de Meowth, que se surpreendeu. Num rápido movimento, o corpo de Abra levitou até ao felino, que acabou atingindo pelo punho do Pokémon de Avery. Drain Punch era um movimento super-efetivo contra a criatura de Mustard, que caiu no chão em dor. Enquanto Meowth perdia energia, Abra recuperava-a, voltando a ganhar a energia anteriormente perdida.

 

            - Um ataque Fighting-Type. Perfêto! – exclamou o diretor do Master Dojo, levantando os braços no ar.

 

            - Quando percebi que o Mustard era especialista em Pokémon Normal-Type, concluí que deveria investir numa técnica com vantagem. Felizmente, o Abra é um ótimo aluno.

 

            - Aprende rápido, como tu, né? – sorriu. – Maz isto ainda nã acabó! Meowth, Bite.

 

            - Teleport.

 

            Os rápidos movimentos do felino não eram suficientes para alcançar a velocidade psíquica de Abra. O Pokémon de Avery escapou várias vezes ao ataque do adversário, aparecendo e reaparecendo em direções opostas do campo de batalha. Meowth, por sua vez, começava a ficar cansado com tanta corrida.

 

            - Nã desistas até o apanhares! – gritou Mustard com os olhos postos em Abra. – Eles nã vã fugire p’ra sempre!

 

            Mustard tinha razão. O teletransporte de Abra não durou muito mais. No entanto, o Psychic-Type tinha várias estratégias ao seu alcance. Uma barreira de proteção voltou a ser erguida à sua volta e, novamente, a técnica Protect impediu o ataque de Meowth, que caiu no chão estafado.

 

            - Oops. – soltou o jovem.

 

            - Entã é assim? Vão ficar fechados e isolados de todos p’ra sempre? – Mustard parecia também cansado.

 

            - Vamos ficar o tempo que for necessário. Enquanto os outros se cansam, nós recarregamos o nosso poder. – Avery fez uma pausa. – E depois, quando menos esperam… voltamos a atacar.

 

            No segundo em que a barreira de proteção se dissolver no ar, Abra voltou a acordar do seu sono profundo, precipitando-se na direção de Meowth. Outro Drain Punch foi desferido contra o corpo do pequeno felino, que foi lançando ao ar, aterrando no centro do campo de batalha. Mustard deixou o seu queixo cair por longos segundos, ao mesmo tempo que a plateia de alunos se surpreendia com o resultado final.

 

            - Meowth está inconsciente. – anunciou o árbitro, levantando um braço no ar. – Do outro lado do campo de batalha, Abra mantém-se de pé. Avery é o vencedor do combate!

 

            Alguns aplausos fizeram-se ouvir no local. Avery esboçou um tímido sorriso no rosto enquanto observava a figura de Abra. Pela primeira vez, tinha conseguido completar um dos seus vários objetivos. Fazer um Pokémon conduzi-lo à vitória. Estava orgulhoso de si e do seu companheiro. Recuperou o corpo do Psychic-Type para o interior da Poké Ball e depois voltou o seu rosto para a figura de Mustard, que também guardava a esfera onde Meowth descansava.

 

            - Admito q’substimei a tua estratégia, rapaze. – falou. – Nã é por seres de poucas palavras q’também és de poucas idêas. Pelo contrário, aliás… Nã deixes que voltem a duvidare das tuas capacidades com’eu o fize. E parabéns! Concluíste o Curso Preparatório do Master Dojo. És, oficialmente, um Treinador Pokémô!

 

            Os olhos de Avery brilharam momentaneamente. Ouvir aquelas palavras era tudo o que ele queria há vários meses. Era sinal de todo o trabalho, esforço e dedicação que realizara desde que chegara a Isle of Armor. No fundo, era o marcar de uma viragem na sua vida. Para trás, ficavam as opiniões negativas da sua família em Ballonlea e, para a frente, o seu desenvolvimento e crescimento psíquico.

 

            - Obrigado. – murmurou, sorrindo.

 

• • •

 

            Vários combates se sucederam durante o resto do dia no interior do Master Dojo. Alguns dos alunos ficaram pelo caminho, outros chegaram até à meta final. Mustard, por sua vez, continuava, incansavelmente, a liderar a sua equipa recheada de diferentes espécies de Pokémon Normal-Type.

 

            - O próximo aluno a defrontar Mustard é… - o árbitro voltou a posicionar-se na linha lateral do campo de batalha, observando atentamente o seu bloco de notas. – Klara!

 

            Uma rapariga de cabelo curto e rosa deu vários passos em frente, parando do lado oposto do campo de combate. O seu rosto claro era iluminado pelo sorriso radiante e convidativo, enquanto os seus olhos azuis observavam o adversário mais velho. A jovem vestia um uniforme em tons de roxo e verde, coberto por um casaco de penas branco e, no topo da cabeça, destacava-se um grande laço colorido.

 


            - Estou aqui! – anunciou numa voz firme e excitada.

 

            - O uniforme Poison-Type fica-te bê. – elogiou Mustard.

 

            - Obrigado pelo presente, senhor. – respondeu, de forma honesta. – Adorei!

 

            - Segundo os mê conheciment’s, a tua estadia p’la Isle of Armor foi muito bê sucedida. É verdade?

 

            - Penso que sim. – sorriu. – Fiz imensos novos amigos, capturei os meus primeiros três Pokémon e sinto que estou no caminho do estrelato!

 

            - Estrelato? – repetiu o mais velho.

 

            - Sim. Eu adoro cantar, sabe? E espero um dia poder ser famosa. – revelou, num tom sonhador. – Piers, o Líder de Ginásio de Spikemuth, a minha cidade natal, aconselhou-me a não desistir! Ele também tem uma banda, sabe? Então é uma grande inspiração para mim. E, claro… espero que os meus Pokémon Poison-Type me possam ajudar neste percurso.

 

            - Az estrelas musicaiz dormem até tarde? – perguntou. – É que os relatórios q’me chegaram explicavam q’tu eras sempre a última a acordar e a fazer as missõez diáriaz…

 

            - Sabe Mustard… uma estrela precisa de descansar antes de brilhar! – exclamou, esboçando um sorriso forçado.

 

            - Co’certeza… - murmurou o mais velho. – Então, achaz q’tás pronta pr’a nossa derradeira batalha? Será q’a tua estrela ‘tá pronta para se tornar numa Treinadora Pokémô e viajar por Galar?

 

            - Obviamente! – exclamou Klara, levantando o braço no ar.

 

            A energia da jovem era tão contagiante que todos os outros alunos soltaram exclamações de entusiasmo e de apoio. Até mesmo Avery, o mais recatado do grupo, parecia entusiasmado para ver a rapariga em ação.

 

            - Muito bem. – o árbitro levantou os dois braços no ar. – Podem ser usados três Pokémon de ambos os lados. O primeiro a ficar sem Pokémon perde, o outro vence. – explicou. – Prontos? Comecem!

 

            Do lado de Mustard, a Poké Ball lançada revelou um pequeno urso de pelo acastanhado. As suas orelhas redondas escutavam tudo atentamente, ao mesmo tempo que os olhos pequenos e pretos observavam as redondezas. No topo da cabeça, o seu pelo desenhava a forma de uma lua num tom amarelado.

 


            - Teddiursa, um Pokémon Normal-Type. – falou o Rotom Phone que Klara segurava. – Quando encontra mel, a sua marca em forma de lua começa a brilhar. Esconde comida em locais diferentes para se poder abastecer durante as estações do ano mais desafiantes.

 

            A jovem arrumou o aparelho eletrónico no bolso do seu casaco, de onde retirou também uma Poké Ball. Depois de a lançar para o centro do recinto, um inseto de cor magenta apareceu. Os seus olhos amarelos destacavam-se do resto corpo, assim como os seus espinhos venenosos.

 


            - Venipede, um Pokémon Bug-Type e Poison-Type. – informou, desta vez, o Pokédex de Mustard. – As suas presas são altamente venenosas. Se encontra alguma criatura possível de se tornar seu alimento, ataca-a sem pensar duas vezes. É brutalmente agressivo.

 

            - Muito bê, super-estrela. Podem começar a atacar! – exclamou Mustard.

 

            - Sendo assim, Defense Curl.

 

            Venipede envolveu o seu corpo e rebolou pelo solo, aumentando o seu poder de defesa. Mustard observou o movimento da criatura atentamente.

 

            - Rápido e com alta defesa… - murmurou. – É melhor c’meçarmoz já a atacare, Teddiursa! Fury Swipes.

 

            O pequeno urso precipitou-se na direção do adversário, arranhando-o múltiplas vezes com as suas garras. Apesar dos vários arranhões, a alta defesa de Venipede preveniu danos mais graves.

 

            - Aproveita que ele está próximo. Rollout.

 

            Venipede voltou a envolver o seu corpo, rebolando pelo chão do recinto de combate, desta vez, atingindo o corpo de Teddiursa e atacando-o com uma forte placagem. O pequeno urso levantou-se, com várias feridas pelo corpo.

 

            - Baby-Doll Eyes!

 

            Teddiursa parou a meio do recinto. Agora, o rosto segurava uma expressão calma a tranquila, à medida que os seus olhos penetravam os de Venipede. Vários corações começaram a flutuar pelo ar, envolvendo as duas criaturas. Daquela maneira, o Normal-Type diminuía o poder de ataque do adversário, aumentando o seu próprio poder de defesa.

 

            - Isso não serve de nada! – exclamou Klara. – Poison Sting!

 

            As tentativas de atacar Teddiursa com a presa venenosa foram em vão, pois o Normal-Type escapou várias vezes ao ataque do Poison-Type. Por sua vez, o pequeno urso contra-atacou com Lick. A linguada ordenada por Mustard foi responsável por deixar Venipede paralisado, causando-lhe algum constrangimento nos seus movimentos.

 

            - Feint Attack! – exclamou Mustard.

 

            - Usa Protect!

 

            Teddiursa começou a correr na direção de Venipede, desaparecendo e voltando a aparecer em direções opostas do campo. Ao mesmo tempo, o Poison-Type combatia-se para erguer uma barreira de proteção à sua volta, no entanto, o movimento parecia impossível de realizar graças à paralisia do seu corpo. Quando o ataque de Teddiursa atingiu o seu corpo, Klara percebeu que era demasiado tarde para tentar contra-atacar. O corpo do Pokémon rebolou pelo recinto e caiu inanimado aos pés da jovem. Do outro lado do campo, no entanto, o Normal-Type não parecia imune ao veneno do adversário. A habilidade de Venipede, Poison Sting, marcou o final da primeira ronda da batalha.

 

            - Venipede está fora de combate! – anunciou o assistente do Master Dojo. – Klara pode usar apenas mais dois Pokémon.

 

            A jovem de cabelo rosa recuperou o corpo do seu Pokémon para o interior de esfera bicolor. O seu rosto parecia mais sério do que o normal. Afinal, pensava que poderia vencer a disputa de uma forma mais fácil do que imaginara. No entanto, ela não podia esquecer que estava a enfrentar o antigo Campeão de Galar. Certamente, não poderia subestimar o poder dos seus Pokémon, por mais amigáveis que pudessem parecer.

 

            - Isto não quer dizer nada. – disse, dando uma vista de olhos ao grupo de alunos. – Vamos continuar!

 

            A segunda Poké Ball lançada revelou o corpo de um pequeno roedor de pelo azulado. As orelhas eram grandes e pontiagudas e as suas presas afiadas estavam prontas para atacar. Os seus olhos encarnados observavam o adversário do outro lado do recinto.

 


            - Nidoran Fêmea, um Pokémon Poison-Type. – anunciou o Pokédex de Mustard. – Tem o olfato altamente apurado, usando-o a seu favor em confrontos com predadores. Usa as suas presas para esmagar e comer Berries.

 

            - Hm… Pouco ipressionâte. – murmurou o homem.

 

            - Poison Sting.

 

            Nidoran saiu numa investida contra o corpo de Teddiursa, atingindo-o com o seu espinho venenoso e fazendo o Normal-Type desequilibrar-se e cair para trás. O Pokémon de Mustard não tardou a perder os sentidos. A disputa estava, de novo, equilibrada.

 

            - Teddiursa está fora de combate. – anunciou o árbitro. – Restam mais dois Pokémon para Mustard.

 

            - Afinal impressionamos um pouco. – riu Klara, felicitando a sua Pokémon que soltou grunhidos de exclamação.

 

            - Vamoz’a ver como se saem com este mê amigo!

 

            Depois de recuperar o corpo desmaiado de Teddiursa para o interior da Poké Ball, o velho lançou outra esfera para o meio do campo, revelando o corpo de um pequeno macaco. O seu pelo era roxo e bege, no entanto, o que mais chamava a atenção era a sua cauda em forma de mão. A boca permanecia aberta, esboçando um grande sorriso enquanto os seus grandes olhos observavam tudo atentamente.

 


            - Aipom, um Pokémon Normal-Type. – disse o Rotom Phone de Klara. – Com o tempo, começa a utilizar cada vez mais a sua cauda como forma de ataque, esquecendo as suas mãos. Adora caçar presas no topo das árvores.

 

            - Parece fofo! – exclamou a jovem.

 

            - Sant Attack! – ordenou o diretor do Master Dojo.

 

            Com a ajuda da sua cauda, o pequeno macaco escavou no recinto de combate, atirando várias camadas de areia na direção de Nidoran, que se esquivara a tempo, contra-atacando com Scratch.

 

            - Muito bem! – exclamou a jovem, observando o desempenho da Poison-Type depois de atingir o adversário.

 

            - Astonish.

 

            Aipom começou a correr pelo recinto em círculos, aproximando-se lentamente da figura de Nidoran, que se surpreendeu, assustada com o rosto horrorizado feito pelo adversário.

 

            - Não a assustes assim! – reclamou a jovem. – Growl.

 

            O som provocado pelo Nidoran diminuiu o poder de ataque de Aipom. No entanto, o macaco fez uso da sua mão para fazer cócegas ao Poison-Type. Tickle era responsável por diminuir igualmente o poder de ataque e de defesa do adversário do outro lado do campo.

 

            - Nidoran, vamos despachar isto! Poison Sting! Potência máxima!

 

            A pequena roedora reuniu toda a sua energia naquele momento e saiu disparada na direção de Aipom. O macaco ainda tentou esquivar-se da técnica venenosa, no entanto, o ferrão de Nidoran penetrou o seu corpo. O veneno espalhou-se de imediato e a técnica surtiu o efeito pretendido.

 

            - Aipom está fora de combate! – o árbitro levantou o braço, observando o corpo do Pokémon desmaiado no chão. – Resta apenas um Pokémon da equipa de Mustard.

 

            - Afinal ‘tava enganado. Essa tua Nidoran é realmente forte.

 

            - Obrigado por reconhecê-lo, senhor. – sorriu a jovem.

 

            Mustard retrocedeu Aipom para o interior da cápsula esférica. Depois, baixou ligeiramente a cabeça, refletindo um pouco em silêncio sobre o último Pokémon que iria usar naquele confronto. Por fim, pegou numa Poké Ball e arremessou-a ao ar.

 

            Uma pequena chinchila apareceu no recinto de combate. O seu pelo comprido em tons bege contrastava com os olhos grandes e escuros. A cauda longa destacava-se de toda a sua figura.

 


            - Minccino, uma Pokémon Normal-Type. – Usa a sua cauda comprida para limpar tudo o que encontra, mas também para atacar os seus adversários.

 

            - Que querida! – exclamou Klara, esquecendo-se, por momentos, do confronto que continuava a decorrer.

 

            - É uma b’leza! Olha só… Sing!

 

            Minccino abriu a sua boca, expulsando uma melodia de embalar hipnotizante. Todos os presentes colocaram as mãos nos ouvidos, à exceção da pequena Nidoran, que caiu redonda no chão.

 

            - Não! – exclamou a jovem aprendiz, observando a Pokémon adormecida.

 

            - Sim! – gozou o homem. – Termina com Swift.

 

            Num salto, a chinchila rodopiou no ar, soltando um raio de estrelas brilhantes que atingiu a Nidoran adormecida em cheio. Por fim, a Poison-Type contorceu-se e o seu corpo perdeu os sentidos.

 

            - Oh não! – choramingou Klara, colocando as mãos à frente do rosto.

 

            - Lamento… mas a ‘quenita Nidoran já ‘tava a fazer mutos estragos.

 

            Klara respirou fundo, tentando acalmar-se. Apesar de Nidoran ter sido a responsável por eliminar dois dos Pokémon de Mustard, agora o número estava empatado. E tudo podia acontecer.

 

            Depois de retroceder o corpo da Poison-Type para a Poké Ball, a jovem lançou ao ar a última esfera que tinha em sua posse. Um pequeno cavalo-marinho apareceu no recinto. O exterior do seu corpo coloria-se em tons acastanhados, enquanto as escamas interiores eram roxas. As barbatanas laterais eram azuis e os seus olhos encarnados destacavam-se do resto da figura.

 


            - Skrelp, um Pokémon Poison-Type e Water-Type. – falou o robô que Mustard segurava na mão. – Flutua no oceano, camuflando-se nas algas. Desta forma, consegue atacar as presas que procuram alimento e também esconder-se dos seus predadores.

 

            - Última ronda. – anunciou Mustard. – ‘Tão pronts?

 

            - Isso perguntamos nós! – Klara exclamou, do outro lado do campo. – Smokescreen!

 

            Skrelp abriu a boca e lançou uma cortina de fumo responsável por bloquear a visão dos dois Pokémon dentro do campo de combate.

 

            - Minccino, tenta atacare c’Pound.

 

            A investida da pequena chinchila, no entanto, foi em vão. Do outro lado, o cavalo-marinho conseguiu reconhecer a figura do Normal-Type no meio do fumo, atingindo-o com Tackle.

 

            - Toma lá! – exclamou a rapariga.

 

            - Usa Echoed Voice p’ra afastar ete fumo!

 

            Minccino deixou escapar um alto grito, fazendo o fumo afastar-se com as fortes ondas de som. Naquele momento, conseguia ver, claramente, a figura do Poison-Type alguns metros à sua frente enquanto era atingido pela técnica usada.

 

            - Vamos aguentar de forma firme! – incentivou Klara, enquanto Skrelp se levantava do chão, recompondo-se do ataque. – Acid.

 

            Um jato de ácido roxo foi disparado na direção de Minccino, que escapou mesmo a tempo de ser atingido, contra-atacando com Pound. O cavalo-marinho desequilibrou-se e rebolou alguns metros no chão.

 

            - Muto bê! – celebrou Mustard.

 

            - Water Gun!

 

            Desta vez, a pistola de água lançada por Skrelp atingiu a figura de Minccino que, de imediato, ficou incomodado com o seu pelo encharcado.

 

            - Vamoz’a treminare c’isto! – ordenou o mais velho. – Sing.

 

            - Bloqueia com Acid!

 

            Quando o Normal-Type se preparava para início à sua melodia hipnotizante, o jato de ácido disparado por Skrelp atingiu a sua boca. Para além de cancelar a técnica, o veneno infiltrou-se no organismo de Minccino de forma imediata e fulminante, fazendo com que o Pokémon caísse redondo no chão, inconsciente.

 

            - Minccino está fora de combate! – exclamou o árbitro. – Os três Pokémon de Mustard estão inconscientes. Desta feita, Klara é a vencedora da disputa!

 

            Uma onda de aplausos invadiu o local. Klara sentiu o seu corpo aquecer, enquanto corria para abraçar o seu companheiro. Sorriu e acenou para os amigos, enquanto do outro lado do recinto Mustard retrocedia o corpo de Minccino para o interior da sua Poké Ball.

 

            - Ora bê… - murmurou. – Afinal os Pokémô Poison-Type sã fortes, hein?

 

            - Parece que sim. – sorriu a jovem.

 

            - Cô certeza q’si! Esses tês três amigues revelaram uma grande força. Graças aos bons ensinamentos q’tu lhes passastes, certamente.

 

            - Espero que sim… - respondeu.

 

            - Klara… tenh’a certeza q’esse tê brilhe vá chegar bê longe. Vais brilhar, estrelinha! Muitos parabês, terminastes o Curso Preparatório do Master Dojo com sucesso. És, oficialmente, uma Treinadora Pokémô!

 

            A jovem pulou de alegria, deixando escapar grunhidos de excitação. A felicidade que sentia era enorme, e o orgulho que tinha dos seus companheiros Pokémon era indescritível. Parecia que o seu sonho estava cada mais próximo. No entanto, o caminho estava agora mesmo a começar.

 

• • •

 

            A chuva caía intensamente na Route 2, no sul de Galar. A água do rio que por ali passava corria a grande velocidade, enquanto alguns Pokémon procuravam abrigo entre arbustos, rochas e árvores que existiam no local.

 

            No interior do edifício que ali se erguia, Magnolia reconfortava-se de forma relaxada. A senhora permanecia sentada no sofá da sua sala, bebericando uma chávena de chá quente. Na mesma divisão, duas criaturas acompanhavam a idosa. Eram dois Pokémon bípedes e de características bastante semelhantes. Os seus corpos eram coloridos em tons de azul-escuro e branco, no entanto, alguns apontamentos diferenciavam os dois. O Pokémon do lado esquerdo tinha a parte inferior do seu corpo colorida em tons mais escuros, apresentava pequenas marcas azuis entre os seus olhos e tinha dois pequenos chifres levantados para cima. Do lado direito, a criatura tinha apontamentos cor-de-rosa à volta dos olhos, a parte inferior do seu corpo era colorida de branco e os seus chifres inclinavam-se para baixo.

 


            Os dois Pokémon, no entanto, sobressaltaram-se ligeiramente, pressentindo a presença de alguém próximo. Segundos depois, a campainha da casa tocou. Magnolia remexeu-se no sofá, pousou a caneca de chá sobre a mesa de madeira e levantou-se, caminhando na direção do som, até à porta de casa.

 

            A senhora tentou espreitar pelos vidros da grande entrada, mas a condensação da chuva não permitia reconhecer os dois vultos que se erguiam do outro lado. Não aguardava ninguém, no entanto, aquela poderia ser uma visita não planeada, como era de costume. A mulher respirou fundo e abriu, finalmente, a porta, dando de caras com dois jovens desconhecidos.

 

            - Boa tarde, jovens. – cumprimentou.

 

            - Professora Magnolia? – disse a rapariga de cabelo cor-de-rosa.

 

            - Sou eu mesma. – sorriu. – Em que vos posso ajudar?

 

            - Viemos de Isle of Armor. – o rapaz de cabelos louros e compridos falou num tom calmo. – O meu nome é Avery.

 

            - Eu sou a Klara. Concluímos o Curso Preparatório do Master Dojo com Mustard. Antes de iniciarmos a nossa viagem, ele disse que era obrigatória virmos conhecer a Professora Magnolia. – sorriu.

 

            - Oh… Mustard… - a mais velha esboçou um sorriso nostálgico. – É um prazer receber-vos, Avery e Klara. Por favor, entrem. Saiam debaixo dessa chuva.

 

            Os dois jovens assentiram e agradeceram a amabilidade da senhora. Entraram para o interior da casa, seguindo Magnolia até à sala, que fez sinal para que ambos se colocassem à vontade. De imediato, a atenção dos recéns treinadores recaiu sobre as duas criaturas presentes na divisão.

 

            - Indeedee Macho, um Pokémon Psychic-Type e Normal-Type. – indicou o Rotom Phone que Klara segurava. – Usa os chifres da sua cabeça para sentir as emoções dos outros. Alimenta-se de energia positiva.

 

            - Indeedee Fêmea, um Pokémon Psychic-Type e Normal-Type. – agora era Avery quem empenhava o Pokédex. – Toca nos chifres dos seus parceiros para partilhar informação. Alimenta-se através do sentimento de gratidão.

 

            - São os meus companheiros. – sorriu Magnolia.

 

            - Psychic-Type… - murmurou a jovem. – É a tua paixão, Avery.

 

            O rapaz sorriu em silêncio, observando as duas criaturas de forma calma, mas curiosa.

 

            - Paixão? – repetiu a mais velha.

 

            - Ah, sim. Eu quero especializar-me em Pokémon Psychic-Type. – disse, compondo o chapéu no cimo da sua cabeça.

 

            - Sim, normalmente ele faz as Poké Balls levitaram à volta da sua cabeça… mas talvez ver isso no meio da rua seja um pouco assustador. – riu Klara.

 

            - É um truque exclusivo para os momentos de batalha. – afirmou o rapaz, num ar misterioso.

 

            - Muito bem… para além de serem Psychic-Type, a espécie Indeedee também se destaca por ter duas formas distintas conforme o seu sexo. – explicou a professora.

 

            - Tal como os Nidoran! – apontou Klara. – Eu tenho uma fêmea.

 

            - Isso mesmo!

 

            - Eu quero focar-me nos Poison-Type. – explicou. – Já consegui capturar alguns durante a minha estadia em Isle of Armor.

 

            - Muito bem… vejo que temos muita coisa para conversar. – murmurou Magnolia. – Ainda há poucos dias um trio de jovens treinadores saiu daqui para iniciar a sua jornada… agora vocês os dois. A competição deste ano parece estar ao rubro! – exclamou, deixando escapar uma gargalhada.

 

            - Estamos prontos para tudo o que vier. – afirmou Avery.

 

            - E porque não pernoitam por aqui hoje? Quero ouvir todas as vossas histórias! Ah, e posso oferecer-vos Dynamax Bands que eu própria fabriquei… para além disso, está a chover lá fora e vocês precisam de abrigo, não é?

 

            - Dynamax… o quê?! – exclamou Klara, surpresa.

 

            - Já vos explico tudo… - a senhora esboçou um largo sorriso, revelando as bonitas marcas da sua idade. – Mas primeiro, Indeedee’s, podem, por favor, preparar chás quentes para os nossos dois convidados? E depois juntem-se a nós, é claro. Temos tanto para conversar!

 

• • •

 

            Avery e Klara tinham chegado à conclusão de que a melhor forma para explorarem a Wild Area seria alugar bicicletas. E foi isso que fizeram, aventurando-se por diversas zonas daquele espaço infinito. Subiram colinas, exploraram campos de arbustos, cruzaram pontes de madeira e quase atropelaram selvagens criaturas que, de vez em quando, apareciam à sua frente.

 

            Naquele momento, atravessavam as águas até Axew’s Eyes, onde a forte neblina cercava a pequena ilha. Avery seguia à frente e, como tal, foi o primeiro a avistar uma criatura que levitava por cima dos montinhos de erva do local. Atrás de si, Klara surpreendeu-se quando também ela avistou o Pokémon que chamava a atenção do companheiro de viagem.

 

            A criatura de quatro patas tinha um corpo esférico colorido a cor-de-rosa. Os seus olhos ovais eram vermelhos brilhantes, destacando-se do resto do corpo. Na parte traseira da sua figura, o Pokémon tinha várias flores desenhadas. Permanecia a levitar no ar de forma calma e relaxada, até mesmo quando Avery se aproximou, acompanhado de Abra.

 


            - Munna, uma Pokémon Psychic-Type. – disse o Rotom Phone. – À medida que se alimenta de sonhos, o seu corpo ilumina-se. A névoa que deixa escapar do seu corpo varia de acordo com o sonho consumido. A névoa é rosa se o sonho for bom, e preta quando consome um pesadelo.

 

            - Está na hora de fazermos novos amigos, Abra. – o rapaz falou num tom calmo. – Drain Punch.

 

            O pequeno Pokémon saiu disparado na direção da criatura selvagem, atacando-a com um murro. Por ser uma técnica Fighting-Type, o efeito não foi o mais eficaz. Munna contra-atacou de imediato com Psybeam, no entanto, o ataque não provocou grandes danos ao Pokémon de Avery.

 

            - Ela é querida e forte… - murmurou Klara, observando a disputa com atenção.

 

            - Outra vez.

 

            De novo, Munna fora atingida pelo Drain Punch de Abra, usando, de seguida, Defense Curl, fortalecendo assim o poder da sua defesa. A Pokémon movia-se de forma calma pela atmosfera e Avery concluiu que poderia usar a lenta velocidade da criatura a seu favor.

 

            - Teleport.

 

            À medida que a figura de Abra aparecia e reaparecia em áreas diferentes do local, Munna tinha de reforçar a sua atenção para continuar a acompanhar o ritmo do Psychic-Type. Numa tentativa de resolver esse problema, a criatura selvagem disparou um Hypnosis na direção de Abra, que se protegera com Protect.

 

            - Ela sabe o que faz. – apontou a jovem.

 

            - É por isso que precisamos dela na nossa equipa. – Drain Punch!

 

            Apesar de não ser a técnica mais eficaz contra a Psychic-Type, depois de usado três vezes, o ataque começava a surtir o seu efeito e Munna começava a revelar o seu cansaço, movimentando-se cada vez mais lentamente.

 

            - Agora, Avery! – exclamou Klara.

 

            O rapaz assentiu. Retirou do bolso uma das Poké Balls oferecidas por Mustard e lançou-a na direção da criatura, que se transformou em luz e foi sugada para o interior do objeto. A pequena cápsula caiu no chão e vibrou duas vezes, concluindo, por fim, a captura do jovem treinador.

 

            - Consegui. – murmurou, pegando na esfera bicolor e observando-a com atenção. Podia jurar que conseguia sentir a energia de Munna na palma da sua mão. Parecia que os seus poderes psíquicos cresciam lentamente. – Consegui! – repetiu.

 

• • •

 

            Na Route 3, Klara fazia-se acompanhar por Venipede. Atrás da dupla, Avery observava com curiosidade a disputa da companheira de viagem.

 

            A rapariga enfrentava um Pokémon que se assemelhava a um pequeno saco de lixo. Os seus olhos pequenos e ovais observavam o adversário, ao mesmo tempo que revelava os dentes afiadas. Os braços da criatura eram feitos de lixo que saía do seu corpo.

 


            - Trubbish, um Pokémon Poison-Type. – falou o Pokédex de Klara. – Nasceu de um saco cheio de lixo. Adora viver no meio da lixeira e em sítios sem saneamento.

 

            - Ele nem sequer é fofo… é literalmente lixo… - murmurou Avery. – Porque é queres tanto capturá-lo?

 

            - É um Poison-Type, Avery! – exclamou a jovem. – Se eu quiser ser uma especialista sobre esta espécie, tenho de estudar e observar todos os Pokémon, independente da sua aparência ou aspeto.

 

            - Ou cheiro…

 

            - Venipede, usa Rollout!

 

            - A centopeia envolveu o seu corpo e começou a rolar pelo chão, atingindo Trubbish, que caiu para trás. O Poison-Type não demorou para se erguer, contra-atacando com Pound, apanhando Venipede de surpresa.

 

            - Parece que ele quer lutar.

 

            - Poison Tail!

 

            A centopeia atacou o adversário com a sua cauda venenosa. A nova técnica de Venipede, no entanto, não surtiu danos imediatos na criatura selvagem, que atacou com Poison Gas.

 

            - Protect.

 

            A barreira de proteção ergueu-se mesmo a tempo do gás venenoso atingir a figura de Venipede. Trubbish recompôs-se e segundos depois voltou a atacar, desta vez, atingindo o Pokémon de Klara com Acid Spray. Múltiplos glóbulos de veneno saíram disparados na direção de Venipede, que caiu no chão após vários embates de seguida.

 

            - Tens de agir depressa. – avisou Avery, atento à disputa. – Não podes deixar escapá-lo.

 

            - Eu sei… - murmurou a jovem. – Venipede, consegues continuar? – a pequena centopeia levantou-se do chão e acenou de forma afirmativa para a treinadora. – Muito bem… vamos recarregar energias com Defense Curl.

 

            A pequena centopeia enrolou o seu corpo numa esfera, fortalecendo o seu poder de defesa. Do outro lado do campo, Trubbish aumentava o seu poder de ataque especial, com recurso à técnica Amnesia.

 

            - Ele está a preparar-se para algo… - murmurou o rapaz.

 

            - Não, não está… Rollout! Máxima potência!

 

            Venipede saiu disparado, rebolando pelo chão do recinto de batalha. De imediato alcançou o corpo de Trubbish, atingindo-o de forma brutal. O Pokémon selvagem foi projetado pelo chão, indo bater junto a um tronco de uma árvore.

 

            - Captura-o!

 

            Klara seguiu as indicações de Avery e, de imediato, lançou uma Poké Ball vazia contra o corpo de Trubbish. Depois de tanta luta, o Poison-Type acabou por ceder e a jovem treinadora concluíra a captura com sucesso.

 

            - Conseguimos! – exclamou, felicitando Venipede. – Obrigado a ti também, Avery.

 

            - Ora essa. – o rapaz esboçou um pequeno sorriso. – Acho que é importante reforçarmos as nossas equipas, principalmente depois do que aconteceu ontem na cerimónia de abertura do Gym Challenge…

 

            - Aqueles patifes da Team Yell eram, deveras estranhos e assustadores… mas sinto que os meus Poison-Type os conseguiriam derrotar. Já eu, não teria metade da coragem que aqueles treinadores tiveram para os enfrentar. – confessou, deixando escapar um pequeno riso nervoso.

 

            - Coragem ou estupidez… - opinou o outro. – Se não fosse o Leon a intercetar, não sei o que poderia ter acontecido.

 

            - O que interessa é que acabou tudo bem. Pelo menos por agora, não é? Devemos concentrar-nos no que temos pela frente.

 

            - Turffield Stadium. Milo é o Líder de Ginásio especializado em Grass-Type, portanto, acho que podes respirar de alívio.

 

            - Espero que tenhas razão. – riu Klara, pegando nas suas coisas e observando o caminho à frente dos dois. – Vamos lá!

 

• • •

 

            - Hatenna, uma Pokémon Psychic-Type. Através das saliências na sua cabeça, consegue sentir as emoções dos outros seres vivos. Foge quando sente uma emoção forte. Por esse motivo, prefere habitar em locais calmos e de pouca agitação.

 


            Entre os montinhos de erva de Motostoke Outskirts, Avery e Munna enfrentavam uma criatura selvagem. O Rotom Phone do rapaz analisava uma pequena Pokémon de corpo rosa, sendo que a maior parte da sua figura se destacava pelo cabelo azul e encaracolado, protegido por um chapéu rosa em bico.

 

            Dando cada vez mais sinais de fraqueza, Hatenna usou Life Dew para recuperar alguma da energia gasta nas rondas anteriores da batalha. No ar, Munna levitava de forma calma. Naquele momento, também ela recuperava energia, recorrendo à técnica Moonlight.

 

            - Psybeam.

 

            O raio de luz psíquico atingiu o corpo de Hatenna em cheio, fazendo a pequena criatura dar uma pirueta no ar e cair no chão de terra. Levantou-se rapidamente, contra-atacando com uma onda de voz aguda e violenta. A técnica conhecida como Disarming Voice atingiu a figura de Munna, que viu a sua trajetória sofrer ligeiras alterações.

 

            - Como é que ela ainda se mantém de pé? – questionava Klara, surpresa. – Parece que estão a combater há imenso tempo…

 

            A criatura selvagem atacou de novo, desta vez utilizando a técnica Psybeam. No entanto, do outro lado do recinto de batalha improvisado, Munna antecipara-se, esquivando-se e atacando com Hypnosis. Hatenna tentou proteger-se recorrendo a Confusion, mas as ondas hipnotizantes atingiram-na mais depressa e a Psychic-Type caiu no chão adormecida.

 

            Sem dizer nada, Avery lançou uma Poké Ball na sua direção. O corpo da pequena criatura transformou-se em luz, sendo sugado para o interior da esfera bicolor. Com uma simples vibração, a captura fora concluída, deixando todos os presentes surpresos. O jovem treinador apressou-se a apanhar a cápsula do chão, observando-a com atenção.

 

            - Fizeste-te de difícil, mas afinal… - murmurou.

 

            - Aposto que ela gostou de ti. – disse Klara.

 

            - Achas?

 

            - Claro! Ou então a Munna deixou-a mesmo muito fraca. – disse, deixando escapar uma gargalhada.

 

            Avery assentiu e, depois de agradecer a ajuda da Pokémon, retrocedeu-a para o interior da sua Poké Ball, voltando a atenção para o local à sua volta. Do outro lado da estrada, dois treinadores combatiam seriamente. Uma rapariga de casaco de cabedal dava indicações a um pequeno rato enquanto, do outro lado, um rapaz com um casaco comprido e roxo comandava uma criatura que se assemelhava a um pequeno diabo.

 

            - Achas que estamos prontos para enfrentar o Kabu? – perguntou, voltando a focar-se no rosto de Klara.

 

            - Conseguimos vencer os desafios do Milo e da Nessa… acho que sim! – respondeu a jovem, de forma entusiasmada.

 

            - Sendo assim, não vejo razões para perdermos mais tempo. Vamos a isso.

 

• • •

 

            O Pokémon Center de Motostoke estava cheio de Treinadores Pokémon. Aquele já era um cenário que se fazia repetir desde o início do Gym Challenge, no entanto, depois de Kabu efetuar alterações na Gym Mission do Motostoke Stadium, permitindo a participação de um número mais elevado de desafiantes, toda a cidade sentia a sobrecarga humana nos vários serviços.

 

            Naquele momento, Avery e Klara aguardavam a sua vez de serem atendidos. O cabelo comprido do rapaz estava despenteado e o seu chapéu visivelmente machucado. Por sua vez, Klara tentava remendar o seu laço, enquanto segurava nos braços o corpo ferido de Skrelp. Para os dois jovens, a Gym Mission de Kabu tinha sido fulminante. Infelizmente, não tinham conseguido superar o desafio proposto pelo especialista Fire-Type.

 

            - Foi um fracasso… e magoei o pequeno Skrelp… sou tão estúpida! – culpabilizava-se Klara, visivelmente irritada.

 

            - Não faças isso. – murmurou o rapaz. – Aquelas paredes falsas e cheias de partidas macabras estavam muito bem disfarçadas até para os meus Psychic-Type as detetarem.

 

            - Devias ter usado o Teleport do Abra para chegares ao final do labirinto. – contrapôs.

 

            - Achas que te ia deixar sozinha?

 

            A resposta de Avery fez Klara sorrir. Saber que podia contar com um verdadeiro amigo ao seu lado era muito importante para ela. A rapariga tentou responder às palavras amigáveis, mas a atenção dos dois voltou-se para um grupo de jovens que corria atrás de um pequeno Pokémon.

 

            - Aquilo é um Toxel?! – exclamou.

 

            - Não faço ideia… nunca vi um antes.

 

            - É sim, acredita. – confirmou. – Eu conheço um Poison-Type quando o vejo.

 

            - Se tu o dizes…

 

            Klara voltou o seu olhar para o Skrelp adormecido.

 

            - O que devemos fazer agora? – perguntou.

 

            - Devemos voltar a desafiar o Kabu?

 

            - Não sei se estou pronta para voltar a perder… - suspirou.

 

            - Achas que não estás pronta para o enfrentar?

 

            - Não quero forçar a minha sorte. – assumiu. – E se volto a ser derrotada e perco o meu brilho para sempre? Talvez devêssemos seguir viagem…

 

            - Eu sei que esta é a primeira vez que perdes, Klara. Mas… não deixes que esse medo tome controlo das tuas decisões. De qualquer forma, acho que podemos continuar em frente. Podemos sempre voltar aqui mais tarde.

 

            - Obrigado, obrigado, obrigado! – a jovem exclamou, abraçando o rapaz, que tentou afastar o seu corpo. – Demasiado cedo?

 

            - Um pouco… - Avery fez uma careta.

 

            - Um dia chegaremos lá. – Klara sorriu, afastando-se do corpo do amigo, com a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, os dois seriam inseparáveis.


                  

Notas do Autor - Capítulo 26


CAPÍTULO 26

Continuar em frente


2ª temporada

 

              25 capítulos depois, damos, finalmente, início à segunda temporada de Aventuras em Galar! Não consigo explicar o quão feliz e orgulhoso me sinto! Espero que estejam prontos para mais capítulos cheios de história, aventura, drama, mistério e alguma comédia de todos os nossos personagens… e muitas mais que estão por vir!

 

Isle of Armor

 

              Pois é! Começamos este marco da história em Isle of Armor, a famosa expansão dos jogos Pokémon Sword e Pokémon Shield. Eu confesso que não sabia muito bem o que fazer com esta localidade, no entanto, achei que poderia ser interessante utilizá-la para o começo desta temporada, introduzindo, igualmente, novos personagens. Esta localidade é completamente diferente de tudo o que vimos em Galar até então. Espero que tenham gostado da estadia por aqui (até agora, pelo menos).

 

Mustard

 

              Já tínhamos conhecido o famoso Mustard numa pequena aparição no Capítulo 23, quando venceu contra um Kabu mais jovem. No entanto, agora encontramo-lo no presente, enquanto líder do Master Dojo. E sim, Mustard é um especialista em Pokémon Normal-Type. Eu sempre defendi que iria criar um treinador especializado para cada tipo e este foi o de Mustard. Parece-me ser o mais lógico, para além do óbvio Fighting-Type, afinal, o Normal-Type é a “base” para todas as restantes espécies, não é verdade? Ah, e espero que tenham gostado da pequena “reciclagem” que fiz da explicação da patinha no seu casaco!

 

Avery

 

              A primeira nova personagem que conhecemos na segunda temporada é, nada mais nada menos que Avery. Um rapaz solitário que ingressou no Curso Preparatório no Master Dojo para mostrar à sua família o seu verdadeiro potencial psíquico. Percebemos que, apesar de tímido e misterioso, o rapaz é inteligente. E, com a ajuda do seu Abra, acaba por vencer o duelo contra Mustard, concluído assim o desafio do Master Dojo.

 

Klara

 

              Klara é o total oposto de Avery. Ela quer ser uma super-estrela, uma personalidade famosa! É expressiva, faladora e não tem medo de nada! É uma apaixonada por Pokémon fofos e quer especializar-se nos Poison-Type. Mas será que vai conseguir? A verdade é que a sua equipa de três Pokémon – Venipede, Nidoran Fêmea e Skrelp – deram conta do trio de Normal-Type de Mustard e a jovem conseguiu concluir o Curso Preparatório do Master Dojo.

 

O início de (mais uma) jornada

 

              Desde o primeiro dia que estes dois personagens foram revelados para os jogos, eu pensei que os teria de colocar numa jornada juntos. E por isso, aí estão eles. A primeira paragem passa, obviamente, pela casa de Magnolia. A senhora recebe-os amavelmente num dia de chuva, oferece-lhes chá e umas Dynamax Band… que querem mais? Ah… e parece haver uma pequena menção a um trio muito especial…

              Observamos Avery e Klara durante momentos importantes da sua jornada. Na Wild Area, Avery captura uma Munna, a sua primeira captura depois de Abra. Na Route 3, depois da famosa cerimónia de abertura do Gym Challenge invadido pela Team Yell, Klara captura um Trubbish – mais uma vez, temos uma menção ao trio protagonista. Mais tarde, em Motostoke Outskirts, Avery captura uma pequena Hatenna. Logo a seguir, repara em dois jovens que se defrontam fortemente no mesmo local. Aquelas descrições fazem-vos lembrar alguém? Depois de conversarem sobre o sucesso dos ginásios de Milo e Nessa, a dupla de Isle of Armor continua em frente, para enfrentar Kabu. No entanto, o plano não corre como esperado e Avery e Klara são apenas dois dos vários jovens treinadores que ficaram pelo caminho durante a Gym Mission do Motostoke Stadium. Enquanto aguardam a ajuda no Pokémon Center, cruzam-se com um Toxel fugitivo e um grupo de jovens que corre atrás dele.

              Eu adorei fazer estas cenas e dar estes pequenos apontamentos. Acho que, realmente, abre e expande o universo de Aventuras em Galar. Afinal, num local, há sempre várias coisas a acontecer. Daí haverem pontos de vista tão distintos, não é?

              Espero que tenham gostado destes dois personagens! Eles vão continuar por aí!




Galardões - Temporada 1: Resultados

 

              O pequeno auditório era iluminado com cadeeiros de baixa iluminação, tornando o ambiente mais reservado e intimista. O palco estava vazio, contrastando com as bancadas que se começavam a encher de rostos e personalidades animadas e bem conhecidas.

 

Na primeira fila, Victor, Gloria e Hop faziam-se acompanhar dos seus fiéis companheiros. Drizzile ocupava a cadeira confortável ao lado do seu Treinador, enquanto Scorbunny se sentava de forma sorridente no colo da gémea. Thwackey e o moreno, por sua vez, discutiam sobre alguma coisa, provavelmente, irrelevante.

 

Marnie e Bede estavam mais atrás. Aguardavam, em silêncio, o que ali se iria passar. Sonia e Magnolia também marcavam presença. A avó e a neta conversavam baixinho, enquanto os outros elementos ocupavam os seus lugares. Na fila a seguir, Leon sentava-se com Rose, que consultava o seu relógio e abanava a perna, pensando em todas as horas de trabalho que estava a perder. Milo, Nessa e Kabu também estavam presentes no auditório. Os três Líderes de Ginásio conversavam com entusiasmo, partilhando experiências e relembrando memórias vividas. Sordward e Shielbert sentavam-se numa fila mais afastada, acompanhados dos seus seguranças de proteção. Por fim, no fundo da sala, Carter e Gale observavam em redor, começando a pensar em alguma forma de arruinar aquela cerimónia.

 

Quando, por fim, as luzes do palco se acenderam, todos se voltaram para a frente. No entanto, nenhuma figura surgiu no local. Em vez disso, as colunas de som foram ativadas e, subitamente, começou a ouvir-se o som de um teclado a escrever. A confusão era clara nos rostos dos elementos presentes no local, mas, por fim, uma voz fez-se ecoar pelas quatro paredes.

 

- O-olá?

 

- Quem está aí? – rematou Gloria, desconfiada e visivelmente desconfortável.

 

- Sou eu. O vosso criador.

 

- Arceus?! – exclamou Victor, perplexo.

 

A voz riu-se pelas colunas.

 

- Não. Sou o Angie.

 

- Quem? – questionou Hop. – Não conheço ninguém com esse nome…

 

Todos os restantes presentes soltaram exclamações de concordância, instalando um murmúrio de surpresa na sala.

 

- Sou o escritor de Aventuras em Galar. A história a que todos vocês dão vida.

 

- Estamos todos a ter um sonho coletivo… - murmurou Sonia.

 

- Eu já não tenho idade para estas coisas! – reclamou Magnolia. – Já estou viva há demasiados anos para perceber que isto é a vida real e não uma história de fantasia.

 

- Lamento informar, mas todos vocês são personagens de uma história de ficção.

 

- O quê?! – o rosto de Bede contorceu-se.

 

- Mas não se preocupem… tudo isto está a acontecer apenas na minha imaginação. E, na realidade, não faz parte da história principal de Aventuras em Galar. É como se fosse uma narrativa à parte. Um conteúdo especial, se lhe quiserem assim chamar. Portanto, nenhum de vocês se irá lembrar que isto aconteceu.

 

- Mas, afinal, o que é que estamos a fazer aqui? – questionou Marnie.

 

- Ao longo das últimas semanas, os leitores de Aventuras em Galar estiveram a votar na primeira edição dos Galardões, a cerimónia que festeja as diversas temporadas da nossa, e da vossa, história. Foram criadas dez categorias distintas, de forma a selecionar as personagens e as narrativas que mais se destacaram ao longo da Temporada 1. E agora, finalmente, estamos aqui reunidos para receberem os prémios atribuídos.

 

- Peço desculpa, mas… será que podemos despachar isto? Eu tenho muitas coisas para fazer. – o tom condescendente de Rose invadiu a divisão.

 

- Concordo. – murmurou Leon.

 

- Muito bem. Vamos começar pela primeira categoria. Os nomeados para melhor protagonista foram Victor Walter, Gloria Walter e Hop Bennett. – o trio remexeu-se nas cadeiras, entreolhando-se de forma curiosa. – Os resultados ditam que o Galardão de melhor personagem principal vai para… Hop Bennett!

 

Os presentes no auditório aplaudiram a vitória do moreno. Os dois gémeos abraçaram o companheiro de viagem e Leon lançou exclamações de orgulho enquanto o seu irmão subia ao palco.

 

- Obrigado a todos os que votaram em mim… - afirmou, esboçando um sorriso. – Não consigo perceber exatamente porquê, mas espero que vos deixe orgulhosos, de alguma forma. Obrigado, também, aos meus queridos amigos. Victor e Gloria, sem vocês, eu não estaria aqui. E, claro, obrigado a todos os meus Pokémon, que confiam em mim e acreditam que eu posso chegar longe!

 

A audiência voltou a aplaudir enquanto Hop se sentava de novo ao lado de Thwackey.

 

- De seguida, temos a categoria que agrupa as personagens secundárias. O público podia votar entre Marnie, Bede, Leon e Sonia. Mas só um pode vencer o Galardão de melhor personagem secundária… Marnie!

 

A jovem Treinadora de Spikemuth levantou-se da sua cadeira e caminhou até ao palco ao mesmo tempo que todos os presentes no auditório a aplaudiam. Marnie esboçou um grande sorriso, iluminada pela luz da ribalta.

 

- Melhor personagem secundária? Nunca iria imaginar… - riu. – Obrigado a todos os que votaram em mim. Tenho a certeza de que os restantes nomeados seriam tão merecedores deste prémio. Aproveito também para agradecer aos meus irmãos, Piers e Marley, e aos meus queridos Pokémon! Força Dark-Type!

 

- Parabéns Marnie! Sabias que também estiveste nomeada, juntamente com o Bede para a categoria que se segue? – a jovem revelou um ar de surpresa enquanto caminhava de volta para o seu lugar. – O Galardão de melhor rival vai para… Bede!

 

Mal Marnie se voltou a sentar, Bede levantou-se do seu lugar, recebendo uma palmadinha nas costas da jovem Treinadora. Todos saudaram a premiação do jovem rapaz. Os olhos de Rose pareciam brilhar enquanto via a sua grande aposta subir ao palco. Já Victor batia palmas em silêncio, com um olhar penetrante no rosto do adversário.

 

- Obrigado por reconhecerem o meu propósito. – o jovem deixou escapar uma curta gargalhada, olhando a plateia à sua frente. – Gosto de ser um rival. Um bom rival. Também é graças ao esforço dos meus Pokémon que o consigo fazer. Quero agradecer ao Presidente Rose por ter confiado em mim. Espero conseguir deixá-lo orgulhoso. – terminou, antes de sair do palco e dar uma rápida vista de olhos ao trio protagonista.

 

- Fui o único a sentir a tensão no ar? Ai… ai… por falar em tensão, em perigo, em alarme… Carter e Gale foram os nomeados para melhor vilão. Mas qual o membro da Team Yell que vai roubar o prémio? O Galardão de melhor vilão pertence a Gale!

 

Os aplausos do público foram escassos, quase ninguém pronunciou qualquer exclamação de entusiasmo enquanto Gale se levantava do lugar e caminhava em direção ao palco, onde se voltou para encarar todos aqueles que os seus planos já tinham prejudicado. Apenas Carter se mostrava feliz pela colega.

 

- É meu! – gargalhou de forma estridente. – Pela primeira vez, não tenho que roubar algo para ser meu… um verdadeiro objetivo alcançado! – exclamou, levantando a estatueta no ar. – Obrigado aos meus fãs, ao meu público, a todos aqueles que torcem pela Team Yell. Nós sabemos que vocês estão aí, nós ouvimos-vos e nós gritamos por vocês! Nunca desistam!

 

- É isso mesmo! – gritou Carter do fundo do auditório.

 

- As peripécias da Team Yell prejudicam sempre o rumo das nossas personagens, mas isso não quer dizer que o público não goste de ver um momento com mais drama e ação, não é verdade? – Gale voltou a rir enquanto fazia o caminho de regresso ao seu lugar. – Na próxima categoria, foi reunido um leque de personagens bastante interessante. Leon, Rose, Magnolia, Sordward e Shielbert estiveram a disputar o papel mais revolucionário da Temporada 1 de Aventuras em Galar. E o público decidiu que o Galardão de melhor personagem revelação vai para… Leon!

 

- A que custo? – murmurou Sonia, revirando os olhos.

 

Leon levou alguns segundos até se levantar da cadeira. Todos o aplaudiram,
á exceção do trio protagonista e de Sonia, os únicos elementos da plateia que tinham conhecimento do seu segredo.

 

- Obrigado. – murmurou, assim que chegou ao palco. O seu olhar recaiu sobre o rosto inexpressivo de Hop. – Espero que seja uma revelação positiva para todos. – falou, deixando escapar um riso nervoso. – Obrigado a todos, mais uma vez.

 

O Campeão de Galar, invencível e sempre pronto para enfrentar os seus medos, parecia estar sem palavras para agradecer a premiação do público. O jovem regressou ao seu lugar, recebendo um forte abraço de Rose e um aceno cordial de Sordward e Shielbert.

 

- Fica a pergunta se esta é, de facto, uma revelação positiva ou negativa.

 

- Eu posso responder a isso… - murmurou Hop entre dentes.

 

- Milo, Nessa e Kabu foram os Líderes de Ginásio responsáveis por dificultar a vida das nossas personagens durante esta temporada da história. O público decidiu que o Galardão de melhor Líder de Ginásio pertence ao ardente Kabu!

 

O homem levantou-se do seu lugar, cumprimentando os seus colegas de profissão com um ar sorridente. De seguida, correu até ao palco, demostrando a todos a sua boa forma física.

 

- Obrigado, pessoal! – exclamou, recebendo aplausos de todos os presentes. – É preciso trabalhar muito para a nossa prestação ser reconhecida e conseguir chegar até aqui. A minha missão como Líder de Ginásio de Motostoke é preparar os jovens Treinadores para os desafios do futuro, fazer com que todos consigam aprender algo sobre si mesmos e, obviamente, defender a força dos Fire-Type até ao fim! – afirmou com toda a garra.

 

O homem saltou do palco e regressou ao seu lugar, cumprimentando pelo caminho os jovens Treinadores que o tinham enfrentado ao longo da temporada.

 

- Mas não ficamos por aqui. O público também teve a missão de decidir qual o confronto de ginásio mais memorável desta temporada. Entre Hop VS Milo, Victor VS Milo, Gloria e Hop VS Nessa e Victor, Gloria e Hop VS Kabu, a disputa foi bastante renhida, assim como estes combates! – os protagonistas e os Líderes de Ginásio entreolhavam-se ansiosos, relembrando os momentos dramáticos passados. – O Galardão do melhor confronto de Ginásio vai para… Gloria e Hop VS Nessa!

 

A modelo e os dois companheiros de jornada levantaram-se das suas cadeiras, subindo ao palco e abraçando-se em conjunto. Os seus rostos transmitiam felicidade e orgulho.

 

- Apesar de ter perdido, é bom saber que esta foi a batalha mais memorável da temporada. – brincou Nessa. – Graças a todo o esforço destes dois jovens, mas também aos nossos Pokémon, responsáveis por darem vida a uma disputa tão acesa, que tão cedo ninguém irá esquecer.

 

- Foi a primeira Badge que consegui vencer, portanto isto tem um grande significado para mim e para a minha equipa! – agradeceu Gloria.

 

- O meu Pokémon Inicial evoluiu durante este confronto. – Hop sorriu, apontando para Thwackey, que acenava com o seu tronco de madeira. – Obrigado pelo reconhecimento!

 

Os três premiados desceram do palco, voltando a ocupar os seus lugares na audiência.

 

- Estamos quase a chegar ao fim desta premiação. Mas antes, vamos voltar a atenção para os Pokémon que também fazem parte da narrativa, verdade? Sobble, Scorbunny, Grookey, Morpeko e Impidimp disputaram o lugar de melhor Pokémon Inicial. No final, o vencedor do Galardão de melhor Pokémon Inicial pertence ao Sobble de Victor!

 

O protagonista e o Water-Type caminharam em conjunto para o palco, recebendo o aplauso de todas as personagens ali presentes.

 

- Na verdade, agora é Drizzile, Angie… - brincou Victor. – Mas, tudo bem. A relação que eu e o Sobble criámos foi, desde início, muito forte. E penso que isso se traduziu no poder que agora está reunido no corpo de Drizzile. Certo, amigo? – o Pokémon deixou soltar exclamações de felicidade, evolvendo o corpo do jovem à volta dos seus membros. – Obrigado!

 

- A relação entre estes os dois é inegável.

 

- Eu tenho a certeza de que o público também te adora, Scorbunny. – murmurou Gloria, acariciando o pequeno coelho de fogo que limpava as lágrimas com a sua pata.

 

- Finalmente, chegámos à última categoria. O Galardão de melhor Capítulo era de resposta aberta, dando a total liberdade para qualquer pessoa escolher o seu momento favorito da Temporada 1. Contudo, a resposta do público foi quase unânime. O Capítulo 25 vence esta categoria!

 

O trio protagonista cruzou olhares antes de se voltar a levantar. Sonia ergueu-se da cadeira, caminhando na direção do palco, sendo seguida por Leon de cabeça baixa.

 

- Bem… parece que vocês gostam mesmo de um bom drama, não é? – a jovem pesquisadora questionou num ar irónico.

 

- Ou de um bom mistério. – Gloria encolheu os ombros.

 

- De uma disputa acesa entre irmãos. – interveio Victor.

 

- Ou então adoram ver-me sofrer psicologicamente. – lamentou-se Hop.

 

- Oh, vá lá… vocês vão mesmo ficar chateados comigo para sempre? Eu já vos disse que não o fiz por mal…

 

- Mas porque é que estão chateados com o Leon? – a voz de Rose fez-se ouvir do meio do público.

 

- O seu querido Campeão guarda um segredo obscuro... – afirmou Sonia.

 

- Chega! – todos se calaram de súbito, respeitando as ordens da voz que se fazia ecoar pelo local. – Não vão arruinar a primeira cerimónia dos Galardões. Nem pensem. E a verdade é que, aqui, sou eu quem manda. Vocês dizem e fazem aquilo que eu imaginar. Portanto, acabou-se.

 

As luzes do auditório apagaram-se e os corpos das personagens desaparecem todas em simultâneo. Agora ouvia-se apenas o som do teclado que redigia palavras.

 

Angie observava a tela do computador à frente dos seus olhos. Depois de guardar o documento do Microsoft Word, encerrou a aplicação e abriu uma pasta chamada “Capítulos”. Os seus olhos desceram pela tela, até encontrarem as palavras “Temporada 2”. Em silêncio, o jovem escritor esfregou os olhos e passou os seus dedos pelo cabelo despenteado, permanecendo com um ar pensativo. Estava na hora de começar a trabalhar no futuro.



Galardões

 


            Galardões é a cerimónia de prémios especial de Aventuras em Galar. Após a conclusão de cada temporada, são criadas diversas categorias com diferentes nomeados, onde só um pode sair vencedor. A decisão fica do lado dos leitores. Uma celebração especial. única e inesquecível.

Temporada 1

Galardões - Temporada 1: Categorias e nomeações

 


              A noite já ia a meio quando Angie se sentou na sua secretária. A organização do espaço contrastava com a confusão que existia no interior da cabeça do jovem escritor, que ligava o seu disco externo ao computador. Depois de uma, duas e três tentativas, o pequeno cabo, que já revelava algumas marcas de guerra, lá se posicionou de forma a conectar-se ao portátil.

              Eram várias as pastas que por ali existiam – todas com nomes, tamanhos e formatos distintos – não fosse Angie uma pessoa de variadíssimas curiosidades. O jovem selecionou a pasta “Aventuras em Galar” e, de imediato, uma onda de pastas surgiu. O seu olhar passou por todas elas, parando numa em particular. Havia algo de diferente nela. A sua data era a mais recente.

              “Galardões” – era assim que se chamava a pasta selecionada. Existia apenas um ficheiro em formato Microsoft Word com o título “ideias???”. Era uma simples página em branco, com pequenas frases soltas espalhadas sem grande sentido. O jovem observou o ecrã do portátil em silêncio. Parecia debater-se consigo mesmo.
 
              - Devo fazer isto?

             - Achas que alguém vai querer saber? – ecoou uma voz na sua subconsciência.

            - Eu não sei… mas gostava de o fazer. Era uma maneira engraçada de celebrar a conclusão da primeira temporada de Aventuras em Galar. Certo?

              - Deixa-te disso e começa a escrever novos capítulos!
 
              O rapaz esfregou os olhos e abanou a cabeça em protesto.
 
              - Vou fazê-lo.

              - Mas o Canas já fez isso em Aventuras em Sinnoh. The Omascar! Essas sim eram celebrações a sério… sabes, ainda durante a era dos blogs.

              - Eu sei… eu já existia nessa altura. E, na verdade, os Galardões não passam de uma adaptação da ideia original.

              - Cópia falsa, é o que é…

              - Eu até pedi ao Canas para me dar alguns conselhos e sugestões. Não devo fazer mais de dez categorias. E devo incluir personagens, mas também Pokémon, é claro.

              - E que categorias vão ser? Aposto que ainda nem sabes…

          - É claro que sei! Primeiro, devemos começar com “Melhor personagem principal”. Aqui a disputa será entre o trio protagonista, é claro.

              - E que mais?

              - “Melhor personagem secundária”, “Melhor rival” e “Melhor vilão” também não podem faltar.

              - É verdade, ao longo da primeira temporada houve disputas interessantes…

              - Por isso mesmo, também pensei nas categorias “Melhor Líder de Ginásio” e “Melhor confronto de Ginásio”. Sendo que cada um se destacou de maneira diferente, penso que é interessante avaliar essa distinção.

            - Na verdade, eu só queria que o Milo e a Nessa surgissem mais vezes juntos…
 
              Angie passou as mãos pelo cabelo, tentando concentrar-se novamente.
 
             - “Melhor personagem revelação” foi uma categoria sugerida pelo próprio Canas.

              - Mas que raio é isso?

              - É uma oportunidade para deixar brilhar algumas personagens que foram deixadas um pouco lá atrás. Mas que brilharam à sua maneira. E continuarão a fazê-lo no futuro, penso eu.

              - Está bem, está…

              - E claro, “Melhor Pokémon Inicial” não podia faltar.

              - Isso é óbvio. É…

            - As decisões ficam para os leitores. As últimas categorias são de resposta aberta. Estou curioso para ver como irão funcionar por isso mesmo. Quem votar terá de decidir a “Melhor relação entre Treinador e Pokémon” e o “Melhor Capítulo”.

              - Isso é tudo muito bonito… mas qual vai ser a duração das votações?

               - As votações estarão abertas de 15 de abril a 15 de maio. Um mês inteiro.

            - Esse tempo todo é só porque não queres passá-lo a escrever novos capítulos, não é? Que grande Snorlax…

              - Agora só resta esperar para perceber a reação e o interesse das pessoas. No fundo, esta é uma forma de compreender a opinião dos leitores relativamente à primeira temporada de Aventuras em Galar. Portanto, espero que gostem da ideia…



3 anos de Aventuras em Galar

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Fonte: Pinterest

 

Feliz aniversário!

 

              2019 foi o ano em que teve início esta jornada. E que bonita que ela está a ser. Juntos, continuamos a viajar pelas localidades de Galar, conhecemos pessoas, enfrentamos desafios, fazemos amizades e crescemos em conjunto. É tudo isto que Aventuras em Galar significa para mim.

 

              É com muito orgulho que todos os anos dedico algum do meu tempo a escrever e a alimentar o meu mundo imaginário. Da mesma forma, também adoro sentar-me descontraidamente na minha secretária para escrever, anualmente, mais uma passagem neste caderno digital. A verdade é que aqui tudo fica registado para mais tarde recordar. E desde que Aventuras em Galar se estreou, o mundo não parou de girar.

 

              Já atravessámos uma pandemia mundial (que continua presente, apesar de muitos pensarem que não); a crise climática continua a revelar o lado mais negro e egoísta do ser humano; e, mais recentemente, a eclosão de uma guerra europeia que ameaça a segurança de famílias infinitas. Às vezes, no meio de todo este caos, é inevitável não nos sentirmos pequenos, inúteis, insignificantes. No entanto, aqui sei que posso ser eu. E que posso ser feliz na minha imaginação. E por mais que isso não seja realidade, de uma certa maneira, transmite-me calma e serenidade. Este é o meu refúgio.

 

              A verdade é que os últimos meses não têm sido muito produtivos no que toca à escrita. A minha cabeça tem andado demasiado ocupada com projetos no mundo real, nomeadamente o meu mestrado. Estou a descobrir novas características sobre mim mesmo que eu próprio desconhecia. Pela primeira, estou a morar fora da casa dos meus pais, o que é sinónimo de independência, mas, ao mesmo tempo, de muita disciplina e organização. Fazer as minhas refeições, tratar da casa, ir às aulas, estudar, trabalhar e ter uma vida social. Tudo isto ao mesmo tempo. Às vezes é esgotante e a única vontade que tenho é não sair da cama. Mas sei que lá fora tenho todo um mundo à espera de ser descoberto. É isso mesmo, eu sou o protagonista da minha própria história.

 

              Apesar da continuação da história de Aventuras em Galar se encontrar em stand-by, estou a preparar uma celebração especial para os próximos meses. O primeiro semestre de 2022 irá trazer algumas surpresas para Aventuras em Galar! E talvez, na segunda metade do ano, voltemos à estrada com os nossos protagonistas. Quem sabe?

 

              Resta-me agradecer a toda a equipa da Aliança Aventuras, que me tem acompanhado nesta viagem inesquecível. E, está claro, aos leitores que por aqui permanecem. Sem vocês, nada disto seria possível, nem sequer faria sentido!

 

Feliz Aniversário, Aventuras em Galar!

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