Milo


DESCRIÇÃO



Idade: 20 anos

Classificação: Líder de Ginásio de Turffield

Estreia: Capítulo 13 - Ficar mais forte

História: Milo é o Líder de Ginásio de Turffield, especializado em Pokémon Grass-Type. Depois de crescer na companhia dos seus avós, entre os campos e a natureza de Turffield, Milo decidiu partir numa jornada por Galar. Gosta de se exercitar no meio da natureza, acompanhado pelos seus Pokémon. Apesar de parecer forte e destemido, é um rapaz tímido e sensível.

EQUIPA








Espécie: Appletun (Macho)
Tipo: Grass-Type / Dragon-Type
Habilidade: -
Ataques: Headbutt | Protect | Bullet Seed |   Dragon Pulse
Estreia: Capítulo 13 - Ficar mais forte
História: Quando era criança, Milo tropeçou em Applin. Desde então, os dois tornaram-se amigos inseparáveis. Appletun e Milo partilham uma forte   ligação desde sempre.

Espécie: Appletun Gigantamax (Macho)
Tipo: Grass-Type / Dragon-Type
Habilidade: -
Ataques: Max Guard | Max Overgrowth | Max   Wyrmwind | G-Max Sweetness
Estreia: Capítulo 15 - Força da natureza
História: Na forma Gigantamax, Appletun revela o verdadeiro poder da natureza. Foi derrotado por Victor e o seu Rookidee Dynamax.


Espécie: Roselia (Fêmea)
Tipo: Grass-Type | Poison-Type
Habilidade: Poison Point
Ataques: Stun Spore | Mega Drain | Magical Leaf | Poison Sting 
Estreia: Capítulo 13 - Ficar mais forte
História: Budew foi capturado durante um treino na Wild Area. Roselia foi venceu os Pokémon de Hop durante o seu combate contra Milo.




Espécie: Oddish (Macho)
Tipo: Grass-Type | Poison-Type
Habilidade: -
Ataques: Acid | Sweet Scent | Mega Drain | Stun   Spore 
Estreia: Capítulo 15 - Força da natureza
História: Oddish foi utilizado na disputa contra Victor. Apesar do esforço de Milo, o Pokémon foi derrotado por Timburr.

Notas do Autor - Capítulo 13


CAPÍTULO 13

Ficar mais forte


Líderes de Ginásio


            Um capítulo inteiro focado num Líder de Ginásio? Sim! Eles vieram para ficar mesmo. Sempre soube que, tal como os restantes personagens da história, os Líderes de Ginásio teriam o seu tempo de brilhar, para que os leitores consigam perceber melhor a sua história e personalidade. No entanto, não sabia se deveria criar um cantinho lá no página do “Especial” ou simplesmente dedicar um capítulo da história principal. Optei pela segunda hipótese porque, na verdade, todos os Líderes de Ginásio são importantes e não devem ser colocados à parte.

            De uma forma geral, a história de cada um pode ser contada de várias formas distintas, com passagens no tempo e alguns acontecimentos mais marcantes na sua história. Enquanto escrevia, imaginava um episódio de Pokémon Twilight Wings. Acho que essa foi a minha principal inspiração.

 

Milo


            A história de Milo começa quando este, num ambiente de natureza de Turffield, dá de caras com o seu principal companheiro – Applin. Depois de convencer os seus avós a ficar com a criatura, os dois tornam-se inseparáveis.

            A vida do Líder de Ginásio foi marcada pelos seus avós. Apesar de perder o avô cedo na sua vida, o jovem inspirou-se nele para partir numa jornada, onde prometeu ficar mais forte. Mais tarde, a sua avó acaba por morrer igualmente, mesmo antes de Milo se tornar num Líder de Ginásio. Esta relação tão forte entre Milo e os seus avós é inspirada em mim mesmo. Felizmente, ainda tenho todos os meus avós comigo e sinto-me muito ligado a eles. Tenho memórias que sei que nunca esquecerei. E aprendi coisas com eles que nunca mais ninguém me ensinou. Então, esta é uma pequena homenagem aos meus avós. João, Conceição, António e Clara. Obrigado.

            Com a passagem do tempo, percebemos a forma como Milo se fortalece a si aos seus Pokémon. Sendo um jovem ativo, a imagem física é importante para si e, portanto, ele pratica desporto e treina fisicamente com os seus Pokémon na Wild Area, sítio onde conhece uma treinadora. Nessa, sim! Este encontro ainda vai dar pano para mangas!

            Rose também dá as caras por aqui. O novo Presidente da Pokémon League de Galar dá início às suas alterações e começa a construir vários estádios por toda a região. Neste momento, Milo consegue alcançar o seu objetivo. Depois de se especializar em Pokémon Grass-Type, o jovem ganha o título de Líder de Ginásio de Turffield. Há que sublinhar ainda as palavras de Rose para Milo, sobre a forma como este demonstra ser, que contrasta com a forma como ele é, de facto. Não é por Milo ser um jovem rapaz musculado que não tem sentimentos, ou é estúpido ou ignorante. Muito pelo contrário, ele é um rapaz bastante emocional e frágil – e é isso que o torna tão único e especial.

            Finalmente, no presente, Milo é derrotado por Marnie! E, logo a seguir, é informado pelo seu assistente que três novos desafiantes vindos de Postwick são o seu próximo adversário. Quem serão eles?




Capítulo 13


                A brisa soprava pelos hectares infinitos que compunham as planícies e quintas de Turffield. As várias plantações de produtos biológicos dançavam ao som do vento, ao mesmo tempo que os agricultores lavravam e cuidavam das suas propriedades. As famílias daquela povoação eram muito ligadas à terra e a tudo o que provinha dela.

 

            Numa altura onde o desenvolvimento tecnológico começava a ganhar alguma atenção por parte da população das maiores cidades de Galar, os habitantes de Turffield continuavam a viver em contacto com o meio ambiente. Os membros mais velhos das famílias ocupavam os seus dias na agricultura e a na criação de Wooloo. As crianças, por sua vez, brincavam diariamente nos campos floridos da civilização, de forma livre e saudável.

 

            Um menino de cabelos alaranjados brincava pelo campo agrícola da sua família. Parecia distraído e distante, enquanto passava a ponta dos seus dedos pelas ramas e folhas que vedavam o terreno da sua herança. Permaneceu ali por longos momentos. Era como se estivesse a comunicar, realmente, com aqueles elementos da natureza. Na verdade, era ali que o rapaz se sentia bem. Para ele, aqueles eram os seus verdadeiros amigos.

 

            Continuou a andar, agora concentrado num jardim com diferentes espécies de flores. Umas eram amarelas, outras azuis, outras vermelhas. Algumas eram mais pequenas, outras maiores. As pétalas de umas pareciam mais pontiagudas, outras eram mais arredondas. Com a sua mão, cumprimentava as amigas coloridas, que lhe respondiam com um silêncio simpático.

 

            Perdido no meio de toda a vegetação, o menino tropeçou e caiu no chão de terra. Gritar por ajuda seria em vão. Não havia ninguém por perto. Em vez disso, gemeu baixinho, e levantou-se, sentando-se sobre a terra do local. Os seus joelhos estavam arranhados, assim como os seus braços e cotovelos. Sentia algum ardor nas feridas, mas ainda estava demasiado dorido para se tentar levantar e caminhar até casa.

 

            Enquanto procurava por algum sinal de ajuda, os seus olhos pousaram sobre uma pequena maçã caída ao seu lado. A razão da sua queda era uma simples fruta. Ou talvez não. O menino arregalou os olhos ao ver a maçã arrastar-se pelo chão. Abanou a cabeça, tentando clarear as ideias. Talvez tivesse batido tão forte com a cabeça durante a queda, que agora estava mesmo a delirar. Mas não. Era mesmo real. Ainda que hesitante, o rapaz inclinou o seu corpo na direção da fruta, vendo com mais atenção o que se passava.

 

            A fruta vermelha parecia servir de habitat para um pequeno verme de cor verde. Os seus olhos espreitavam pelo topo da maçã, enquanto o resto do corpo se prolongava até à parte de trás da fruta, arrastando o objeto pelo chão.

 


            A criança piscou os olhos várias vezes, observando o fenómeno que acontecia mesmo à sua frente. Por sua vez, a criatura parecia surpreendida pela atenção que o menino lhe dava. A maçã pausou a sua caminhada vagarosa e virou-se para o rapaz, observando-o em silêncio.

 

            - Tu… és… um… Pokémon?

 

            As palavras saíram da boca do rapaz de uma forma arrastada. Era como se ele não acreditasse no que os seus olhos viam. Habitualmente, só estava em contacto com criaturas como Wooloo e alguns Yamper que eram usados para controlar os rebanhos da família. Mas nunca na sua vida ele vira um Pokémon que vivia dentro de uma maçã. Aquilo era único. Ele tinha de mostrar aquela descoberta aos seus familiares.

 

            Aproximou-se do seu corpo, pegando na criatura com as duas mãos de forma delicada. A maçã não reagiu, permanecendo imóvel e em silêncio enquanto o rapaz se levantava calmamente e começava a caminhar pelos terrenos cultivados, ignorando o ardor das suas feridas.

 

            Momentos depois, o menino aproximou-se da casa da sua família, dirigindo-se para a parte da frente da habitação, onde duas pessoas descansavam no alpendre. Um senhor de idade, com um chapéu de palha na cabeça, permanecia sentado sobre um banco de madeira. De pé e ao seu lado, uma senhora folheava um livro de forma calma e serena. Os olhos dos dois idosos dirigiram-se para a criança, que se aproximava a passos largos com um sorriso estampado no rosto.

 

            - Onde é que andaste, rapaz? – falou o senhor, compondo o chapéu na sua cabeça.

 

            - Avô, avó! – exclamou. – Vejam o que eu encontrei!

 

            - Milo, porque estás todo arranhado?! – a senhora surpreendeu-se ao ver as feridas pelo corpo do menino. – Espera…

 

            - Encontraste um Pokémon?

 

            O velho levantou-se do banco, aproximando-se do pequeno Milo que permanecia com um sorriso no rosto. Nas suas mãos, a pequena criatura permanecia imóvel.

 

            - Acho que sim. – respondeu ele, sorridente. – Mas nunca tinha visto assim um antes.

 

            - Com certeza. É um Applin. – falou o senhor. – Não são muito vistos por aqui.

 

            - Onde encontraste esse pequeno? – perguntou a avó com um ar curioso.

 

            - Na quinta, no meio de algumas flores.

 

            - Talvez o devas devolver ao seu habitat natural, querido…

 

            - Oh… - o rapaz baixou o olhar para o chão. – Eu pensava que podia brincar um pouco com ele. Talvez ele goste de brincar comigo também. – lamentou.

 

            - Talvez… - murmurou o homem. – Mas, para isso, os dois devem prometer que se vão portar bem.

 

            Milo esboçou um largo sorriso e levantou os seus braços no ar, erguendo o corpo de Applin na direção dos céus. O Pokémon voltou o seu olhar para a criança que o segurava. Era um menino tão puro e sensível. Talvez eles pudessem mesmo ser amigos. Mesmo que se tivessem conhecido por um mero acaso.

 

            – Ouviste? Acho que podemos ser amigos! – gargalhou a criança.

 

            - Com juízo. – sublinhou o avô.

 

            - Agora, vamos para dentro tratar dessas feridas! – ordenou a senhora, abrindo a porta de casa à sua frente.

 

• • •

 

            As gripes e constipações, provocadas pelo tempo fresco e gelado do inverno, aumentavam drasticamente o número de camas ocupadas no Pokémon Center de Turffield.

 

            Naquela altura do ano, a população da cidade, maioritariamente envelhecida, enfrentava o problema das alterações climáticas e a drástica diminuição na produção dos produtos agrícolas. Muitas pessoas, inclusivamente, deixavam de se alimentar da melhor maneira, devido à falta de suplementos alimentares para as suas famílias.

 

            De momento, Milo encontrava-se ao lado de uma cama no interior da ala hospitalar do Pokémon Center da cidade. As máquinas à sua volta apitavam, registando os batimentos cardíacos do utente deitado sobre a cama: o avô do rapaz. O idoso permanecia com os seus olhos semicerrados e uma máscara respiratório na sua boca e nariz. Todo o seu corpo estava coberto por várias mantas. À exceção da cara, que revelava um ar cansado. Ao lado da cama, sentada sobre uma cadeira, a avó do rapaz permanecia, segurando a mão do seu marido.

 

            A Enfermeira Joy permanecia de pé do outro lado da cama, com um bloco de notas em mão. A jovem ditava os resultados dos últimos exames realizados ao senhor.

 

            - Os pulmões estão cada vez mais fracos. Assim como o seu coração. – disse num tom sério.

 

            Milo permaneceu em silêncio, observando o rosto do seu avô, que parecia adormecido.

 

            - Acha que ele consegue recuperar? – o rapaz perguntou numa voz trémula.

 

            - Não posso prometer coisas sem ter a certeza delas. – respondeu Joy. – Quando for necessário, podemos ligar o seu corpo às máquinas respiratórias. Depois, aguardaremos a sua reação.

 

            - Não. – a voz do homem ouviu-se finalmente. No entanto, o idoso permanecia com os olhos cerrados. – Não me liguem a umas máquinas artificiais. Deixem-me morrer em paz.

 

            - Mas querido… - a mulher murmurou. – É o melhor para ti.

 

            - A avó tem razão. – concordou o rapaz.

 

            - Não Milo. – insistiu o homem. – Tu ainda és muito novo para perceberes este tipo de coisas. Mas eu não quero perder a minha dignidade antes de morrer. Quero morrer em paz, de forma pacífica. Em contacto com toda esta terra que me viu crescer. Se o destino diz que esta é a minha vez de ir, então não vou prolongar mais o seu desejo.

 

            Milo baixou o seu olhar para o chão. Apesar de ainda ser um pré-adolescente, o menino percebia minimamente tudo aquilo que o seu avô dizia. No entanto, ele não conseguia deixar de sentir uma forte tristeza a invadir o seu coração. Era como se estivesse a abdicar de uma parte dele mesmo.

 

            - E a avó? – perguntou. – Quem vai tomar conta dela?

 

            - Achas mesmo que a tua avó precisa de alguém que tome conta dela? – o homem riu-se de forma abafada, deixando escapar uma tosse rouca. – Ela é uma mulher independente. Quem é que toma conta de ti, jovem rapaz? É ela. A tua avó cozinha, trata de toda a casa, das nossas plantações, do rebanho…

 

            - Como irei fazer tudo isso sem ti? – a mulher interrompeu, deixando algumas lágrimas rolarem pelo seu rosto.

 

            - Eu sei que irás conseguir. – o homem respondeu numa voz calma, acariciando o rosto da sua esposa. – E o Milo também te pode ajudar.

 

            - Não nos podemos colocar à frente do seu futuro. – falou a idosa. – Lembraste do que tínhamos falado? – ela perguntou, recebendo um aceno afirmativo do homem.

 

            - Do que estão a falar? – o menino questionou, confuso.

 

            - Da tua jornada, obviamente. Está quase na altura. – explicou a avó de forma simples.

 

            - Ainda faltam alguns anos. E, se for necessário, eu posso adiar essa ideia.

 

            - Não é uma ideia. Vai mesmo acontecer. Dentro do tempo estabelecido. – o homem insistiu. – Tens de seguir os teus sonhos enquanto tens tempo, Milo. Eu e a tua avó conseguimos perceber perfeitamente a forte relação que tu tens com aquele Applin que encontraste quando eras mais pequeno.

 

            - São verdadeiros amigos. – completou a senhora.

 

            Milo esboçou um fraco sorriso, lembrando-se do seu companheiro Pokémon, com quem brincava todos os dias. Depois de o encontrar no terreno da família, Applin nunca mais o abandonara.

 

            - Portanto, está decidido. Quando a altura chegar, vais conhecer a região de Galar com o teu amigo. – concluiu o homem na sua voz trémula. – E leva o meu chapéu. É teu agora.

 

            - O quê?!

 

            O rapaz estremeceu. O chapéu do seu avô era quase como um objeto de marca da sua identidade. Sempre que se lembrava dele, imaginava-o com aquele chapéu na cabeça. Quer fosse durante a prática da agricultura, enquanto tratava do rebanho da família, ou simplesmente quando passeava, o senhor usava sempre aquele objeto. Eles os dois eram inseparáveis.

 

            A avó levantou-se e caminhou até ao armário do quarto hospitalar, retirando um grande chapéu de palha do seu interior. O objeto era enorme, contrastando com a pequena cabeça de Milo. A senhora aproximou-se do rapaz e inclinou-se um pouco, colocando o chapéu na sua cabeça. Apesar de lhe ficar um pouco grande, o menino sentia-se especial enquanto o usava.

 

            - Vou tomar bem conta dele. – murmurou. – Obrigado, avô.

 

 

• • •

 

            O sol começava a esconder-se atrás das montanhas de Turffield. O céu alaranjado assemelhava-se a uma tela colorida, que Milo observava atentamente. O rapaz permanecia sentado sobre os vários bancos que existiam no miradouro da cidade. Na sua cabeça, usava um grande chapéu de palha, onde o pequeno Applin descansava tranquilamente.

 

            Do alto daquela colina, conseguia observar toda a civilização que o vira crescer. Dali, os campos cultivados pareciam não ter fim. Alguns eram floridos, noutros cresciam produtos agrícolas. Com o passar dos anos, algumas famílias estabeleceram-se na cidade, aumentando o número de casas construídas em Turffield.

 

            Do outro lado do local, erguia-se outra colina. Nela, estavam desenhadas algumas gravuras que se diziam ser lendárias, uma vez que, fosse qual fosse a altura do ano, acontecesse o que acontecesse àquelas terras, aqueles desenhos não desapareciam. Assemelhavam-se a uma criatura gigante, no meio, e, à sua volta, apresentavam-se outras mais pequenas.

 

            - Estás pronto, amigo? – perguntou o rapaz, recebendo várias exclamações de Applin como resposta. – A nossa aventura está quase a começar! Nem acredito. A minha avó diz que ficará bem sozinha, mas eu tenho sempre algum receio. Pelo menos, sei que estarei a orgulhar o desejo do meu querido avô. – o jovem levantou o olhar para o céu laranja. – Sabes, andei a pensar muito nisto. Queria homenageá-lo de uma forma única. Então lembrei-me. – Applin ouvia as palavras do rapaz com atenção. – O meu avô era conhecido por adorar viver na natureza, no meio da sua quinta, cultivando animadamente. Também aprendi isso com ele. Então, será que, se eu me focasse em Pokémon Grass-Type, o estaria a homenagear? Agora que penso, é das minhas especialidades preferidas também. – a pequena maça saltitou do cimo da cabeça do rapaz para o seu colo, surpreendendo o jovem. O Pokémon esbugalhou os seus olhos, soltando vários grunhidos animados, como se estivesse a concordar com as palavras ditas. – Sim, também acho que ele iria achar uma ótima ideia. – disse, sorrindo. – Está na altura de ficar mais forte!

 

• • •

 

            Na Wild Area, Milo treinava animadamente pelos trilhos de Dappled Grove. O jovem exercitava o seu corpo, usando diversos instrumentos espalhados pelo local. Saltava por cima de rochas, corria pela vegetação de erva e praticava musculação, pegando em vários troncos de madeira. Praticar exercício físico era fundamental para o rapaz, que via o seu corpo crescer de dia para dia.

 

            O seu companheiro, Applin, também se encontrava no local. Naquele momento, o Pokémon enfrentava uma criatura selvagem. O corpo pequeno e bípede do Pokémon era verde. No seu rosto amarelo existiam dois pequenos olhos e, no topo da cabeça, havia uma semente.

 


            - Budew, um Pokémon Grass-Type e Poison-Type. – falou o Pokédex de Milo. – O seu pólen é altamente tóxico. Este Pokémon é muito sensível às alterações climáticas.

 

            O jovem observava os dois Pokémon que rapidamente se envolveram num combate aceso. Enquanto Applin atacava com Astonish e se protegia recorrendo, várias vezes, ao movimento Withdraw, Budew absorvia a energia do adversário com a técnica Absorb. A batalha renhida entre as duas criaturas foi interrompida quando Milo aproveitou a fraqueza da criatura selvagem para lançar uma Ultra Ball. Sem grande dificuldade, concluiu a captura.

 

            - Muito bem, amigo! – exclamou o rapaz, apanhando a esfera do chão e acariciando o seu Pokémon.

 

            - Applin, um Pokémon Grass-Type e Dragon-Type. – falou outra voz robótica. – Mantem-se escondido, durante toda a sua vida, dentro de uma maçã, escapando aos ataques dos seus maiores inimigos: as aves. A maçã não serve apenas de casulo, mas também de alimento.

 

            Milo levantou-se rapidamente, surpreso por ouvir outro Pokédex no local. Virou-se na direção do som, encontrando uma jovem, aparentemente da mesma idade, que segurava um Pokédex na mão. Os seus cabelos eram negros e compridos e a sua pele era morena.

 

            - Quem és tu?! – ele perguntou agitado.

 

            - Desculpem interromper o vosso treino. – disse a rapariga, esboçando um sorriso nos lábios. – Observei-vos enquanto exercitavam. Gosto da vossa energia! – exclamou, levantando os braços no ar. – Querem combater?

 

            - Obrigado! – o rapaz agradeceu, corando ligeiramente, enquanto colocava a mão por cima do chapéu na sua cabeça. Não era comum receber elogios de treinadores desconhecidos, muito menos de raparigas. – Com certeza! O meu nome é Milo. – cumprimentou.

 

            - Eu sou a Nessa. – respondeu a jovem, segurando uma Dive Ball na mão, pronta para dar início à disputa.

 

• • •

 

            Milo permanecia de pé, concentrado e em silêncio, enquanto observava o trabalho de vários homens e Pokémon, que construíam um novo e enorme edifício na cidade de Turffield. Ao seu lado, um homem de fato cinzento acompanhava-o. Rose esboçava um sorriso nos seus lábios.

 

            - Turffield Stadium, finalmente, a ser construído! – exclamou, abrindo os braços.

 

            - Com todo este tamanho, certamente irá demorar algum tempo até estar terminado. – comentou o jovem.

 

            - Não julgues as capacidades destes homens e Pokémon, Milo! – brincou o homem. – Estas novas instalações são necessárias para o novo formato da Pokémon League de Galar. Vai ser um fenómeno!

 

            - Espero que sim.

 

            - Por falar nisso. – Rose limpou a sua garganta e virou o seu corpo na direção de Milo, que também se virou. – Parabéns. Passaste no teu exame de admissão. Serás o próximo Líder de Ginásio de Turffield. Especialista em Grass-Type. – anunciou, de forma animada.

 

            O rapaz permaneceu imóvel, sem dizer nada. Parecia que não conseguia acreditar nas palavras que o homem à sua frente dizia. Tantos anos de esforço e luta seriam finalmente recompensados.

 

            - Está a falar a sério? – perguntou incrédulo.

 

            - Claro que sim, rapaz! – Rose gargalhou. – Tenho a certeza de que serás ótimo neste trabalho. És um jovem forte, destemido e reconhecido por toda a cidade. Todos te adoram, sabias?

 

            - Não. Não sabia… - murmurou, enquanto os seus olhos começavam a brilhar calmamente.

 

            - Eu sei o quanto sofreste com a morte dos teus avós. O teu avô, foi a tua maior inspiração para partires numa jornada. E a tua avó, infelizmente, partiu muito recentemente. – Rose falou num tom de voz baixo e delicado. – Por fora, podes parecer um rapaz poderoso e sem sentimentos, mas, no fundo, és tão frágil como qualquer outra pessoa. Eu sei que serás um ótimo adversário para todos os Treinadores Pokémon que decidirem participar no Gym Challenge de Galar. Todos terão alguma coisa a aprender contigo, com certeza.

 

            Milo sorriu em silêncio, sentindo as suas bochechas corarem lentamente. Voltou o seu corpo para a frente, encarando todos os materiais que começavam a dar forma ao Turffield Stadium. O estádio onde seria Líder de Ginásio. O seu grande objetivo estava, finalmente, atingindo. O jovem voltou o seu olhar para o céu, enquanto passava a mão pelo chapéu de palha na sua cabeça. Se os seus avós tivessem vivos, certamente, estariam orgulhosos do seu neto.

 

• • •

 

            Turffield Stadium estava ao rubro. O público nas bancadas do estádio aplaudia o encerramento de mais um combate de Milo contra uma jovem treinadora, que levara a melhor. Depois de entregar o merecido prémio à sua desafiante, o jovem observou a rapariga de cabelos escuros a afastar-se com o seu Morpeko ao ombro.

 

            Agora como Líder de Ginásio, o rapaz usava um uniforme único e exclusivo Grass-Type. A t-shirt era branca com vários apontamentos verdes nas mangas e, no centro, estava desenhada uma folha, que representava os Pokémon da natureza. Os seus calções verdes tinham escrito o número “831”, que representava o alimento preferido da dieta de Milo: vegetais. À cintura, usava um cinto, onde deixava suspensas as suas Poké Balls. Nos pés, calçava umas botas pretas com alguns apontamentos verdes, ideais para a prática da agricultura.

 


            Milo lidava bem com a derrota. Ele tinha plena consciência do seu poder e valor. Se usasse os seus Pokémon mais fortes contra treinadores iniciantes, todos acabariam por perder. Ser um Líder de Ginásio implicava saber avaliar o nível e o poder de cada Treinador Pokémon, de forma a escolher uma equipa devidamente equilibrada para combater.

 

            Naquele momento, o jovem abandonava a arena, deixando para trás o ruído de vários espectadores. O trabalho daquele dia estava dado como terminado. Caminhou pelos corredores interiores do edifício, até chegar ao seu escritório, onde o seu assistente já o aguardava.

 

            - Belo trabalho, Milo! – exclamou ele, como fazia todos os dias.

 

            - Esta última treinadora era particularmente especial. – falou o jovem.

 

            - Marnie.

 

            - Sim, sim, Marnie. – repetiu o Líder de Ginásio. – O seu irmão é o Piers. Aqueles Pokémon Dark-Type têm um poder diferente nas mãos dela. Gostei. – ele falava, enquanto remexia nos papéis em cima da sua secretária.

 

            - Se o Piers é o seu irmão então ela tem um ótimo professor. – comentou o assistente. – De qualquer das maneiras, temos novos desafiantes agendados para amanhã. É um trio, vindo de Postwick. Chegaram ontem à noite à cidade e hoje de manhã vieram diretos ao estádio.

 

            - Interessante. – respondeu o jovem, arrumando as suas Poké Balls no cinto. – Vamos ver se estão à nossa altura.


                  


Notas do Autor - Capítulo 12


Equipa de resgate


Route 3


            Depois de passarem um dia a procrastinar no Budew Drop Inn, os protagonistas de Galar decidem voltar à estrada.

            É na Route 3 que encontram a Mineral Factory e, deixe-me dizer. Eu fiquei muito confuso quando tentei procurar informações sobre este edifício nos jogos e não encontrei, nem sequer, o seu nome. Então decidi dar-lhe aquele que seria o mais óbvio, penso eu. Para mim, era importante nomear este edifício que se consegue observar neste local, só mesmo porque pertence a Rose. Como Victor e Hop comentaram, ele é, de facto, um homem influente e poderoso na região.

            No mesmo local, Gloria apaixona-se pela dança de um Gossifleur selvagem e, com a ajuda de Scorbunny, conseguem acrescentar mais um membro à sua equipa.

 

Galar Mine


            Nos gameplays que vejo para me inspirar, fico sempre impressionado e admirado com a beleza da Galar Mine. Obviamente, tentei descrever o espaço da melhor forma possível. Espero que tenha feito, de facto, justiça à sua beleza.

            É aqui que Victor, Gloria e Hop ajudam um Timburr perdido. Esta história surgiu muito do nada, sinceramente. Enquanto lia e pensava sobre o desenrolar desta cena, todas as peças pareciam cair no seu devido local.

            Aproveitei a deixa para revelar outros Pokémon que podem ser encontrados no local, é claro. Diglett, Drilbur e Rolycoly fazem parte da equipa de extração mineira à qual Timburr pertence. E o ocorrido foi mesmo esse. Enquanto trabalhavam, os quatro atingiram um Roggenrola, pensado que ele era uma mera rocha, mas este não reagiu muito bem e partiu para o confronto físico, é claro.

            Graças à equipa de resgate, Timburr e os seus amigos são salvos e, para grande surpresa, Hop e Grookey conseguem capturar o rebelde Roggenrola.

            E mesmo antes de abandonarem o interior da caverna, Timburr decide acompanhar Victor na sua viagem. Sim, este momento foi muito inspirado na maioria das capturas de Ash, no anime. Mas não me podem culpar! Foi muito querido e emocional, para mim, escrever essa cena. Ninguém pode negar o carinho que existe entre os dois. Victor foi quem ajudou Timburr quando este estava sozinho. Penso que faz todo o sentido.

 

Route 4


            Ah pois! Os protagonistas querem chegar bem rapidinho a Turffield e eu também! Então, decidi dar um incentivo neste capítulo, aumentando o seu tamanho para que a história até ao primeiro ginásio não se prolongasse demasiado.

            Com o cair da noite, os três atravessam a Route 4, onde Gloria e Blipbug enfrentam um fantasmagórico Pumpkaboo! E pronto, Blipbug acaba por evoluir e o Dottler toma conta do combate, não é verdade? Eu não tinha a certeza da altura em que Blipbug iria evoluir, mas uma vez que ele evoluiu a um nível tão precoce, esta parecia-me a altura mais natural para que isso acontece. O que acharam dessa evolução?

            No final, os três observam a cidade de Turffield iluminada. Agora, o primeiro desafio de ginásio está mesmo aí! Ansiosos? 



Capítulo 12


            Era de manhã e o sol brilhava no céu, iluminando o caminho da Route 3 aos três treinadores que caminhavam enquanto conversavam de forma animada. Depois de permanecerem um dia inteiro no Budew Drop Inn, a usufruir de todos os seus luxos, o grupo de treinadores fazia-se novamente à estrada.

 

            Naquele momento, o vento soprava calmamente, fornecendo uma brisa agradável para os viajantes daquela zona da região. Outros jovens também treinavam por ali, desafiando outras crianças ou Pokémon selvagens que surgiam aleatoriamente.

 

            - Fiquei impressionado com o poder do Impidimp do Bede. – comentava Hop, enquanto caminhava.

 

            - Eu não sei como é que ele foi capaz de regressar ao Motostoke Stadium depois de tudo aquilo que aconteceu… - murmurou Gloria.

 

            - De qualquer maneira, o combate e a determinação dele conseguiram influenciar-nos pela positiva, certo? – pensou Victor. – Se não tivéssemos visto o seu combate contra o Kabu ainda estaríamos no quarto daquele Pokémon Center a procrastinar.

 

            - O facto de podermos assistir a qualquer desafio do Gym Challenge através dos nossos Rotom Phones é fantástico. – opinou o moreno.

 

            - Isso não te deixa nervoso? Se eu desafiasse o Kabu como o Bede fez, estaria nervosa com tanta gente a ver-me. – pensou a rapariga.

 

            - Na verdade, não podias ficar nervosa porque as vagas para combater o Kabu já estavam todas ocupadas para os próximos dias. – brincou o irmão. – Mas eu acho que, quando estás em ação, tu próprio te esqueces daquilo que acontece à tua volta.

 

            - Se eu seguir todas as dicas do meu irmão, tenho a certeza que irei conseguir. – sorriu Hop. – Ele foi um verdadeiro herói.

 

            A Route 3 tinha lugar no meio de várias montanhas do território de Galar. O solo era mais rochoso do que o normal, no entanto ali continuavam a existir vários arbustos e árvores floridas, que se faziam acompanhar por montinhos de erva, onde várias criaturas selvagens se escondiam.

 

            Ao subirem o trilho da rota, o grupo de jovens deu de caras com um enorme edifício que se localizava no meio dos vales e montanhas daquela zona. A estrutura pintada em tons de roxo assemelhava-se a uma fábrica. As suas grandes chaminés expulsavam um fumo branco que se dissipava no ar, poluindo a atmosfera. À sua volta, o local era protegido por vários tipos de vedações para que Pokémon selvagens ou Treinadores Pokémon não pudessem entrar no seu perímetro privado sem a devida aprovação.

 

            Os três amigos fizeram uma pausa na sua caminhada, observando curiosamente o edifício.

 

            - O que é aquilo? – perguntou Gloria.

 

            - Parece uma fábrica… - disse Hop intrigado.

 

            - É a Mineral Factory. – Victor já estava com o seu Rotom Phone nas mãos, lendo a informação que conseguira descobrir em rápidos segundos. – É uma fábrica, administrada por… Rose! – exclamou surpreendido. – Esta fábrica é responsável por transformar os minerais, extraídos na Galar Mine, em energia.

 

            - O que é que isso significa sequer? – questionou a rapariga confusa.

 

            - Para além do Rose ser o Presidente da Pokémon League, ele também é o responsável por fornecer energia a toda a região de Galar. – concluiu o gémeo pensativo.

 

            - Isso é tão fixe! – exclamou o outro. – O Rose é ainda mais importante do que eu pensava. – dizia enquanto continuava a observar o edifício com atenção.

 

            - Isso mesmo. – concordou Victor. – Ele é brilhante.

 

            - Como será possível ser-se assim tão importante?

 

            - É preciso muito empenho. E muito trabalho.

 

            Enquanto os dois rapazes refletiam no poderio que estava à frente dos seus olhos, Gloria deixava-se impressionar por algo completamente diferente. Os olhos da rapariga observavam uma pequena criatura que parecia flutuar com a brisa do vento. A treinadora gargalhava de felicidade ao mesmo tempo que observava a pequena flor voar pelo ar. A criatura rodopiava o seu corpo pelas brisas do vento, enquanto cantarolava uma melodia apaixonante.

 

            Victor e Hop viraram-se, encontrando a rapariga a perseguir um pequeno Pokémon que se assemelhava a uma planta. Na cabeça, uma flor amarela cobria a maior parte do seu corpo, enquanto a outra metade era coberta por um caule verde. Nas suas costas, uma espécie de cabelo encarnado movimentava-se enquanto a criatura flutuava no ar.

 


            - Gossifleur, um Pokémon Grass-Type. – dizia o Pokédex de Gloria, que ela apontava na direção da pequena flor. – Este Pokémon gira ao som do vento, enquanto canta uma melodia encantadora. Também consegue conectar-se ao solo da terra, através do seu caule, aquecendo-se ao sol e fazendo com que as suas pétalas floresçam de forma brilhante.

 

            - Encontraste um novo amigo? – perguntou Victor.

 

            - Acho que sim… - respondeu a rapariga, colocando a mão dentro da sua bolsa. – Vou capturá-lo!

 

            A Poké Ball lançada por Gloria atingiu o corpo de Gossifleur, no entanto, a Pokémon recusou a tentativa de captura, arremessando o objeto de volta para a figura da treinadora, que apanhou a esfera com um ar surpreendido.

 

            - Pensava que também gostavas de mim…

 

            - Ele quer combater! – exclamou Hop, observando a pose desafiadora de Gossifleur.

 

            - Não vais ceder assim tão facilmente, é isso? Muito bem! – Gloria lançou uma Poké Ball ao chão, revelando a figura de Scorbunny, pronto para lutar. – Ataca!

 

            O coelho saiu disparado na direção de Gossifleur, saltando no ar e atingindo o seu adversário com Quick Attack. Apesar de atingindo, Gossifleur manteve-se no ar e aproveitou a proximidade do Fire-Type, contra-atacou com Rapid Spin. A flor rodopiou o seu corpo contra o coelho, fazendo-o cair no chão de terra.

 

            - É mais forte do que parece. – reconheceu Victor.

 

            - É por isso que o vou capturar. Ember!

 

            Scorbunny começou a correr às voltas enquanto aquecia as suas duas patas. Quando as chamas já estavam prontas, saltou novamente no ar, no entanto, o Grass-Type já estava pronto para se defender. Várias folhas movimentavam-se à volta do seu corpo, servindo como barreira contra Scorbunny. Leafage era a técnica usada por Gossifleur, que logo se dirigiu na direção do Pokémon Inicial de Gloria.

 

            - Protege-te do ataque com Ember!

 

            Recorrendo à técnica previamente preparada, Scorbunny usou as suas patas flamejantes para cancelar o efeito das folhas de Gossifleur, que caíram no chão queimadas. O Pokémon selvagem, no entanto, continuava a rodopiar no ar, mostrando que permanecia, aparentemente, intacto.

 

            - Scorbunny, temos de ser mais rápidos. O Gossifleur consegue movimentar-se através do ar, portanto temos de o trazer cá para baixo! Derruba-o com Tackle.

 

            Sem perder tempo, o Fire-Type lançou-se na direção da pequena flor que não teve tempo para preparar qualquer tipo de defesa. O corpo de Gossifleur fora derrubado, e o Pokémon selvagem caiu no chão, ficando frente a frente com Scorbunny.

 

            - Ember, depressa!

 

            Aproveitando o aquecimento feito nos turnos anteriores, o coelho branco correu na direção do adversário, pontapeando-o com as suas patas flamejantes. Gossifleur não resistiu e caiu para trás, sentindo as pétalas da sua flor começarem a queimar-se.

 

            - És meu! – exclamou a treinadora, lançando novamente a Pokébola contra o corpo da criatura.

 

            Gossifleur transformou-se num raio de luz que foi transferido para o interior da cápsula esférica. Depois de várias vibrações, a captura estava finalmente concluída. Gloria saltou de alegria, acompanhada por Scorbunny. Os dois aproximaram-se da Poké Ball e sorriram na sua direção.

 

            - Foi um belo adversário, não concordas companheiro? – falou, recebendo um sorriso do Pokémon Inicial. – Agora, é o nosso novo amigo!

 

            - Quem diria que um Pokémon tão pequeno seria um adversário tão forte? – questionou Hop.

 

            - Não podes julgar os Pokémon, apenas, pelo que eles aparentam ser. – argumentou a treinadora.

 

            - Tens razão. – concordou o irmão. – O que mais me impressionou foi a técnica que usaste para o vencer. No solo, o Gossifleur perdeu toda a sua velocidade.

 

            - O vento é a ferramenta que ele utiliza para se mover mais depressa. Apenas estive atenta às informações que o Pokédex me deu e que se verificaram, de facto, realidade. – explicou.

 

            - Muito bem. – Victor sorriu orgulhoso.

 

            - Pessoal, aquilo é o que eu estou a pensar?

 

            Os dois irmãos voltaram-se para o local para onde Hop apontava. No meio da montanha à frente do grupo, as rochas abriam entrada para o seu interior.

 

            - É a entrada da Galar Mine. – confirmou Victor, verificando o seu mapa no Rotom Phone.

 

            - Uma caverna? – refletiu Gloria. – Que tipo de criaturas há ali dentro?! – exclamou, com alguma hesitação na sua voz.

 

            - É isso que vamos descobrir! – gritou Hop, começando a correr pela rota, na direção da entrada da gruta.

 

• • •

 

            Galar Mine localizava-se no interior da montanha entre as Route 3 e Route 4. Aquele local era conhecido pelo volumoso trabalho de extração mineira que os vários trabalhadores da Mineral Factory realizavam diariamente. Minerais de todos os tamanhos, formatos e cores podiam ser ali encontrados, com grandes valores monetários e económicos. Na fábrica direcionada por Rose, os minerais eram transformados em energia que, mais tarde, era utilizada para servir todas as cidades, aldeias e habitantes da região.

 

            Victor, Gloria e Hop atravessavam um pequeno corredor, mal iluminado e coberto de rochas, que dava acesso a uma enorme sala da caverna. Aquele lugar era ocupado por vários materiais de extração mineira. Entre eles, podiam ser encontrados carros de mão, alguns vazios e outros cheios de rochas, caixas de madeira com vários utensílios, como pás ou escavadoras, pinocos de sinalização e baldes e barris com terra no seu interior. As paredes daquela divisão eram cobertas de rochas e vários minerais que reluziam fortemente. Para além das rochas brilhantes, existiam vários cadeeiros fixados ao longo das paredes, que iluminavam o caminho de ferro da Galar Mine.

 


            Gloria observava o local à sua volta com a máxima atenção. A rapariga aproximou-se da parede, observando com mais detalhes os vários minerais coloridos que ali existiam. Aquelas pequenas rochas pareciam estar presas no meio das outras maiores.

 

            - Parece impossível extraí-las das paredes… - murmurou a treinadora com curiosidade.

 

            - Eles devem usar máquinas especiais. – pensou Hop, que caminhava atrás dela.

 

            - Alguns Pokémon também são utilizados neste tipo de trabalhos. – explicou Victor, observando todo o material espalhado pelo local. – O que é aquilo?

 

            Os olhos do rapaz pousaram sobre uma criatura que permanecia caída no meio de algumas caixas de madeira. O treinador apressou-se a ajudar o Pokémon, aproximando-se dele. Gloria e Hop auxiliaram o amigo, pousando o corpo da criatura sobre o chão da caverna.

 

            O Pokémon bípede e de corpo cinzento possuía várias saliências bulbosas cor de rosa por todo o seu corpo. Apesar de inconsciente, continuava a segurar nas suas mãos um pedaço de madeira.

 


            Victor observou o corpo da criatura desmaiada com atenção. Estranhamente, o Pokémon não apresentava nenhum dano físico. Mas, por alguma razão, parecia cansado.

 

            - Timburr, um Pokémon Fighting-Type. – disse o Pokédex do treinador. – Adora ajudar os humanos em projetos de construção. É sempre visto a segurar algum tronco nas suas mãos, até mesmo se for maior do que ele.

 

            A voz robótica do Rotom Phone ecoou por todo o local. O corpo de Timburr estremeceu e o Pokémon começou a acordar lentamente. Quando abriu os olhos, descobriu que três treinadores o observavam em silêncio. Assustou-se com a presença dos desconhecidos e, num reflexo, saltou para trás, colocando-se de pé sobre o chão de terra da caverna, com o seu tronco de madeira em mão. A criatura parecia assustada e confusa com toda a situação.

 

            - Calma… - murmurou Victor num tom de voz baixo. – Nós só te queremos ajudar. Encontramos-te inconsciente no meio de umas caixas. – explicou, apontando para os objetos.

 

            Timburr voltou-se para os instrumentos de madeira com várias rochas no seu interior. O Pokémon permaneceu em silêncio, pensativo. Era como se estivesse a recuperar a memória que perdera por alguns momentos.

 

            - Estás bem? Alguém te magoou? – perguntava Gloria.

 

            O Pokémon apontou para as rochas no interior da caixa de madeira enquanto soltava vários grunhidos. Depois, correu até uma das paredes do local, começando a bater com o seu ramo de madeira nos vários rochedos. O trio observava-o confuso.

 

            - O que é que ele está a fazer? – soltou Hop.

 

            - Não consigo perceber. – murmurou a jovem.

 

            Victor permanecia em silêncio, observando atentamente todos os movimentos de Timburr. A criatura apontava agora para um dos carros elétricos presente no local. Ao lado, os caminhos de ferro tinham início.

 

            - Mimica! – exclamou o rapaz, recebendo a atenção dos outros. – O Timburr está a falar connosco através do jogo da mimica.

 

            - O que é que aquilo significa então? – o moreno continuava confuso.

 

            - Primeiro, ele apontou para a caixa com as rochas, onde o encontramos inconsciente. Depois, bateu com o tronco de madeira na parede. E agora está a apontar para o carro elétrico e o caminho de ferro. – numerou o gémeo, segurando o queixo com a mão.

 

            - Ele está a contar uma história? – atirou Gloria.

 

            - Os caminhos de ferro levam os carros elétricos com os materiais de extração mineira. – Victor pensava em voz alta. – Extração mineira!

 

            - Como assim?

 

            - O Timburr deve ajudar na extração mineira da Galar Mine. – supôs o rapaz. – Se ele está sozinho é porque algo aconteceu.

 

            - Alguém pode precisar de ajuda. – concluiu Hop.

 

            - É por isso que ele está a apontar para o caminho de ferro… - apontou Gloria.

 

            - Vamos seguir aquele caminho e descobrir o que se passa. – falou Victor. – Não te preocupes Timburr. Nós vamos ajudar-te!

 

• • •

 

            Timburr indicava o caminho ao grupo, seguindo o trilho de ferro construído no local. Victor seguia logo atrás do Pokémon, observando o seu redor com a máxima atenção. Gloria e Hop continuavam mais atrás. Os dois deixavam-se deslumbrar facilmente pelos vários minerais brilhantes que encontravam.

 

            Alguns metros mais à frente, o caminho de ferro chegara ao fim. Timburr parou bruscamente, olhando em volta. Até ali, não havia nenhum sinal daquilo que a criatura procurava. Mais que nunca, sentia-se perdido. Revoltado e desesperado, o Pokémon bateu com o tronco de madeira no chão, soltando vários grunhidos de raiva. Logo a seguir, correu até à rocha mais próxima, descarregando a sua raiva através da técnica Low Kick, rachando o pedregulho cada vez mais até, finalmente, se partir ao meio.

 

            Victor, Gloria e Hop observavam o Pokémon em silêncio. Nenhum deles conseguia perceber o que ele sentia. Mas todos tinham a noção de que ele precisava de ajuda.

 

            - Timburr, pára! Isso não vai resolver nada. Só te vais magoar.

 

            O gémeo mais novo aproximou-se do Pokémon, que continuava a atacar a rocha, ignorando as palavras do rapaz. Victor cerrou o seu punho. Não podia permitir que aquele Pokémon se continuasse a comportar daquela maneira. Ele estava, claramente, em desespero. O treinador não se conteve e inclinou o seu corpo, envolvendo a figura da criatura nos seus braços. Por momentos, Timburr resistiu, atacando o jovem com pontapés e murros, mas a persistência de Victor era mais forte e o Fighting-Type acabou por ceder, deixando-se cair no colo do rapaz.

 

            Os dois permaneceram ali durante alguns minutos em silêncio. Gloria e Hop observavam-nos com admiração.

 

            - Como é que ele fez aquilo? – sussurrou Hop.

 

            - Deve ter sido algum truque que leu num dos seus livros. – Gloria encolheu os ombros, tentando esconder o orgulho que sentia do irmão.

 

            - Estás mais calmo? – Victor perguntou, recebendo um aceno afirmativo de Timburr. – Há uma ponte ali à frente. Vamos atravessá-la e ver se encontramos aquilo que procuras? – o Pokémon assentiu novamente, permanecendo no colo do rapaz.

 

            Victor levantou-se com a criatura em seus braços e, acompanhado por Gloria e Hop, caminhou pela ponte de madeira presente no local. Dali, conseguiam ver um piso inferior da Galar Mine, igualmente iluminado por minerais de variadas cores, onde vários mineiros trabalhavam sem parar. Mais a cima, o teto da caverna era constituído por manchas coloridas que reluziam sem vergonha. Aquela era, provavelmente, a zona mais rica em minerais de toda a gruta.

 

            Já do outro lado da ponte, o trio continuou a caminhar calmamente. Também ali existia um trilho de caminhos de ferro. No entanto, outra coisa parecia captar a atenção de Timburr, que saltou dos braços de Victor, pousando no chão. A criatura fez sinal para que houvesse silêncio no local.

 

            Ao longe, era possível ouvir-se vários grunhidos abafados. Alguém parecia estar em apuros. E Timburr sabia quem era. Sem perder mais nenhum segundo, o Pokémon começou a correr na direção dos sons que ouvia. Os três treinadores correram atrás da criatura, tentando acompanhar o seu ritmo.

 

            O Fighting-Type adentrou numa das salas da caverna. Lá dentro, três Pokémon lutavam para se manter de pé, enfrentando um único inimigo em comum. Timburr lançou um grunhido ao reencontrar, finalmente, os seus companheiros.

 

            Um dos Pokémon aparecia diretamente do subsolo, deixando à vista apenas a sua cabeça castanha. Tinha pequenos olhos e um nariz redondo e rosa.

 


            - Diglett, um Pokémon Ground-Type. – disse o Pokédex de Gloria. – Os solos onde este Pokémon escava são ricos em vitaminas para plantação.

 

            Ao seu lado, uma criatura com um corpo pequeno e largo movimentava as suas garras no ar. O corpo do Pokémon era escuro, com várias listras azuis, e o seu focinho era branco e pontiagudo, com um nariz avermelhado.

 


            - Drilbur, um Pokémon Ground-Type. – falou o Rotom Phone de Hop. – Usa as suas garras rodopiantes para atacar os seus adversários ou escavar no solo.

 

            O terceiro elemento do grupo era uma criatura negra, com um corpo de carvão e um único olho encarnado. Na parte inferior da sua figura, uma roda era usada para se movimentar.

 


            - Rolycoly, um Pokémon Rock-Type. – desta vez, era o aparelho de Victor que ecoava pelo local. – Esta criatura sustenta-se através do carvão que queima no interior do seu corpo. Consegue movimentar-se até mesmo nos terrenos mais rochosos.

 

            - Estes são os teus amigos? – perguntou o gémeo.

 

            Timburr colocou-se ao lado dos três, assentindo com a sua cabeça. Os seus amigos, no entanto, apresentavam feridas por todo o seu corpo. O responsável por todo aquele incidente parecia a criatura que se apresentava à frente do grupo.

 

            Era um Pokémon esférico, com um corpo de rocha colorida. O centro do seu corpo era formado por uma figura hexagonal e amarela. No interior das suas rochas, a criatura mantinha um núcleo de energia que fazia com que o seu corpo fosse extremamente duro.

 


            - Roggenrola, um Pokémon Rock-Type. – anunciou o Pokédex do moreno. – Esta criatura movimenta-se através das ondas sonoras que consegue captar através da sua energia. Por se assemelhar tanto a uma rocha, vários humanos e Pokémon confundem-no com uma.

 

            Victor observou o local com atenção. Várias rochas estavam caídas junto de caixas de madeira, ao lado das paredes da sala. Ali também existiam algumas pás e escavadoras, elementos utilizados na extração mineira.

 

            - É isso! – exclamou. – O Timburr e os seus amigos devem ter confundido o Roggenrola com uma rocha normal. Como resposta, ele atacou-os. O Timburr conseguiu fugir, e veio pedir ajuda para nós salvarmos os seus amigos.

 

            - Talvez… - concordou Gloria ainda surpreendida com toda a situação.

 

            - Ouviste, Roggenrola? – chamou Hop. – Foi tudo um mal-entendido. Estes Pokémon não te queriam fazer mal.

 

            No entanto, o pequeno Pokémon ignorou os treinadores, arremessando uma onda de areia na direção do grupo de criaturas à sua frente. Apesar de Sand Attack não causar nenhum dano físico, a atmosfera no local alterou-se.

 

            - Precisamos de os ajudar! – falou o gémeo.

 

            - Tirem-nos daqui. – disse o moreno, com uma Poké Ball na mão. – Eu lidarei com este Roggenrola.

 

            Os dois irmãos assentiram e, em conjunto, apressaram-se a retirar os quatro Pokémon feridos daquela divisão da gruta, voltando para o trilho principal da Galar Mine, abrigado pela luz dos vários minerais. Em conjunto, os dois usaram várias Berries para recuperar a energia das criaturas selvagens.

 

            Ainda no interior da divisão, Grookey preparava-se para enfrentar um novo adversário. Enquanto Roggenrola atacava com Tackle, o macaco de erva esquivava-se, usando a nova técnica Taunt, impedido o seu adversário de usar movimentos que não fossem de ataque.

 

            - Vamos ensiná-lo a meter-se com adversários do seu nível! – exclamava o treinador. – Grookey, usa Branch Poke!

 

            O Grass-Type correu na direção do adversário, atingindo-o com o seu ramo de madeira. Por ser uma técnica super efetiva contra o Rock-Type, a pequena criatura caiu, pela primeira vez, no chão. Hop observou o Pokémon com atenção. Mesmo que estivesse mais fraco, continuava a sentir o ódio descontrolado no corpo daquela pequena criatura.

 

            Roggenrola voltou-se a levantar, lançando um jato de lama na direção de Grookey. Apesar de Mud-Slap não criar danos significativos no macaco, a técnica diminuía a sua perícia.

 

            - Scratch!

 

            Grookey tentou livrar-se da lama sobre o seu corpo, no entanto, Roggenrola fora mais rápido, esquivando-se ao ataque do adversário e voltando a atacar com Tackle. Apesar do movimento simples, o peso do corpo do Rock-Type começava a complicar o desempenho do Pokémon de Hop.

 

            - Aproveita que ele está próximo e usa Razor Leaf!

 

            O macaco assentiu. Várias folhas afiadas apareceram à volta do seu corpo, que logo a seguir foram lançadas contra a figura de Roggenrola, que, posteriormente, foi projetado contra a parede da gruta. O Pokémon caiu fraco no chão.

 

            Hop sorriu e caminhou calmamente até ao corpo da criatura.

 

            - És muito forte, sabias? Talvez seja por isso que te aches no direito de desafiar qualquer adversário que encontras. – falava, enquanto retirava uma Poké Ball da sua mochila. – Quero que me acompanhes na minha viagem. Vamos treinar juntos e ver até onde chega o teu poder.

 

            O rapaz lançou a esfera contra o corpo de Roggenrola, que se transformou numa luz brilhante. Depois de cair no chão, a Poké Ball vibrou apenas duas vezes. Roggenrola cedera finalmente.

 

            - Quem diria? – Gloria voltava a entrar no local, batendo as palmas das mãos uma na outra.

 

            - Acredito que ele tenha potencial. – respondeu Hop, voltando-se para Grookey. – Obrigado.

 

            O macaco sorriu e, antes mesmo de voltar a bater com o ramo de madeira na cabeça do treinador, Hop voltara a colocá-lo no interior da Poké Ball.

 

• • •

 

            Como forma de agradecimento pela ajuda prestada, Timburr e os seus amigos acompanharam os jovens treinadores até à saída da Galar Mine.

 

            - Agora que o Roggenrola já não vos pode voltar a atacar, o nosso trabalho por aqui está feito. – sorriu Victor. – Fomos uma equipa de resgate por um dia! – brincou.

 

            - Foi um gosto conhecer-vos a todos! – exclamou Gloria.

 

            - Tenham cuidado com as vossas extrações mineiras a partir de agora! – riu Hop.

 

            Quando os três treinadores se preparavam para deixar para trás a caverna recheada de minerais, os grunhidos de Timburr voltaram-se a ouvir. Victor virou-se de imediato, encontrando o Fighting-Type a seus pés. O Pokémon sorria na sua direção, como nunca fizera anteriormente. O rapaz observou-o confuso.

 

            - O que se passa? – perguntou.

 

            - Ele está a sorrir. – apontou a gémea.

 

            - Victor, eu acho que ele quer ir contigo… - murmurou Hop.

 

            O gémeo corou ligeiramente, esboçando um fraco sorriso. Baixou-se, ficando da mesma altura que o Pokémon, que continuava a sorrir como nunca. O treinador passou a sua mão pela cabeça do Pokémon, de forma amigável.

 

            - É verdade? – perguntou, recebendo um aceno positivo por parte do Pokémon. – Sendo assim... – ele disse, remexendo na sua mala. – Queres entrar nesta Poké Ball?

 

            O rapaz estendeu a palma da sua mão, que segurava uma esfera bicolor vazia. Timburr sorriu. Pela primeira vez, sentia que podia deixar de tomar conta dele e dos seus colegas de extração mineira, para que, finalmente, um Treinador Pokémon pudesse ser responsável por ele mesmo.

 

            O Pokémon voltou-se uma última vez para trás, acenando aos seus amigos. Diglett, Drilbur e Rolycoly observavam-no com atenção, esboçando sorrisos de emoção. Os tempos de trabalho árduo chegavam ao fim para Timburr. Agora, era altura de seguir numa viagem onde se iria descobrir a ele mesmo.

 

            A criatura voltou-se para a frente e encarou a Poké Ball na mão de Victor. Com a ajuda do seu tronco de madeira, premiu o botão no centro da esfera, que se abriu e sugou o corpo da criatura para o seu interior.

 

• • •

 

            O céu alaranjado começava a escurecer cada vez mais. Faltavam poucos minutos para a noite cair, mas Victor, Gloria e Hop continuavam a caminhar pela Route 4. O local era composto por uma curta rota rodeada por várias planícies de erva amarelada, onde diferentes Pokémon selvagens habitavam calmamente. Ali também existiam algumas árvores e arbustos onde várias espécies de Berries nasciam.

 

            Alguns treinadores começavam a montar os seus acampamentos pelos terrenos descampados do local, mas para os três treinadores não havia tempo a perder. Todos desejavam chegar ao seu próximo destino o mais rápido possível.

 

            Naquele momento, no entanto, Gloria e Blipbug enfrentavam um Pokémon selvagem que se intrometera no caminho do grupo.

 

            A criatura cintilava no ar, flutuando de um lado para o outro. A parte inferior do seu corpo assemelhava-se a uma abóbora com pernas, onde existiam dois orifícios que expulsavam uma luz laranja. A parte superior era composta pelo corpo negro e sombrio do Pokémon. Tinha dois olhos amarelos e pequenas mandíbulas da mesma cor, que se faziam acompanhar pelas suas orelhas pontiagudas.

 


            - Pumpkaboo, um Pokémon Ghost-Type e Grass-Type. – falou o Pokédex da treinadora. – Os espíritos que esta criatura captura são armazenados no interior seu corpo. A luz que emite consegue hipnotizar e controlar qualquer pessoa ou Pokémon.

 

            - Não olhem para a luz dele! – exclamou Victor.

 

            - Nós vamos ter cuidado. – Gloria assentiu. Blipbug, à sua frente, preparava-se para iniciar o combate. – Struggle Bug!

 

            A esfera de energia lançada por Blipbug não fora suficientemente rápida para atingir o seu adversário. Este, por sua vez, lançou um Razor Leaf na direção da pequena lagarta. Apesar de não ser uma técnica forte contra o Bug-Type, a criatura sofreu alguns danos pelo forte impacto do ataque.

 

            - De novo! – ordenou a treinadora.

 

            Mais uma vez, Blipbug reuniu toda a sua energia, disparando-a em forma de esfera na direção de Pumpkaboo que, se esquivara novamente, desta vez usando a técnica Shadow Sneak e lançando a figura de Blipbug para o meio da vegetação amarela.

 

            - Blipbug?! – chamou a treinadora. – Vá lá, não desistas! Eu sei que tu consegues!

 

            No meio das ervas da planície, a pequena lagarta permanecia caída. O Pokémon gemia baixinho, sentindo o seu corpo doer cada vez mais, graças a todos os ataques usados por Pumpkaboo. Por alguma razão, Blipbug não conseguia tomar controlo da situação e vencer o adversário. Mas, no fundo, a lagarta acreditava nas palavras da sua treinadora. Ela era capaz de vencer aquela disputa. A única coisa que ela tinha de fazer era, de facto, encontrar a força dentro de si.

 

            Um raio de luz iluminou todo o corpo de Blipbug. Num intervalo de poucos segundos, o seu corpo começou a aumentar de tamanho e a fisionomia da criatura alterou-se por completo.

 

            O corpo do Pokémon era agora redondo, em formato de concha, formado por vários triângulos amarelos e círculos azulados. Todos eles brilhavam intensamente. O rosto do Pokémon era laranja e os seus olhos azuis. Em cada uma das suas bochechas, dois bigodes funcionavam como antenas, usadas para captar informação à sua volta.

 


            Gloria, surpreendida com aquele acontecimento, apressou-se a apontar o seu Rotom Phone na direção do novo Pokémon.

 

            - Dottler, um Pokémon Bug-Type e Psychic-Type. Mexe-se raramente, no entanto, continua vivo. Preso no interior da sua concha, o Pokémon desenvolveu capacidades psicológicas para se comunicar e interagir com o exterior. – explicou o aparelho.

 

            - Uau! – exclamou a treinadora. – Dottler, agora sim, estás mais forte!

 

            A criatura arrastou o seu corpo para fora da vegetação, mostrando a todos os presentes que continuava saudável para continuar com aquela disputa.

 

            - O Blipbug evoluiu. – murmurou Victor, estupefacto. – Impressionante.

 

            - Ele deve conhecer novos ataques agora! – apontou Hop curioso.

 

            - Tens razão… - a rapariga murmurou, enquanto consultava as informações no Pokédex. – Dottler, usa Confusion.

 

            O Pokémon não saiu do seu lugar. Apenas os seus olhos vibraram e foram iluminados pela cor rosa, atingindo Pumpkaboo com várias vibrações psíquicas. No entanto, a criatura selvagem não se deixava ficar para trás. Outro Razor Leaf saía disparado na direção de Dottler, que se protegeu com Reflect, diminuindo para metade o efeito daquela técnica.

 

            - Muito bem! – exclamou Victor surpreendido.

 

            - Vamos terminar! Confusion mais uma vez! Desta vez, atira o Pumpkaboo para bem longe!

 

            As ordens de Gloria eram executadas por Dottler sem dificuldade. Era difícil escapar aos poderes psíquicos da criatura. Enquanto os seus olhos brilhavam, o Pokémon mantinha controlo total sobre o corpo de Pumpkaboo. O adversário remexeu-se no ar durante alguns segundos e, finalmente, o seu corpo foi lançando contra vários arbustos, alguns metros afastados daquela zona.

 

            - Incrível! – celebrou a treinadora.

 

            - Isso foi fantástico. – parabenizou o gémeo, sorrindo. – O Blipbug evolui a um nível bem prematuro, mas, desta vez, veio mesmo a calhar.

 

            - Estamos mais fortes. – afirmou a jovem, orgulhosa.

 

            - Desculpem interromper a celebração, mas não seria melhor sairmos daqui o mais depressa possível antes que aquele Pumpkaboo regresse com os seus amigos assombrados? – Hop aproximou-se dos dois.

 

            - Desde quando é que tens medo de fantasmas? – provocou Gloria.

 

            - Eu não tenho!

 

            - Não é isso que parece!

 

            - Vá lá, pessoal! Turffield é mesmo ali à frente! Temos um Líder de Ginásio à nossa espera! – falou Victor. Os outros dois assentiram e calaram-se, antes mesmo de poderem continuar mais uma discussão inútil.

 

            O gémeo permaneceu imóvel e em silencio, observando as luzes da cidade adormecida à sua frente. Depois de retroceder Dottler para o interior da sua Poké Ball, Gloria sentia-se ainda mais pronta para enfrentar o seu primeiro desafio do Gym Challenge. Por sua vez, Hop estava cada vez mais ansioso para poder testar o verdadeiro poder dos seus Pokémon contra um Líder de Ginásio.

 

            Depois de um dia de viagem em cheio, os três voltaram a dar início à sua caminhada, desta vez, com o destino mesmo à frente dos seus olhos.


                  


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